Monthly Archives: Outubro 2008

Com sequência. Consequência.

Anúncios
Com as etiquetas ,

Worlmapper

Vê o mundo de outra forma, aqui. Interessante e revelador da realidade.

[Notícia: Público]

Com as etiquetas

Porquê António Lobo Antunes?

Quando a leitura chega a tema de conversa e se atira com o nome de Lobo Antunes para cima da mesa, acaba quase sempre por haver uma linha separadora de dois grupos: os que o consideram como indispensável e dos maiores entre os homens das letras e os que dizem não conseguir ler um livro seu. Aos que facilmente se deixam levar pelas suas linhas, nada direi. Em relação aos restantes, talvez a conversa/entrevista entre Gonçalo M. Tavares e o autor de O Arquipélago da Insónia, publicada na Visão desta semana, possa servir como espécie de guia. Entre algumas considerações acerca da literatura em geral e da experiência da escrita, também foi abordada a escrita de Lobo Antunes, em particular. Gonçalo M. Tavares foi desbravando caminho, levando Lobo Antunes a dizer que ele podia dar a entrevista sozinho, por estar a dizer tudo. Pegando em algumas passagens de O Arquipélago da Insónia, o autor de Jerusalém, chegou a comparar: é verdade que nas obras de Hemingway, por exemplo, não há uma frase disparatada. Mas não há frases de impacto como estas.

Outros nomes foram abordados: (…) não vejo que seja preciso parar numa frase de García Márquez para contemplar. Acho que isso acontece com os autores mais narrativos que põem as pessoas vidradas em acontecimentos sucessivos. A leva a B, B leva a C.

De Lobo Antunes referiu o prazer da leitura enquanto leitura, o prazer local do verso. Apanhando outra frase do seu mais recente livro, conclui que é como se as palavras estivessem à procura dos acontecimentos. Esperam as palavras e espera o autor, que concordou: chego a estar duas horas à espera que aquilo venha.

Continuou a ser Gonçalo M. Tavares a explicar Lobo Antunes: muitas pessoas podem sentir dificuldade em ler porque há uma necessidade de referência. Mas aqui nunca precisamos de pensar o que é que aconteceu, o que é que vai acontecer.

Acrescento a força da palavra, a quase poesia da sua prosa e a complexidade das personagens. Mesmo assim, fica tanto por dizer.

Com as etiquetas , , ,

Numa noite, tantas noites

Com as etiquetas ,

Soirée de Poche

Uma tradução muito à letra levar-nos-ia a uma noite de bolso. Engano puro: isto nunca lá caberia.

[Terceiro concerto desta outra iniciativa da Blogothèque, onde já apareceram também Bon Iver e os Bowerbirds, por exemplo.]

Com as etiquetas , ,

O passado, afinal, está lá

Como referi na primeira entrada deste blogue, o que me trouxe até ao WordPress foi uma falha na Simplesnet. Uma não, várias: falharam os serviços e falharam as justificações ou indicações. Reparo hoje que o passado deste blogue volta a existir. Assim, tudo faz mais sentido. Passado, presente e futuro. O passado foi na Simplesnet, o presente é no WordPress e é tamém aqui que se quer o futuro. Muito por falta de apoio do anterior servidor.

Cheguei a ponderar importar todo o conteúdo do anterior espaço, mas tudo tem o seu lugar. Basta-me a segurança – haverá segurança, nisto? alguma, pelo menos – de ter tudo guardado num ficheiro, para evitar futuros “apagões”. Segue-se a actualização das colunas dos links, muito mais facilitada agora, e a recuperação de algumas – não muitas – entradas que julgue mais interessantes para esta página, como já aconteceu por uma vez.

Muito de mim, veio daquele espaço. Agora, tudo continuará por aqui, como até há instantes.

Com as etiquetas , ,

Gomorra

Enquanto vou caminhando em direcção às últimas páginas do livro de Saviano, o autor parece querer fugir daquelas que também querem tomar como as suas derradeiras páginas de vida. Sair de Itália – onde vive, ainda que em parte incerta e sob protecção constante da polícia – para viver mais descansado é o seu objectivo, ainda que o próprio saiba que a distância não arrefece os ânimos dos clãs da camorra, muito menos dos Casalesi. A força destas famílias é tanta que Roberto Saviano se mostra resistente, mas quase conformado: “O que é que posso fazer. Já não me resta nada a não ser resistir, resistir, resistir”.

A verdade é que se há razões para dizer que o Natal é quando o homem quiser, mais razões se encontram para dizer que o dia da morte pode muito bem ser quando os Casalesi quiserem.

Do meu lado, fica a vontade de que Saviano resista por muito, muito tempo. É preciso gente com essa coragem, por cá.

Com as etiquetas , ,

Infelizmente

Com as etiquetas , ,

As aparências iludem

Burn After Reading começa por ter alguns problemas: é um filme dos irmãos Coen, sucede a um galardoado No Country for Old Men e tem, se o restringirmos ao género cómico, a sombra de The Big Lebowski. Tudo isto são problemas porque, logo à partida, a expectativa é alta. Nesse sentido, é natural que se sinta a falta de alguma coisa nesta película. No entanto, sem ser um filme que – intuição minha – vá ficar para ser relembrado durante muito tempo, é um trabalho interessante.

Chad Feldheimer, monitor de ginásio interpretado por Brad Pitt, diz a certa altura da trama que appearances can be… deceptive. Pois o filme anda muito em torno dessas aparências… e dessas decepções. Um cd perdido que contém dados que parecem ser de grande importância, relações que aparentam ser normais e uma série de mal entendidos que se afiguram como sendo partes de um crime premeditado e bem delineado, mas para os quais não se encontra lógica ou explicação. Erro atrás de erro, chegamos à definição do enredo, pelas próprias palavras do superior da CIA encarnado por J.K. Simmons: what a clusterfuck!

Por fim, todas as voltas do filme vão dar à sempre presente vontade de Linda Litzke – colega de Chad no ginásio e na chantagem que a descoberta do cd origina, interpretada por Frances McDormand – se submeter a umas dispendiosas intervenções cirúrgicas. Tudo em nome da mudança de aparência.

Longe de ser a obra dos Coen, Burn After Reading é uma despretensiosa e agradável hora e meia de cinema.

Com as etiquetas ,

Em poucas palavras [porque serão sempre insuficientes]

Um mês de vida nova e uma vontade cada vez mais intensa de a viver. Obrigado.

Andrew Bird – Oh No

Outubro ainda vai no início, mas já há excelentes notícias musicais para o começo de dois mil e nove. De Antony and The Jonhnsons já tinha falado; chega a vez de falar de Andrew Bird, que tem previsto o lançamento de Noble Beast, sucessor de Armchair Apocrypha, para Janeiro. Para já, fica o single, Oh No. Para começar o ano a assobiar.
[Passada uma semana da data de publicação, é possível que o ficheiro áudio fique indisponível.]
Com as etiquetas , , ,

E tempo?

Ir à Fnac resulta quase sempre em compra. Ontem a regra voltou a confirmar-se. Apesar de lá ter entrado com a intenção de ir buscar um filme que há muito procuramos e que estava indisponível, voltei a casa com mais um livro. Já de saída da loja, lá me deparei com Os Ratoneiros, de William Faulkner. Depois de O Som e a Fúria, a certeza era só uma: não ficaria sem ler mais nada deste autor Americano. O único problema é que a lista de livros por ler vai aumentando e o tempo nem por isso. Para piorar a situação, já aí está o mais recente romance de António Lobo Antunes, O Arquipélago da Insónia, e é conhecida a minha fraca resistência aos seus livros – ainda que, também dele, tenha por ler alguns exemplares. O que me deixa mais satisfeito é que o ramerrame diário começa a estabilizar e, com isso, lá virá mais tempo para a leitura. Outra coisa que me deixa descansado é que os livros, estando bem arrumados, dificilmente se estragam. Valha-me isso.

Com as etiquetas , , , , ,

Days with My Father

Tudo o que posso escrever sobre este trabalho – que terá saído muitas vezes desse simples conceito – de Phillip Toledano é que é qualquer coisa de sublime. Consegue fazer alternar uma tristeza quase esmagadora com a mais verdadeiro dos sorrisos.

[Via: Dias úteis]

Com as etiquetas , ,

The Big Picture

A página descreve-se como news stories in photographs. Qualquer coisa como notícias em fotografias, numa tradução quase à letra. Ou vice-versa, complementa o Gomez, que me apresentou o site através de um e-mail.

Vale a pena espreitar.

Com as etiquetas

Há azuis difíceis de esquecer

Com as etiquetas ,

Da luta

É importante que tenhas um tiro certeiro. Importante mas insuficiente, grande parte das vezes. Escolhe alguém para ir à luta contigo. Alguém com a mesma certeza no disparo, de preferência. Que fique a teu lado quando estiverem debaixo de fogo cerrado, que não recue ao primeiro sinal de insegurança, que não se renda a qualquer demonstração maior de força. Escolhe alguém que te dobre o braço sobre o seu pescoço e carregue contigo para um lugar seguro, no caso de seres atingido. Alguém capaz de tudo isto mas, primeiramente, alguém por quem estejas disposto a fazer o mesmo.

[Post publicado na anterior localização deste blogue, a 18 de Maio de 2006.]

Com as etiquetas

Antony and the Johnsons – Another World

O álbum que sucede a I Am a Bird Now chega no início do próximo ano. Entretanto, já durante este mês, sairá o EP com o título deste tema. Só há voz e piano; o vídeo veste a tranquilidade da música. Para quem espera ansiosamente por The Crying Light, saberia sempre a pouco.

[Mais uma música nova, The Great White Ocean, na animação Fallen Shadows da Prada, aqui.]

Com as etiquetas , , , ,

Não há fome que não dê em fartura

Da última vez que nos lembrámos sobrou tempo  para ir ao cinema, voltámos pelo mesmo caminho sem entrar na sala. Não havia nada que nos parecesse interessante. Agora, por muito tempo que consigamos arranjar, nunca será suficiente para tanta, tanta, tanta oferta.

Com as etiquetas

Meia dúzia de linhas acerca de um desastre anunciado

O jogo de ontem, frente aos ingleses do Arsenal, chegou para tirar as dúvidas: por muito que custe, o FC Porto não tem pedalada para aquelas andanças. O treinador não é um génio, as saídas de jogadores vêm sendo mal colmatadas, o plantel é quase todo muito igual, sem espontaneidade, sem capacidade de surpreender. Para consumo interno, a ver vamos para o que dá; lá para fora, dará para pouco mais que a qualificação para os oitavos – se der.

[Esta é uma das coisas em que não me importava nada de estar redondamente enganado.]

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: