Começamos por seguir a entrada de um jovem num estádio onde se disputaria uma final de basebol. As primeiras páginas de Submundo bastam para evidenciar a excelência de DeLillo, numa incrível descrição de toda a atmosfera desse encontro, no Polo Grounds. Nessa noite, com a tacada que se ouviu em todo o mundo (vídeo), Bobby Thomson deu aos Giants a vitória sobre os Dodgers. A bola perdeu-se nas bancadas, mas na obra de Don DeLillo é o jovem Cotter Martin a levá-la para casa. A partir daí, o destino da bola vai-se confundindo com as vidas dos vários personagens que vão surgindo. Durante a leitura das mais de oitocentas páginas de Submundo, vamos percebendo que a bola é um pretexto para descrever toda uma época. O desenvolvimento, a ameaça nuclear e a cultura vão moldando personalidades e condicionando relações. É pela acção do homem que o mundo se vai alterando e é pela acção desse mundo que o homem se vai moldando.
Numa obra extensa como esta, são normais as oscilações entre momentos de leitura empolgante e outros de menor interesse. Em Submundo, no entanto, estes últimos nunca se alongam em demasia.
Depois desta leitura, a restante obra de DeLillo revestiu-se de um interesse acrescido. Já editados em Portugal, também pela Sextante, podemos encontrar Ruído Branco e O Homem em Queda. Qualquer deles obrigatório. Qualquer deles questão de tempo.

