Udo Berger, campeão alemão de wargames, parte para umas férias em Espanha, com a sua namorada. O pretexto é aproveitar o tempo para se treinar para um novo jogo, O Terceiro Reich. O hotel em que se hospedam é o mesmo em que Udo passou férias com os pais e o irmão, dez anos antes. Durante os dias passados em território espanhol, conhecem outro casal alemão, Hanna e Charly, que desaparece misteriosamente. Juntam-se à história personagens de nome tão curioso como o Lobo, o Cordeiro e o Queimado.
Os wargames acabam por se revelar uma metáfora conseguida. O campeão destes jogos de estratégia e cálculo, com todas as regras e modelos de jogo bem presentes, vê-se bem mais desorientado nuns simples dias de férias.
Bolaño volta a provar, com menos umas largas centenas de páginas do que em 2666, que é um autor primoroso. O Terceiro Reich é um livro que pede para ser lido de uma assentada. Há uma inquietação permanente que vem das atmosferas criadas pelo escritor chileno, das personagens misteriosas e retorcidas e dos acontecimentos que se vão sucedendo sem explicação.
É um descanso e uma não menor satisfação saber que a Quetzal se prepara para publicar outros títulos de Roberto Bolaño.



