Monthly Archives: Maio 2009

O prometido é devido [já cantava o outro]


Andrew Bird – Natural Disaster, Theatro Circo

[Com o patrocínio do Código de Barras, onde se pode encontrar o vídeo de Fitz and the Dizzyspells.]

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Camada a camada

Andrew BirdDesta vez sem a companhia de Martin Dosh e Jeremy Ylvisaker, Andrew Bird chegou a Braga com a simplicidade e a genialidade que lhe são características e foi construindo os seus temas camada a camada: os sons arrancados à guitarra e ao violino – muitas vezes dedilhado, como se de uma guitarra se tratasse – iam sendo gravados e postos  em loop, para logo depois lhes serem acrescentados outros. Ao violino e à guitarra, juntava-se o inevitável assobio. Por vezes, o Bird  substituía a bateria de Dosh, marcando o tempo com palmas. Também em loop. Como se gerir tudo isto fosse simples, o músico de Chicago prefere que o considerem um escritor de canções. De facto, as histórias que nos conta – e que teve a amabilidade de explicar, tema a tema – estão mais que ao nível da sua interpretação. Os génios não são difíceis de identificar; percebemos quando estamos diante de um mesmo sem fazermos por isso. Assim acontece com Andrew Bird. Por ser um multi-instrumentalista dotado, pela sonoridade sempre original, pela facilidade em descobrir histórias e contá-las de forma quase literária, quase filosófica e pela forma segura como se arrisca em cada tema.
Ontem, Bird trouxe a palco temas do mais recente Noble Beast, mas dispersou a quase toda a sua discografia, chegando mesmo a The Swimming Hour, quando tocou Why?, música que disse tocar em quase todos os concertos desde há uns sete anos, sem se conseguir cansar dela. Houve Action/Adventure, uma versão muito despida e inesperada de Cataracts e o obrigatório A Nervous Tic Motion of the Head to the Left. Não é minha intenção – nem tenho memória para isso – registar o alinhamento do concerto, mas destacaria ainda o tema final: o músico revelou que tinha em mente terminar com Section 8 City, por gostar do seu final, mas o púlico pediu Tables and Chairs; Andrew acedeu ao pedido, sem  antes impor como condição que o auditório cantasse uma parte do tema. Assim aconteceu. Assim terminou a noite. Assim ficou a sensação de que o homem pássaro cá voltará e a certeza de que tudo farei para o voltar a ver.

[Assim que possível, para dar uma leve ideia do que se passou no Theatro Circo, deixarei por aqui um pequeno vídeo.]
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Da unicidade

Amanhã pode aparecer alguém na tua vida. Amanhã podes-te apaixonar.
Tens razão. Seria simples, até: bastava que fosse alguém como tu. Tão simples quanto isso.
(…)
Bastava que fosse alguém como tu. Tão difícil quanto isso.

[A minha forma de te dizer que és única.]
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A história da Manuela e do Marinho [o mais recente êxito da blogosfera]

Dos posts em destaque na plataforma WordPress em Português, mais de meia dúzia levam ao vídeo da entrevista de Manuela Moura Guedes a Marinho Pinto. Acredito que toda a gente queira ver o que há muito tempo estava para acontecer – alguém dizer umas quantas à dita jornaleira -, mas o youtube está aí para isso e o país, julgo, não terá parado. A história da Manuela e do Marinho é o mais recente êxito da blogosfera. Mais do que dos próprios.

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B Fachada – O ciúme e a vergonha

Um fim-de-semana no Pónei DouradoB é a fachada de Bernardo, autor, cantor e multi-instrumentlista. Define a sua música como folque(lore) muito erudito e canta histórias quotidianas. Neste seu mais recente trabalho, há temas que nos falam de fufas e de violência doméstica [não lhe deixes pôr-te a mão, ai tu impõe-te ó Conceição, em Conceição], de vidas duplas [não sabia que a Soraia, à noite no hotel, escondia debaixo da saia um trunfo vil e cruel, em Soraia], de maridos que se ausentam [o tempo abandonou-as mal capadas, unidas ambas pelo longo cativeiro, viram uma noutra a salvação, em Habituais] e até de Frank Zappa [a ver se me torno de vez, no Frank Zappa Português , em Zappa Português]. No meio de todo este pluralismo, deixo aqui uma história de ciúme e de vergonha.

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Quiz [VII]

Ao sétimo quiz, fugimos às habituais bandas sonoras. Desta vez, o desafio é chegar ao álbum a que pertencem estas palavras:

Se vais jogar até morrer, habilitas-te a perder.

Trata-se do mais recente álbum de um artista também recente e será o alvo da próxima entrada.

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O outro mundo de Antony

Another World é o título do EP que precedeu The Crying Light e o que melhor define um espectáculo de Antony and the Johnsons. Outro mundo. Um mundo onde os pés parecem não tocar o chão, onde a atmosfera é mais leve e mais respirável. Nessa leveza e no silêncio a que somos remetidos, a voz de Antony rasga espaços e encontra-nos em partes que nós próprios desconhecíamos ter. Ontem, no Coliseu do Porto, isto voltou a acontecer. Apesar de considerar que I Am a Bird Now tinha uma força que este último trabalho não consegue ter a não ser em dois/três temas, dificilmente alguém dirá que este concerto lhe passou ao lado. Impossível não destacar o acerto dos Johnsons, os quatro finais diferentes de Fistful of Love e o fecho do concerto, com Hope There´s Someone. Em sentido contrário, dispensavam-se metade dos considerandos políticos e religiosos e a totalidade das intervenções do público – os marry me, os i love you e os discos pedidos. Neste particular, o concerto de 2006 no Theatro Circo, esteve noutro patamar. Ainda assim, grande noite.

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Amanhã

[Nesta página está o vídeo que me agradava aqui deixar, mas que não consegui.]
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Um charuto e um Porto

Arturo Sandoval foi uma das presenças da edição deste ano do Matosinhos em Jazz. No início de um grande concerto – já depois de Maria Anadon ter estado em palco -, o cubano disse que era a primeira vez que vinha ao Porto e que isso não era coisa que se fizesse. Uma tortura, segundo o músico que há muitos anos se rendeu aos prazeres de um vinho do Porto. De Cuba, o tabaco; do Porto, o vinho. Perfeito, como a sonoridade de Sandoval.

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Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Eternal Sunshine of the Spotless MindOntem, a RTP1 transmitiu um filme que vi com cinco anos de atraso. Um filme acerca das pequenas coisas do amor, das marcas que nos deixam, da força com que se vão revestindo. Recordações do primeiro encontro, das situações mais embaraçosas, das mais banais, até. A imperfeição humana, a facilidade com que nos sentimos perdidos; a identidade e aquilo com que nos identificamos; as diferenças e a dificuldade que, muitas vezes, temos em aceitá-las. Um grande filme quotidiano.
O título vem de um poema de Alexander Pope (How happy is the blameless vestal’s lot!/ The world forgetting, by the world forgot./ Eternal sunshine of the spotless mind!), o argumento é de Charlie Kauffman e a direcção de Michel Gondry. O elenco conta com o melhor Jim Carrey que vi, com Kate Winslet, Mark Ruffalo, Elijah Wood e Kirsten Dunst. Quem ainda não viu, não deve esperar muito tempo para o fazer.

[Há algumas referências a este filme como sendo uma comédia. Custa-me entender.]
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IV

Tetra Ontem, mais uma noite se pintou de azul. Não tem sido raro. Com menores, ou maiores dificuldades, o FC Porto tem conseguido afirmar-se como a mais forte equipa de futebol em Portugal, nos últimos anos. Já vimos treinadores de características completamente diferentes sentados no banco, com as mais diversas abordagens ao jogo e já por aquele relvado passaram jogadores de todo o tipo. Em comum, a razão deste sucesso: a mentalidade vencedora, passada como testemunho dos Dragões mais antigos para os mais recentes. Este ano não fugiu à regra. Se de Bruno Alves já se conhecia a impetuosidade colocada na disputa de cada lance, a forma de subir ao terceiro andar para ganhar bolas, já de Rolando não se esperava tamanho acerto; se de Lisandro já se conhecia o espírito guerreiro, a garra interminável, de Rodríguez não se contava com registo semelhante, com a forma como, depois de atacar, recupera para defender; se de Lucho e Meireles já se sabia que eram capazes de comandar uma equipa a partir do centro do terreno, de Fernando não se podia exigir que desse o equilíbrio que veio a dar; se a Fucile já se reconheciam qualidades na lateral, para Cissokho e Sapunaru olhava-se de lado; depois há Hulk, que chega a precisar de uma bola só para ele e se torna numa real promessa, há um Farías por quem quase não se dá conta, mas lá levou a água ao seu moinho. Podia continuar a enumerar casos. A qualidade de todos estes jogadores não pode ser desprezada, mas mentalidade que adquirem ao chegar  ao Dragão exponencia-a. A próxima temporada trará, certamente, saídas e entradas. Se entre as saídas não se encontrar a mística portista, o mais certo é esta entrada repetir-se.

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Quiz [VI]

O tema que abaixo se apresenta faz parte da banda sonora de um filme de 2004. Aceitam-se apostas.

Resolvido: Eternal Sunshine of the Spotless Mind, de Michel Gondry
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Suposições [e consequentes disposições]

Suponhamos que, numa semana de trabalho já de si apertada, alguém te pede para preparares x e y. Suponhamos que x até se trata com alguma celeridade, mas que y te leva toda uma tarde. Suponhamos que, terminada essa tarefa, te pedem para deixares x disponível em determinado local e, solícito, aproveitas para perguntar se não é para lá deixar também y. Suponhamos que te respondem que y não é necessário e que, supostamente, foi pedido por engano. Era coisa para se ficar maldisposto, suponho.

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DM Stith – Thanksgiving Moon

Foi um amigo – que tem um blogue mas se esquece disso – que me chamou à atenção para este trabalho de estreia de DM Stith. Com as suas raízes familiares quase todas mergulhadas na música, David começou por seguir um rumo diferente. No entanto, a genética pode ter alguma coisa a dizer nestas questões e Stith num instante se viu no mesmo meio em que cresceu. Diz-se que não há fantasmas e crê-se que, havendo, não seriam pesados. Mas, com este Heavy Ghost, Stith não tem pretensões a nada de místico. Fica-se pelo metafórico. Coisa a descobrir em doze temas. Por aqui, fica Thanksgiving Moon.

[Mais temas, vídeos e informações disponíveis, aqui.]

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