Monthly Archives: Julho 2009

In the mood for love

Por razões insondáveis da minha mente, nos últimos dias tenho lembrado In the mood for love, de Wong Kar-Wai. O filme está carregado de imagens que funcionam como autênticos poemas e a música sublinha-lhes essa dimensão. Recordo algumas cenas com facilidade, mas nem todas encontro como queria. Ainda assim, consegue-se encontrar a enigmática cena final, em Angkor Wat.

Antigamente, quando alguém tinha um segredo que não queria partilhar, fazia um buraco no tronco de uma árvore, murmurava o segredo para esse buraco e cobria-o com lama. Wong Kar-Wai reinventa esta fórmula e dá um final brilhante a uma história de amor proibido.

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Um outro

Um OutroDepois de uma leitura demorada, uma leitura feita quase de um fôlego. Assumindo forma de diário, Um outro é um registo de passagens de vida de Imre Kertész e das mudanças que elas provocaram na sua identidade. A crónica de uma metamorfose, como o subtítulo bem define. Auschwitz, a vida e a morte são as marcas mais fortes das cerca de cem páginas que compõem este livro. Tendo Kertész trabalhado como tradutor, muitas são as referências a alguns autores, como Kafka, Wittgenstein e até mesmo Pessoa. Sempre com os mesmos assuntos em mente. A metamorfose sente-se de tal forma que o autor chega a escrever que o próximo passo será indiferente, uma vez que já não será ele a dá-lo.

Depois de Um outro, também o leitor é outro.

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O homem sem qualidades I

O homem sem qualidades ITalvez o livro que mais tempo me levou a ler e certamente o que mais me fez sair da cápsula que é o corpo – como Ulrich, o personagem principal desta obra de Musil, considerava. Aí surgem as perguntas. Muitas. Questiona-se a realidade, a possibilidade, a alma, a razão, a moral, o todo e as partes. O primeiro dos três volumes desta obra – o último dos quais com edição prevista para este ano, ainda – passa-se nos anos anteriores à I Guerra Mundial e decorre em torno da realização de uma «Acção Paralela», designação escolhida para as celebrações do aniversário dos 70 anos de reinado do imperador Austro-Húngaro Franz Joseph. A Áustria e as situações políticas e sociais são outros dos temas que Ulrich aborda mais insistentemente.
Um livro denso e trabalhoso, mas muito compensador.

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Jeff Buckley numa improvável versão de Elton John

Jodi Picoult escreveu o livro e Nick Cassavetes adaptou-o para cinema. Refiro-me a My Sister´s Keeper, que não li e não vi. O título ter-me-ia passado ao lado – quer em livro, quer em filme – não fosse a tal improvável versão de We all fall in love sometimes, interpretada por Jeff Buckley. O tema é parte integrante da banda sonora do último trabalho de Cassavetes, onde também surgem os nomes de Regina Spektor, Priscilla Ahn, Edwina Hayes e Pete Yorn, entre outros.
Encontrado o filme, diria que para além da voz de Jeff Buckley, só descubro nele mais uma coisa capaz de me despertar a atenção: Abigail Breslin, a simpática menina de Little Miss Sunshine.

[A quem interessar, a estreia do filme em território nacional está prevista para Setembro.]
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João Bonifácio, a hora de ponta do Ípsilon e o «ombro do cão»

Não me lembro de ver no Ípsilon uma crítica com tantos comentários. Obra de João Bonifácio, que escreve uns parágrafos acerca de um dos muitos festivais de música que marcam o Verão nacional. Não perdi – nem perco – grande tempo com a forma como o texto é apresentado, tendo-me contentado com uma leitura na diagonal. O crítico, nota-se bem, não gostou do que viu e não gostou do que ouviu. Nota-se também que tem pouca simpatia pelos artistas que compunham o cartaz do referido festival. Está no seu direito. Uma crítica é sempre subjectiva, encontre ela maior ou menor aceitação. Quando muito, errou o Ípsilon ao enviar João Bonifácio para fazer uma crítica que se sabia ter grandes hipóteses de ser negativa ainda antes de ser conhecida.
Já li neste suplemento muitas críticas com que concordei e muitas outras com que discordei. De certeza que algumas delas seriam de João Bonifácio, mas a atenção que lhes dispenso não chega para conhecer as inclinações e preferências do jornalista.
Pior que os excessos e antipatias de uma crítica é a falta de um mínimo de rigor. Pior: a capacidade de arrastar um entrevistado para esse mesmo erro. Novamente obra de Bonifácio, à conversa com Camané. Isto sim, vale a pena espreitar.

[O Ípsilon continua a ser uma das minhas leituras preferidas, servindo em muito para ir tomando conhecimento das novidades artísticas e dando o espaço que poucos outros dão a alguns dos meus artistas/autores preferidos.]
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Feels like home

Sem ordem específica a não ser começar e acabar em ti, tentei trazer ao topo desta página todos os que me são mais próximos. As limitações de espaço obrigaram a deixar de fora algumas pessoas que também ali ficavam bem e espero que a memória não me tenha levado a esquecer de quem não devia – acontece quase sempre.
O blog sempre foi meu, mas hoje sinto-me mais em casa.

[A ideia veio da cabecinha do costume; eu só tive o trabalho.]
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Dos sorrisos

Um dia chamam-te e fica mais fácil perceber.

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16 de Julho de 2004

Na wordpress há muito menos, mas Fragmagens há cinco anos – lembrou-mo o Bloganiversário. A quem por cá vai passando, um obrigado. São uma das razões deste vício e seria um engano não o admitir. Ambos: o vício e as suas razões.

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A gaiola das loucas [breves notas]

Peça – La Féria volta a conseguir um bom entretenimento e um espectáculo capaz de despertar os sentidos. Apesar disso, Jesus Cristo Superstar continua a estar no topo das minhas preferências, entre os musicais do encenador.

Talento – José Raposo mostrou o que já tinha mostrado em Um violino no telhado e muito mais. A peça foi a ideal para exteriorizar todas as capacidades do actor. Muito do mérito de A gaiola das loucas está em José Raposo. A minha vénia.

Marufas – pelo menos isso Rita Ribeiro terá comprado. É que parece mais nova que há dez anos.

Marufas II – em primeira fila e quase totalmente expostas. Ao ponto de os músicos trocarem muitos sorrisos a propósito delas.

Loucas – muitas estavam em palco, como era anunciado, mas a maior, quanto a mim esteve nas primeiras filas, de écharpe e mala Louis Vuitton.

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A mais pequena sala de cinema do mundo

Há três anos conheci a mais pequena sala de cinema do mundo. Ou então, foi o sentimento que explodiu em mim nesse dia que me deu essa sensação.

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Para quem julgava que não havia aqui espaço para uma música de Beyoncé

Antony Hegarty, debaixo de umas luzes que lhe conferem a natureza etérea que a sua voz sempre evidenciou.

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Ainda os 30

Retomo o post anterior para voltar a agradecer o dia que ontem me foi proporcionado. Se todas as sms e todos os telefonemas foram importantes, reunir a parte nuclear da família num jantar surpresa foi perfeito. Só alguém com uma capacidade de dar pouco habitual era capaz de se lembrar e de preparar uma coisa assim. Só pessoas muito especiais me podiam fazer sentir como senti. Deixando as lamechices de parte, não posso deixar de dizer, ao estilo futebolístico de Arcozelo, soindes os maiores!

[Para que conste e para que não se pense o contrário, as prendas também foram excelentes. Mas o jantar…]
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30

Não sinto grande diferença em relação aos outros dias, a não ser os telefonemas, as sms que já recebi, os muitos post-its espalhados por casa e o incrível pequeno-almoço. No fundo, é quem me rodeia que faz deste meu dia, igual a tantos outros, um dia especial. Muito obrigado.

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Kaki King [à descoberta]

Foi através de um convite para o seu concerto no Theatro Circo que ouvi falar de Kaki King pela primeira vez. Antes de aceitar, fui procurar saber mais alguma coisa. Guitarrista e singer-songwriter; primeira mulher a ser nomeada Guitar God, pela Rolling Stone. Para aceitar, bastou. Entretanto, a descoberta tem sido gradual e só se consumará em Braga, quando Kaki subir ao palco.
Como penitência, terei que aqui deixar o vídeo de Yellowcake, tema de …Until We Felt Red, o seu terceiro álbum.

Para quem quiser conhecer um pouco melhor as razões da sua nomeação para Guitar God, é espreitar sem receios.

[Obrigado, Pessoa.]
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