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The Great White Ocean (Swanlights, Antony and The Johnsons)

[Poder ouvir isto, por exemplo, são cinco minutos de felicidade.]

The Spirit Was Gone é o segundo tema desvendado do iminente Swanlights. É também nova homenagem de Antony Hegarty a Kazuo Ohno, que já tinha sido capa de The Crying Light.

Aos poucos, Antony Hegarty vai dando a conhecer o seu próximo trabalho, Swanlights. Depois de conhecido Thank You For Your Love, chega a vez de Flétta, um tema que marca o reencontro entre o músico e Björk. The Dull flame of Desire e My Juvenile são o resultado da sua primeira colaboração e integram o álbum Volta, da cantora islandesa. Por altura dessas gravações, Björk improvisou qualquer coisa ao som do piano de Antony, que ficou toda a noite a trabalhar e, pela manhã, já tinha um tema para lhe apresentar. Flétta ficou na gaveta desde então.


Swanlights, o álbum que sucederá a The Crying Light, tem lançamento previsto para Outubro. Thank You For Your Love, o EP que antecederá Swanlights, tem lançamento previsto para o final deste mês. Foi-me difícil não sentir uma certa urgência em perceber o sentido que este novo trabalho de Antony Hegarty tomaria. Sem desilusão – apesar de saber a muito pouco -, fica por aqui Thank You For Your Love, tema que dá título ao primeiro single do aguardado álbum.


[Haverá melhor título para te agradecer os meus dias?]

Inevitável repetir Antony nesta página. Como inevitável é o arrepio ao ouvir este Rapture.

We live together in a photograph of time

Fistful of Love, Antony and The Johnsons

Antony Hegarty, debaixo de umas luzes que lhe conferem a natureza etérea que a sua voz sempre evidenciou.

Another World é o título do EP que precedeu The Crying Light e o que melhor define um espectáculo de Antony and the Johnsons. Outro mundo. Um mundo onde os pés parecem não tocar o chão, onde a atmosfera é mais leve e mais respirável. Nessa leveza e no silêncio a que somos remetidos, a voz de Antony rasga espaços e encontra-nos em partes que nós próprios desconhecíamos ter. Ontem, no Coliseu do Porto, isto voltou a acontecer. Apesar de considerar que I Am a Bird Now tinha uma força que este último trabalho não consegue ter a não ser em dois/três temas, dificilmente alguém dirá que este concerto lhe passou ao lado. Impossível não destacar o acerto dos Johnsons, os quatro finais diferentes de Fistful of Love e o fecho do concerto, com Hope There´s Someone. Em sentido contrário, dispensavam-se metade dos considerandos políticos e religiosos e a totalidade das intervenções do público – os marry me, os i love you e os discos pedidos. Neste particular, o concerto de 2006 no Theatro Circo, esteve noutro patamar. Ainda assim, grande noite.

[Nesta página está o vídeo que me agradava aqui deixar, mas que não consegui.]

Há já algum tempo – ainda o blogue tinha outra morada – que publiquei este vídeo. Talvez mais que uma vez, até. Hoje, volta a cair nesta página. Por estranho que pareça, repetindo-o não acho que me repita. Coisas assim não permanecem imutáveis. Nem o significado que lhes damos.

Antony And The JohnsonsAndrew Bird O Ípsilon conseguiu trazer à sua capa, por duas edições consecutivas, aquelas que tenho – e isto é uma opinião muito pessoal – como figuras maiores do panorama musical actual.
Antony, com a ajuda da sua voz ao mesmo tempo poderosa e harmoniosa, transporta-nos para um lugar diferente de todos os lugares que conhecemos. Ouvi-lo é uma experiência interior. Ouvi-lo não é só ouvir; metade é sentir. Em Novembro de 2006, no Theatro Circo, em Braga, aconteceu o minuto mais sentido a que me lembro de ter assistido num concerto: ouvia-se I Fell In Love With a Dead Boy e, numa pausa da música, o silêncio arrastou-se por um pouco mais de tempo; a sala estava cheia, mas podia dizer-se que ninguém lá estava; podia dizer-se muita outra coisa e continuar sem se conseguir explicar o que ali aconteceu. É de momentos destes que se faz a música de Antony Hegarty. Maio marcará o seu regresso a Portugal. Depois de I Am a Bird Now, será altura de apresentar o recente The Crying Light, um álbum que considera mais pessoal e introspectivo. As letras referem muito a natureza e as paisagens, mas também são paisagens emocionais.
[A entrevista pode ser encontrada aqui.]


Antony And The Johnsons – One Dove [The Crying Light]

Andrew Bird é diferente. Não só diferente de Antony, mas diferente de tudo. Rui Tavares escreve, a propósito do músico de Chicago, que numa tradição musical obcecada em encontrar o novo Bob Dylan, os novos Beatles ou o novo Leonard Cohen, ele não é ninguém senão ele. Mas virão a existir certamente alguns “novos Andrew Bird” – e esses terão uma missão ingrata no futuro. Não podia concordar mais. Nesta breve entrevista [links 1 e 2], aliás, não me recordo de não estar de acordo com o que quer que Rui Tavares tenha escrito. O multi-instrumentalista Bird também passou pelo Theatro Circo de Braga, em Junho de 2007. Aqui, o que nos prende é o génio de Bird, a forma como vai juntando sons, como os vai sobrepondo até criar músicas incríveis. Uma espreitadela a álbuns anteriores leva-me a pensar se aquelas músicas, mesmo paradas, não terão melhorado. A cada audição pareço encontrar mais qualquer coisa que me agarra, mais qualquer som, mais qualquer pedaço de letra. É uma música construída em camadas e é com o tempo que as vamos descobrindo melhor. No seu recente Noble Beast, nem foi preciso muito tempo; não encontro um tema de que não goste. A passagem por Portugal, para promoção do álbum ainda não está agendada – espero que seja apenas uma questão de ainda.
As palavras de Rui Tavares serão agora minhas, ainda que repetidas: na música, Andrew Bird é o meu génio vivo preferido.


Andrew Bird – Tenuousness [Noble Beast]

O álbum que sucede a I Am a Bird Now chega no início do próximo ano. Entretanto, já durante este mês, sairá o EP com o título deste tema. Só há voz e piano; o vídeo veste a tranquilidade da música. Para quem espera ansiosamente por The Crying Light, saberia sempre a pouco.

[Mais uma música nova, The Great White Ocean, na animação Fallen Shadows da Prada, aqui.]

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