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Refiro-me ao próximo álbum de Bill Callahan, que tem edição prevista para Abril. O músico norte-americano levantou a ponta do véu e disponibilizou um tema do trabalho que sucederá a Sometimes I Wish We Were An Eagle (a responsabilidade é grande portanto). Chama-se Baby’s Breath e é um excelente indicador.


Because there is no love where there is no obstacle

Say valley maker, Bill Callahan

Esta é a edição mais recente de Bill Callahan. Tem cara de disco novo, tem nome de disco novo, mas o que lhe dá forma são temas de álbuns anteriores, gravados ao vivo. Os êxitos do mais recente Sometimes I Wish We Were An Eagle ficam de fora deste Rough Travel For A Rare Thing, mas a já longa carreira deste músico de Maryland permite que isso se faça sem perda de qualidade. Desde o brilhante Bathysphere (que já teve direito a versão da não menos brilhante Cat Power, com quem viveu em tempos), a Our Anniversary, Bowery, ou Cold-Blooded Old Times, há neste disco muito do essencial de Callahan. Fica por aqui um tema saído de A River Ain’t Too Much To Love, de 2005, Rock Bottom Riser.


[Depois de muitas tentativas falhadas e de algumas conversões - que resultam numa menor qualidade -, cá está um bocadinho do que esta dupla fez em Santa Maria da Feira.]

A reencarnação podia ser a melhor forma de explicar o que Callahan (a fotografia é cortesia da minha fotógrafa preferida) traz ao palco, uma vez que este nos canta estórias com a voz que imaginamos ser de uma velha figura, sentada a um canto de um saloon. A essa voz cavernosa, juntou-se a sua guitarra, juntaram-se as letras bem ordenadas de muitos dos seus temas e um baterista competentíssimo.
Na primeira noite desta edição do Festival para Gente Sentada, os primeiros a subir ao palco foram Matt Valentine e Erika Elder. A sinceridade obriga-me a dizer que foi uma actuação sofrível, apenas abrilhantada pela participação de um terceiro elemento, que é certamente o músico mais azarado que já vi: nos dois temas em que participou, conseguiu meter água três vezes.
Seguiu-se um muito mais profissional Perry Blake. Piano e voz foram o suficiente para esquecer um mau início. Deste músico, o pouco que conhecia era Ordinary Day e mais umas coisas ouvidas à pressa no Youtube. O último tema que Perry Blake cantou, Folks don’t know, acabou por ser o que mais gostei.
A noite terminou como comecei este post. Hoje, o festival continua com um cartaz bem mais equilibrado, mas ia-me custar ter perdido Bill Callahan.

[De referir que a blogosfera esteve em peso no Cine-Teatro António Lamoso. Foi porreiro rever uns e conhecer outros.]

Love is the king of the beasts, and when it gets hungry it must kill to eat

Eid Ma Clack Shaw, Bill Callahan

Fevereiro trará novamente o Festival Para Gente Sentada a Santa Maria da Feira. Na sua sexta edição, no Cineteatro António Lamoso, estão já assegurados os nomes de Bill Callahan – 26 de Fevereiro – e dos Dakota Suite – 27 de Fevereiro. Entretanto, há notícias que apontam os Camera Obscura como outro dos nomes para o segundo dia de festival. Nesta equação, a minha preferência ainda pende para o dia 26, mas com uma organização que já conseguiu trazer a Santa Maria da Feira Sufjan Stevens, Devendra, Adam Green, Patrick Wolf e Sondre Lerche isto pode mudar num instante.
Como aperitivo, fica aqui Eid Ma Clack Shaw, do último álbum de Bill Callahan, Sometimes I Wish We Were An Eagle.


[Actualização: Cartaz completa-se com Perry Blake e MV & EE no primeiro dia e Noiserv a juntar-se aos dois nomes já anunciados para o dia 27.]
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