O título do livro não engana e é verdade que há nestas páginas um retrato dos Estados Unidos da América pós-guerra. São muitas as alusões à terra das oportunidades, à grande potência mundial e à diversidade cultural e racial do país – as personagens de Philip Roth chocam muitas vezes com a questão do sentir-se americano. O essencial deste Pastoral americana podia, no entanto, transportar-se para outro país e para outra época. O essencial deste romance está nas ideias de família e de normalidade. Seymour Levov, o «Sueco», cresce no seio de uma família judia, é um brilhante e popular atleta universitário, dá seguimento ao próspero negócio do pai, casa com uma ex-miss e tem uma filha a quem pode proporcionar tudo. A viverem numa zona calma, afastada da cidade, os Levov levam a vida tranquila que sempre desejaram e são a imagem de uma família bem estruturada. Porém, esta tranquilidade e esta “normalidade” começam a desmoronar de um dia para o outro, à força de uma bomba. E é exactamente aqui que se põem à prova os conceitos de família e os limites do «Sueco».
Não há, neste livro, a economia de palavras que encontramos em Todo-o-mundo e em A humilhação; não há, neste livro, o humor presente em O complexo de Portnoy; aqui a escrita é torrencial, crua e dura. Pastoral Americana é um livro obrigatório, “uma bomba que conta toda esta estuporada história”.


