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Udo Berger, campeão alemão de wargames, parte para umas férias em Espanha, com a sua namorada. O pretexto é aproveitar o tempo para se treinar para um novo jogo, O Terceiro Reich. O hotel em que se hospedam é o mesmo em que Udo passou férias com os pais e o irmão, dez anos antes. Durante os dias passados em território espanhol, conhecem outro casal alemão, Hanna e Charly, que desaparece misteriosamente. Juntam-se à história personagens de nome tão curioso como o Lobo, o Cordeiro e o Queimado.
Os wargames acabam por se revelar uma metáfora conseguida. O campeão destes jogos de estratégia e cálculo, com todas as regras e modelos de jogo bem presentes, vê-se bem mais desorientado nuns simples dias de férias.
Bolaño volta a provar, com menos umas largas centenas de páginas do que em 2666, que é um autor primoroso. O Terceiro Reich é um livro que pede para ser lido de uma assentada. Há uma inquietação permanente que vem das atmosferas criadas pelo escritor chileno, das personagens misteriosas e retorcidas e dos acontecimentos que se vão sucedendo sem explicação.
É um descanso e uma não menor satisfação saber que a Quetzal se prepara para publicar outros títulos de Roberto Bolaño.

Há umas semanas, este era um dos temas do Ípsilon. Em linhas gerais, considerava-se que se anda a escrever mais sobre sexo, mas nem sempre da melhor forma. O artigo de Luís Francisco apontava ainda uma superioridade dos brasileiros em relação aos portugueses e dos poetas sobre os romancistas. De bons exemplos nacionais, referiam-se Agustina Bessa-Luís, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Eça de Queirós, por exemplo. O tema é difícil, todos concordam. Rui Zink considerava ainda que os portugueses têm mais jeito para expressar a frustração do que o desejo. Num artigo sobre o sexo escrito, não podia faltar uma referência à surreal passagem de O Codex 632.
Não escondo que considero que o sexo na literatura é, na maior parte das vezes, escusado. A sugestão funciona sempre melhor que a descrição. Não me lembro de encontrar em alguma das obras que já li de António Lobo Antunes, um dos meus autores preferidos, uma cena de sexo. É o próprio quem o diz e explica: não é por uma questão de pudor. É que não é necessário.
Chegado ao fim de um livro, nunca me aconteceu reter uma passagem que seja de sexo. Chegado ao fim de um livro, nunca considerei que essas cenas o tornavam melhor ou pior.
Bolaño, autor que tenho lido ultimamente, não foge ao tema. Em 2666, as descrições sexuais estavam bem presentes. Delas, ficou-me a consciência de terem feito parte de um livro maior, nada mais. No recentemente editado O Terceiro Reich, que agora leio, tropecei nestas linhas:

Senti vontade de desligar e fazer amor ali mesmo. Imaginei-me, ou talvez imagine agora e é pior, a arrastá-la para o seu escritório particular, deitando-a em cima da mesa, rasgando-lhe a roupa e beijando-a, subindo para cima dela e beijando-a, apagando todas as luzes outra vez e beijando-a…

Sugestão pura. Ainda assim, sexo. O suficiente.

Como já aqui tinha feito referência, uma aposta deu-me direito a um crédito em livros. A espera pela edição de O Terceiro Reich deu-me tempo para escolher os outros, daí que a passagem pelas prateleiras tenha sido feita em tempo record.
Sem sair da América do Sul e ultrapassando em trinta e dois cêntimos o valor da aposta, acrescentei hoje três títulos às prateleiras cá de casa.

Atendendo a que Nostromo caminha a passos largos para o final, não tardarei em pegar numa destas obras.

O primeiro capítulo e o início do terceiro já se podem encontrar por aí. O livro poderá ser encontrado nas livrarias a partir de amanhã e nas prateleiras de cá de casa a partir de sábado, espero.

Fazer figura triste por uns minutos foi quanto bastou para levar de vencida uma aposta. O prémio? 50€ em livros. As escolhas não estão feitas – gostava de trazer para casa mais um Céline -, mas já tenho uma certeza: vou esperar por este.

[Obrigadinho. Vai outra aposta?]
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