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Começar pela Barcelona de Marsé, passar pela Varsóvia de Gombrowicz e terminar por terras russas. Vai ser viagem para os próximos meses.

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[Trouxe-mo o Mário Rufino, a quem agradeço muito.]

Há dias, na Prova Oral, a conversa era entre Fernando Alvim, Xana Alves e Nuno Camarneiro. O tema, como e óbvio, foram os livros. A determinada altura, os apresentadores do programa mostraram alguma estranheza para com as pessoas que andam na rua com livros grandes. Diziam que, para quem anda de transportes públicos ou aproveita a hora de almoço para ler, o ideal eram os livros de bolso. Chegaram a afirmar que quem anda na rua com um “tijolo de papel” pretende apenas fazer uma espécie de statement, mostrar-se mais culto do que realmente é. Nuno Camarneiro não foi tão longe, mas também não contrariou. Ora, como generalização que se preze, esta ideia não falhará poucas vezes. Pessoalmente, não avalio um livro pelo tamanho: já li coisas brilhantes com menos de cem páginas em livro de bolso (A morte de Ivan Ilitch, por exemplo) e coisas bem menos interessantes com mais de trezentas páginas (Os predadores, também como exemplo). Acontece que, quando o livro é realmente bom, quando a escrita realmente prende, um livro grande consegue outro impacto, outra abrangência. Se a ideia de um livro é encadernar o mundo, a vida, fica mais fácil consegui-lo em muitas páginas. Não vejo como é que o número de páginas de um livro pode ser visto como uma demonstração de intelectualidade. Um livro desperta-me interesse por alguns motivos: autor, título, capa, sinopse ou crítica lida; nunca o número de páginas. Segundo a teoria de Alvim e Xana Alves, se um livro que me despertou interesse tiver mais de umas trezentas páginas, só porque vou ler fora de casa, devo dispensá-lo e procurar um mais cómodo livrinho de bolso? Que escolha redutora. Que teoria redutora.


[Via Pó dos Livros]

O que se lê desse lado?

Por ter levado algum tempo a ler tudo o que se foi comentando, só agora trago à baila uma discussão que já tem uns dias. Tudo começou com um post de Maria do Rosário Pedreira sobre uma crítica de José Riço Direitinho a um livro de Valter Hugo Mãe. Não, tudo começou com a tal crítica a O filho de mil homens, ou com as estrelinhas a ele atribuídas. Entre gente que leu a crítica, gente que leu o livro e gente que não leu uma coisa nem outra, a discussão conta já com 119 comentários.
Nas entrelinhas, levantam-se suspeitas, trocam-se acusações e o essencial (escrito num ou noutro comentário) fica para segundo plano:
1) A crítica literária pode partir de qualquer um (depois haverá sempre os mais capazes, os mais preparados), em qualquer situação (idade, sexo e credo),desde que tenha lido o livro em causa;
2) A crítica literária é tão mais pessoal quanto o gostar do azul e não do vermelho;
3) A crítica literária é, desde que não sirva para achincalhar ou insultar, obrigatoriamente aceitável (concorde-se mais, menos, ou nada);
3) Atribuir entre zero e cinco estrelinhas a um livro é tarefa complicada  e redutora (haverá o três que é quase quatro, o três que só é três porque é ligeiramente superior ao outro que foi dois);
4) As estrelinhas que alguém atribui a um livro só podem comparar-se com outras por si atribuídas (consequência do ponto 2);
5) As estrelinhas atribuídas a um livro de um determinado género literário não podem ser comparadas com as atribuídas a livros de outro género (até podem, mas é comparar o coiso com as calças);
6) Todos os géneros literários têm os seus zeros e cincos;
Espécie de corolário) As opiniões são como as vaginas: cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a.
Conclusão) Como referi inicialmente, levei algum tempo a ler tudo o que foi escrito a propósito do post de Maria do Rosário Pedreira. Tempo que tinha sido tão bem aplicado na leitura que tenho em mãos

É por uma paisagem destas que, desde ontem, tenho andado. Mesmo sem ter saído de casa, mesmo sem ter deixado de ir trabalhar e de cumprir com as habituais rotinas. É essa a magia de um livro.

Há mais de dois anos que aqui não deixava um Quiz. Se nos números anteriores, os temas foram sempre música e/ou cinema, desta vez é literatura. O que se pretende é que a imagem que se segue sirva para chegar ao título de um livro.

[Tão fácil como perceber que a manipulação da imagem não é o meu forte.]

E nós, quem somos?

[Via Bibliotecário de Babel, via Livreira Anarquista.]

Um dia entre praia e piscina. O suficiente para ver três Victoria Hislop, dois Paulo Coelho, dois Dan Brown e um Joanne Harris, entre outros. Parece que é o que se lê. Nada que me desperte interesse, por enquanto.

Volto à carga com os livros. Desta vez, um blogue em que são leiloados livros (umas vezes novos, por vezes até assinados, mas normalmente usados) com valores base de licitação bem interessantes. É o Déjà lu. Depois, porque as receitas apuradas dos leilões revertem inteiramente para a APPT21 (Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21) e para o Centro de Desenvolvimento Infantil DIFERENÇAS, os valores até chegam a aproximar-se dos de mercado. Fica a satisfação de poder trazer livros para casa ao mesmo tempo que se ajudam instituições de grande valia.
Há por lá livros de todos os géneros, por isso vale a pena espreitar.

[Também se podem enviar livros para leilão.]

Há em todas as estantes livros que não se dispensam – aqueles que nos disseram algo, os de autores que apreciamos. Outros há de que, por uma razão ou outra, nos conseguimos desfazer – falta de espaço, desinteresse pela temática, pelo autor. Em casos destes, a solução que mais se aproxima da perfeição é a possibilidade de trocá-los. Quem os liberta ganha espaço para outros e quem os pede terá todo o gosto em recebê-los. Foi desta forma que cheguei ao Winking Books. Foi desta forma que já enviei quatro livros e recebi três (um Céline, um Coetzee e um Ian McEwan, nada mau). Conseguem-se encontrar na plataforma livros de todo o tipo, mas é certo que quantos mais forem os utilizadores, mais completa será a oferta. É um convite que faço. Digam que vão da minha parte.

É que José Mario Silva, por muitos conhecido como Bibliotecário de Babel, vai oferecer – sim, leram bem, oferecer – umas boas centenas de livros. Bastará aparecer no Miradouro do Monte Agudo e escolher. Como gostava de saber de iniciativas semelhantes em que pudesse participar, só me restava passar a palavra. Os detalhes estão aqui. É de aproveitar.

Basta um parágrafo de Caim, o primeiro, para adivinhar que Saramago regressa com uma narrativa poderosa. O Bibliotecário de Babel fez o favor de o apresentar e, dessa forma, agravar a minha já desequilibrada equação livrosporler/tempo.

Esta semana chegou cá a casa, vinda directamente de uma área comercial sueca começada por I e acabada em A, uma prateleira para dar melhor arrumação aos livros. E num instante lá estavam eles alinhados, bem organizados. Os Lobo Antunes, os Kundera, os Updike e por aí fora. Uns lidos, outros por ler: estes últimos em vantagem, uma vez que o ritmo a que são comprados é superior ao ritmo a que são lidos – nada que desencoraje nova compra. Depois ponho-me a contemplar as lombadas e verifico que lá faltam tantos nomes: Dostoiévski, Balzac, Steinbeck, Flaubert, Tolstói, Conrad, Homero, Goethe… um sem fim deles. E não ficam lá mal outros Lobo Antunes, outros Céline, ou Cortázar.
Acho que é melhor pensar primeiro noutra prateleira.
Por enquanto, regressemos a Musil e ao seu denso homem sem qualidades.

A campanha de comemoração dos 25 anos da editora 4th Estate é “só” mais um exemplo do que a publicidade pode e deve ser. Mais de 1000 livros usados – e muito tempo e trabalho, evidentemente - para um resultado brilhante.

Ir à Fnac resulta quase sempre em compra. Ontem a regra voltou a confirmar-se. Apesar de lá ter entrado com a intenção de ir buscar um filme que há muito procuramos e que estava indisponível, voltei a casa com mais um livro. Já de saída da loja, lá me deparei com Os Ratoneiros, de William Faulkner. Depois de O Som e a Fúria, a certeza era só uma: não ficaria sem ler mais nada deste autor Americano. O único problema é que a lista de livros por ler vai aumentando e o tempo nem por isso. Para piorar a situação, já aí está o mais recente romance de António Lobo Antunes, O Arquipélago da Insónia, e é conhecida a minha fraca resistência aos seus livros – ainda que, também dele, tenha por ler alguns exemplares. O que me deixa mais satisfeito é que o ramerrame diário começa a estabilizar e, com isso, lá virá mais tempo para a leitura. Outra coisa que me deixa descansado é que os livros, estando bem arrumados, dificilmente se estragam. Valha-me isso.

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