Dostoiévski escreve neste livro, a determinada altura

Todo o mistério da vida cabe em duas folhas de papel.

Em duas folhas ainda não acredito, mas em duas centenas delas está aqui mais que provado.
Crime e castigo é, sem muitos rodeios, um livro tremendo. Nada escapa a esta obra, está lá tudo: a condição humana, o bem e o mal, a culpa e o perdão, o amor e o ódio. Os personagens estão tão brilhantemente construídos e descritos que os chegamos a conhecer como a amigos chegados; são gente de carne e osso, mas são também alma. A narrativa é abordada de uma forma muito linear, mas tem voltas que não acabam; há na mão de Dostoiévski um mérito total. Além de tudo isto – e sem deixar de ser uma análise redutora da obra -, é um romance, é um drama e é um policial. É um livro que dificilmente se esquece e que figurará sempre entre o que de melhor já li. Incontornável!

(O meu entusiasmo foi tanto que, mal o fechei, o entreguei a um colega de trabalho a quem vou emprestando um ou outro livro. Disse-lhe: se quer ler uma coisa a sério, leia isto.)