Acreditar é um verbo tramado de conjugar quando a terceira pessoa do singular é Vítor Pereira, mas que justifica o risco se pensarmos que a primeira pessoa do plural é Porto.
Fico meio preocupado quando leio comparações destas e dava-me por satisfeito que o rapaz fosse inteiramente profissional. O jeito para a bola parece lá estar.
Diz-me um colega de trabalho benfiquista, ao início da tarde:
- Tanta coisa com a invencibilidade e este ano ainda não ganharam [FC Porto] um jogo.
Certíssimo e certeiro. Prova de que a boa disposição é possível, apesar das rivalidades.
Quando, depois do jogo do FC Porto frente ao Vitória de Setúbal, se ouve acusar Elmano Santos de ser cego, estamos perante uma tremenda injustiça. Vejo-me na obrigação de defender o juiz madeirense, uma vez que ficou mais que claro que Elmano até vê melhor que muita gente. Atente-se: vê um penalty que quase ninguém parece ter visto, vê uma falta que quase ninguém parece ter visto e dá amarelo a Fucile, vê um penalty num agarrão que quase ninguém parece ter visto acontecer no interior da área e ainda se dá ao luxo de ver que o dito agarrão foi feito por um jogador que quase ninguém parece ter visto agarrar e exibir-lhe o amarelo. Elmano vê que se farta. Só não prevê, seguramente.
Assisti, na manhã de ontem, a um desfile de estrelas que deve ser quase diário: a passagem dos jogadores do FC Porto na EN222, a caminho do Olival. Recordo ter visto, não necessariamente por esta ordem, Castro, Beto, Varela, Moutinho, Hulk, Helton, Sapunaru e Belluschi. Logo após a passagem dos dois primeiros, percebi que seria fácil ir identificando os craques seguintes, bastando para tal procurar apenas os carros mais vistosos da fila de trânsito – as marcas alemãs estavam bem representadas. Foi desta forma que me ia passando despercebido um jogador dragão, com nome de ave de rapina, num carro da marca do leão. Confirma-se discreto, o avançado colombiano em quem as defesas contrárias também parecem não reparar. Até ao golo.
Equipado de um amarelo alternativo que fica a perder para o laranja da época passada, o FC Porto apresentou-se para mais um ano de desafios exigentes. Ainda sem a presença dos mundialistas, de um ou outro lesionado e de uma ou outra aquisição por concretizar, percebeu-se que o plantel pode apresentar mais soluções, mas que ainda tem um longo percurso pela frente. Frente aos holandeses do Ajax, os pequenos destaques vão todos para acções individuais, uma vez que ainda não se conseguiu ver jogo colectivo digno de referência. Juntando a este grupo uma outra opção de ataque, há matéria para coisas bonitas. A fotografia que aqui fica é de André Villas-Boas porque se percebe que é do que o jovem treinador conseguir fazer com os jogadores que tem à disposição que o FC Porto vai ter, ou não, o sucesso que se deseja. Venha o próximo jogo, venham os craques que faltam e venham, principalmente, os automatismos. Já fazia falta o ambiente de futebol.
Por pontos:
1 – Moutinho não é um talento de outro mundo, antes um médio trabalhador e com qualidade (houve quem falasse do jogador como um Deco e houve quem fizesse dele um Binya);
2 – Entre Moutinho e Meireles, preferia ficar com o último, desde que motivado (até porque acho pouco provável que o FC Porto consiga uma verba condizente com o seu valor);
3 – O ainda médio do FC Porto já manifestou publicamente que esta era uma boa altura para sair;
4 – Os números do negócio, tendo em conta a previsível saída de Meireles, não parecem tão exagerados se se somarem as verbas desperdiçadas em jogadores como Tomás Costa, Benítez, Prediger e assim por diante;
5 – Os mesmos números passam a ser exagerados se se verificar a continuidade do ainda portista Raúl Meireles, uma vez que ainda há Micael no plantel e ficaria difícil conseguir um lugar para os três médios.
6 – O ex-leão, apesar de se passear há muito pelos relvados portugueses, tem 23 anos, o que lhe dá alguma margem de progressão e hipótese de futura rentabilização;
7 – Concordo com quem entende que todas as partes envolvidas na transferência ficam a ganhar. A próxima época desportiva dirá quem ganhou mais.
A época não tem sido brilhante para a equipa do FC Porto, mas o azar teima em persegui-la nas jornadas finais. Tem ganho? Sim, mas eu referia-me aos dois golos seguidos de Guarín, que são capazes de pesar nas contas da sua manutenção no plantel portista, roubando assim vaga a um jogador de futebol. É a sorte a bater à porta do colombiano e o azar a não largar a perna dos portistas.
É uma pena que tenham interrompido Rui Pedro Soares, aquando da sua audição pela Comissão de Ética. Já o estava a ver, empolgado, a fazer de Maria Amélia Canossa.
… passa a gozo.
Se estamos cá para as horas boas, temos de cá estar para as horas más. E se a noite do FC Porto em Londres, ontem, foi muito má, outras houve que nos deixaram eufóricos.
A verdade é que o actual plantel tem 2/3 jogadores capazes destas andanças de Liga dos Campeões, tem outros 2/3 com capacidade de por lá andarem sem comprometer, mais uns 2/3 jogadores para consumo interno e um grupo dos quais se podem fazer três subgrupos: o dos que servem como alternativa, o dos que são jovens e têm potencial e o dos que nem sequer se percebe como chegaram ao Dragão -muitos, infelizmente. Ao leme destes homens, está um treinador que já ganhou muito e ao qual se tem que estar agradecido, mas que continua a demonstrar um medo que não é compatível com a imagem do clube. Nestas alturas, a responsabilidade toca a todos e os dirigentes não escapam impunes, até porque a política de contratações que gera um plantel como o acima referido passa pelas suas mãos. Espero que tudo isto venha a ser corrigido, que as comissões deixem de falar mais alto que o real valor dos jogadores, que ao mercado voltem os que não têm qualidade para a camisola azul e branca e que dele apenas venha quem for capaz de fazer a diferença em campo. Os restantes, que venham da formação e dos recentes empréstimos.
Enquanto isso não acontece , é aguentar de cachecol ao pescoço e sem deixar de apoiar. Até porque nos jogos mais recentes – e nos próximos ainda mais, certamente – a equipa tem jogado sobre brasas.
O meu número preferido, nas costas de um jogador que me deixará saudades. A classe que o médio Argentino demonstrou de Dragão ao peito não está ao alcance de todos. Junto-o ao restrito grupo de jogadores que vi jogar pelo F.C. Porto e que lembrarei sempre. El Comandante é alcunha e descrição. De cabeça levantada, elegante na condução de bola, Lucho foi sempre um motor de alta rotação. Simples nos processos e vertical na forma de jogar. Além de tudo isso, um exemplo de postura em campo – lembro um excesso numa entrada mais dura, o que é significativo num jogador que tantos minutos passou em campo.
Não sei se o 8 ficará bem a alguém nos próximos anos. Adeus e obrigado!
Ontem, mais uma noite se pintou de azul. Não tem sido raro. Com menores, ou maiores dificuldades, o FC Porto tem conseguido afirmar-se como a mais forte equipa de futebol em Portugal, nos últimos anos. Já vimos treinadores de características completamente diferentes sentados no banco, com as mais diversas abordagens ao jogo e já por aquele relvado passaram jogadores de todo o tipo. Em comum, a razão deste sucesso: a mentalidade vencedora, passada como testemunho dos Dragões mais antigos para os mais recentes. Este ano não fugiu à regra. Se de Bruno Alves já se conhecia a impetuosidade colocada na disputa de cada lance, a forma de subir ao terceiro andar para ganhar bolas, já de Rolando não se esperava tamanho acerto; se de Lisandro já se conhecia o espírito guerreiro, a garra interminável, de Rodríguez não se contava com registo semelhante, com a forma como, depois de atacar, recupera para defender; se de Lucho e Meireles já se sabia que eram capazes de comandar uma equipa a partir do centro do terreno, de Fernando não se podia exigir que desse o equilíbrio que veio a dar; se a Fucile já se reconheciam qualidades na lateral, para Cissokho e Sapunaru olhava-se de lado; depois há Hulk, que chega a precisar de uma bola só para ele e se torna numa real promessa, há um Farías por quem quase não se dá conta, mas lá levou a água ao seu moinho. Podia continuar a enumerar casos. A qualidade de todos estes jogadores não pode ser desprezada, mas mentalidade que adquirem ao chegar ao Dragão exponencia-a. A próxima temporada trará, certamente, saídas e entradas. Se entre as saídas não se encontrar a mística portista, o mais certo é esta entrada repetir-se.
A noite tinha tudo para ser azul – podia muito bem tê-lo sido. A atitude dos jogadores foi louvável e chegou a assustar a poderosa equipa de Manchester. Um momento de Cristiano Ronaldo fez a diferença. Quem tem os melhores arrisca-se a isso. De resto, o FC Porto mostrou-se sempre à altura destas andanças europeias. Está de parabéns, por isso.
Chamam-lhe teatro dos sonhos, mas para lá se poder sonhar é preciso tudo, menos adormecer. Hoje, o F.C. Porto teve uma grande noite. Também sofreu, mas nenhum grande embate se faz sem sofrimento. Se de Manchester tivesse vindo a vitória na bagagem, ninguém ficaria escandalizado. Individualmente, só duas notas: há um lateral esquerdo que tem convencido a cada jogo que passa e um jovem médio que já passeia classe pelos grandes palcos, pese a pouca experiência. Este último, esteve quase perfeito.
Para a semana, no Dragão, lá estaremos. Para sofrer e, se a equipa mantiver o nível que hoje apresentou, talvez festejar.