Archives for posts with tag: Portugal

Aconteceu esta madrugada com os Sub-20. Confesso que não segui toda a competição com a atenção devida e que alguns dos jogadores nacionais me eram mesmo desconhecidos, mas a verdade é que o jogo de ontem me deixou excelente impressão de quase todos (muitos deles, pelo menos). Mostraram atitude, espírito de sacrifício e cabeça. Mostraram futebol, também. Mika é muito seguro, Mário Rui é discreto e muito eficaz, Pelé é uma força da natureza, Nélson Oliveira (sozinho deu que fazer a três defesas de cada vez, até estourar) é mais jogador que muitas das carradas de estrangeiros que se vão buscar e Sérgio Oliveira idem. Faço ponto mas não termino, isto porque falta falar de Danilo. Havia um de cada lado e só conhecia (por força das notícias em torno da sua contratação pelo FC Porto) o canarinho. A valer apenas pelo jogo de ontem, preferia ter o português. Foi determinado e quase sempre perfeito no que fez. O quase prova que é humano e também erra, evidentemente.
Portugal jogou em alta rotação, sempre com muito querer. O Brasil foi uma equipa mais calma. Portugal perdeu porque não foi possível ter pernas para jogar da mesma forma do início ao fim. Perdeu o jogo, mas ganhou o respeito de quem os acompanhou. Ainda que as vitórias morais não interessem para nadinha, este grupo de jogadores sem tiques e manias de vedeta está de parabéns.

O Pedro Ribeiro escreveu umas linhas acerca da participação lusa no mundial de futebol. Concordo com grande parte do que escreveu, mas acho que se alongou. O essencial está aqui:

Portugal sai naturalmente da prova, mas fica aquela ideia de que podia ter feito algo mais. Marcámos golos à Coreia do Norte e a mais ninguém, só ganhámos a esta equipa, a que pior ranking tinha. Os equipamentos eram bonitos.

Portugal conquistou, com mais custo do que seria de esperar, o direito a estar entre as melhores nações do futebol no próximo mundial, na África do Sul. Em breve, terá que ser enviada à FIFA uma lista com os vinte e três nomes que representarão a equipa das quinas. Por enquanto, e devido às dúvidas em torno da condição física de Pepe, Queiroz achou por bem levar a estágio vinte e quatro jogadores.
Na baliza, estará a primeira das certezas, Eduardo. Prevenindo uma eventual lesão ou castigo, seguem também viagem Beto e Daniel Fernandes. Por forma a premiar a época e a carreira de Quim, que dificilmente entrará em contas futuras, não ficava mal dar o lugar de um destes ao guardião benfiquista.
A defesa parece ter sido a principal preocupação do técnico português, com dez jogadores chamados. Ainda assim, numa análise mais cuidada, pode-se considerar que Pepe, estando apto para a competição, será utilizado como médio defensivo, a exemplo do que vinha acontecendo nos últimos jogos da fase de apuramento. Nesse caso, seria quase certa a exclusão de uma das surpresas da convocatória, Zé Castro ou Ricardo Costa. Atendendo a que Bruno Alves e Ricardo Carvalho devem formar a dupla defensiva e que Rolando será a primeira alternativa, via com toda a naturalidade a inclusão de Daniel Carriço – apesar de não ser o Carriço que mais me agradaria lá ver – como quarto elemento para esta posição, prevendo a sua evolução e afirmação como um dos patrões futuros da equipa nacional. Nas alas, a ausência de Bosingwa vai-se sentir, uma vez que Miguel e Paulo Ferreira não serão capazes do constante movimento defesa-ataque-defesa, típico do lateral do Chelsea.Na esquerda, acredito que Queiroz dê seguimento à aposta em Duda, se bem que o encolhimento ofensivo que se verificará na direita, pela já referida ausência de Bosingwa, pudesse ser contrariado com a aposta em Fábio Coentrão, mais habituado a pisar terrenos adiantados. Quando se contam os defesas convocados, convém não esquecer a possibilidade do benfiquista e de Duda jogarem, se necessário, a extremo e médio, respectivamente. Tudo ponderado, volta a equilibrar-se o peso dos diferentes sectores na lista de convocados.
No meio campo, voltamos a Pepe. A grave lesão que o afastou de grande parte da época condicionará bastante. Apesar de não ser um jogador especialmente dotado para iniciar os movimentos ofensivos, revelou ser uma garantia de solidez defensiva, fazendo uso da sua robustez e velocidade para acorrer a todas as situações de desequilíbrio defensivo e dominando o jogo aéreo. Estando totalmente recuperado, será uma opção a ter em conta, principalmente contra adversários mais ofensivos, como o Brasil, ou de grande estatura e poder de choque, como a Costa do Marfim. Na impossibilidade de contar com o jogador do Real Madrid, há as alternativas Miguel Veloso e Pedro Mendes. Com eles, Portugal será capaz de melhores e mais rápidas saídas para o ataque, mas ficará certamente mais vulnerável. Quando Portugal precisar de atacar, o lugar deve ser de um dos dois. Os médios sportinguistas também não estranharão se tiverem que pisar terrenos um pouco mais adiantados, na zona que deverá ser de Meireles. Concorrendo ao mesmo lugar que o médio portista, surge Tiago. Pode ainda defender-se que o jogador do Atlético de Madrid é alternativa a Deco, mas a falta deste será sempre sentida, atendendo a que é, entre os escolhidos do seleccionador nacional, o único jogador realmente talhado para a vulgarmente designada posição dez. É neste terço do campo que se verifica o esquecimento por mim mais notado, João Moutinho. Via com bons olhos a troca deste por Tiago, ou Pedro Mendes. Há ainda quem defenda que Nuno Assis se poderia afirmar como alternativa a Deco. Como prémio pela boa época em Guimarães, não me custava vê-lo incluído no grupo – e caberia novamente a Tiago, ou Pedro Mendes a cedência do lugar.
Na frente, nada a dizer. Os habituais e os que, quase obrigatoriamente, tinham que ser. Face a lesões e a jogadores sem utilização durante quase toda a época (caramba, o quanto eu gosto de ver jogar Quaresma), a escolha não é muita: Ronaldo, Nani, Simão, Danny, Liedson e Hugo Almeida.
Sairão daqui os vinte e três que terão como missão abanar as redes das balizas de Costa do Marfim, Coreia do Norte, Brasil e de quem se seguir (sonhar não custa).
Concordando com umas escolhas, discordando de outras, é este o Portugal que teremos na África do Sul e é por este que teremos que puxar.

Ficou carimbada esta noite a passagem de Portugal para a fase final do Mundial da África do Sul. O jogo não foi brilhante – teve dois, três momentos dignos dessa adjectivação -, mas mostrou uma equipa concentrada e unida. O adversário, as condições do terreno e o ambiente  exigiam que se falhasse pouco, coisa que aconteceu. Na defesa moraram dois centrais acertados e destemidos nos consecutivos choques com a possante linha avançada da Bósnia. Paulo Ferreira recuperou de um jogo sofrido na Luz. O muro que há cerca de vinte anos desapareceu em Berlim bem podia ter sido Pepe. Depois, tendo havido acerto por parte de toda a equipa, há ainda lugar a uma referência individual: Raul Meireles. Inteligente, joga e faz jogar, equilibra a equipa e desequilibra o adversário. Completíssimo.
Voltando ao importante, o Verão vai ter outro interesse, com Portugal em mais uma fase final de um Campeonato do Mundo.

[Dava dez euritos para ver Džeko no meu clube.]

Portugal e Espanha deram hoje o primeiro passo para uma candidatura conjunta ao Mundial de 2018. Já há quem ache que vamos sair a perder e que, de Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos. Pessoalmente, entre juntar-me a espanhóis ou a Gilberto Madaíl, acho que não levava muito tempo a decidir. Seguro qué no!

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.