A acção de Estrela distante passa-se durante os últimos anos de governação de Salvador Allende e o golpe militar que conduziu à ditadura de Pinochet. Como acrescento histórico, no entanto, o livro faz pouco mais do que outros (recordo A sombra do que fomos, de Luis Sepúlveda). Enquanto romance, reconhece-se o traço de Bolaño, a sua capacidade narrativa e a forma de nos prender a personagens sempre interessantes e enigmáticas. Nesta obra, encontramos uma fórmula já habitual no autor chileno, consistindo a maior parte da história na procura do poeta Ruiz-Tagle (ou Carlos Wieder?). Esse já tinha sido o ponto de partida de 2666, com o alvo a ser o romancista Archimboldi, e de Os detectives selvagens, este centrado na poetisa Cesárea Tinajero. Talvez por ter estes dois últimos títulos como termo de comparação, é difícil não confessar que Estrela distante deixa a desejar. Se a ordem de leitura tivesse sido outra, talvez não houvesse motivo para este desabafo, mas a excelência das obras já citadas a isso obriga. Ainda assim, não deixa de ser um livro interessante e de leitura agradável.
O que mais incomoda neste Estrela distante é a edição pouco cuidadosa (e já não falo da capa, que descai para o piroso), que chega a desgastar com a quantidade de pequenas gralhas. Nota não brilhante, mas positiva, para Bolaño; nota negativa para a Teorema.

![Para não deixar passar em branco o dia mundial da poesia [III]](http://fragmagens.files.wordpress.com/2011/03/poema.jpg?w=460)





