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Parece que sim. Confirmam-se as hipóteses de um bom passeio e de um bocadinho numa esplanada, sempre rodeados de livros.

São as trocas e baldrocas com a Feira do Livro do Porto. Não se estranhe que já se fale do Porto (meu Porto, para que conste) como uma cidade irrelevante e gerida sem critério.

Numa das minhas habituais passagens pelo Bibliotecário de Babel, tive conhecimento de um e-mail enviado por Luís Oliveira, editor da Antígona, à APEL. Num breve texto, dispostas por pontos, seguiam algumas críticas à recente edição da Feira do Livro de Lisboa e sugestões para a próxima. A quem interessar a leitura completa, aconselho uma passagem pelo já citado blogue de José Mário Silva, mas chamo particular atenção para o terceiro ponto do texto de Luís Oliveira:
3. A Feira do Livro do Porto deveria realizar-se antes da de Lisboa; não beneficia das mesmas condições naturais e os habitantes do Norte são mais resistentes às intempéries…
Dando ao parágrafo a forma de elogio, na referida superior resistência das gentes do norte às intempéries, a mensagem que o editor da Antígona realmente faz passar é: que se lixem os de lá de cima, interessava era bom tempo aqui.
Admito que este ponto tenha sido escrito com a maior das ligeirezas, mas se Luís Oliveira está descontente com o tempo que se fez sentir no decorrer da Feira do Livro de Lisboa e, consequentemente, com a data desta, basta-lhe para tal expressar a sua vontade de a ver realizada noutra altura. A comparação de que se serve, demonstrativa do desinteresse que tem pelo tempo que se fizer sentir na Feira do Livro do Porto, é tipicamente umbiguista. Não sei se a Antígona vende muito na Feira do Livro de Lisboa e pouco na do Porto, mas gostava que o seu editor soubesse que também é muito agradável passear pela Praça da Liberdade em noites amenas, conversar tranquilamente enquanto se espreitam os diversos expositores e poder fazer uma pausa para tomar qualquer coisa numa esplanada, enquanto se espreita a sinopse de um qualquer livro encontrado. Aposto que, por pouco que seja, também no Porto a Antígona venderá mais numa destas noites.

Com mais tempo e em boa companhia, voltámos à Feira do Livro. Aproveitar a promoção Leya 4 Pague 3 - de que tomámos conhecimento na anterior visita – era um dos objectivos principais. As escolhas foram: As velas ardem até ao fim, de Sándor Márai; A morte de Carlos Gardel, de António Lobo Antunes; Predadores, de Pepetela; Diário de um mau ano, de Coetzee. O outro dos objectivos predefinidos era trazer para as estantes de casa um livro que há muito cá devia morar – o Livro do desassossego. Houve ainda tempo para alguns livros técnicos e de culinária. Deu também para um lanche numa esplanada e para explorar uma FED 3 Leica fantástica. E assim se passa uma tarde.

Chegar à Feira do Livro do Porto alguns minutos depois das 19h30 e perceber que esta encerraria às 20h30 deu para pouco mais que uma caminhada entre os espaços de cada uma das editoras. Nesta espécie de corrida, apenas foi possível apanhar o remorso de baltazar serapião – obrigatório, depois de ler o apocalipse dos trabalhadores. Houve ainda tempo para ter a surpresa de encontrar um curioso Guia Culinário da Praia da Aguda, com os seus tradicionais pratos de peixe; na mesma estante, encontrava-se também um Guia da Medicina Tradicional da Praia da Aguda, com aqueles remédios caseiros que os mais antigos tão bem conhecem. Destes, apenas o primeiro teve o saco como destino.
Ao chegar à Leya, já em cima da hora de fecho da Feira, não houve tempo para aproveitar a promoção Leya 4, Pague 3, pelo que um regresso com mais tempo é garantido.

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