Monthly Archives: Setembro 2009

O manual dos inquisidores

O manual dos inquisidores Numa altura em que está para chegar às prateleiras de todas as livrarias o último romance de António Lobo Antunes, Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?, recuo a uma obra que há muito sentia necessidade de conhecer. O 25 de Abril, os períodos pré e pós revolução e todas as alterações sociais daí decorrentes estão espelhadas nas muitas vozes que constituem as quase quatrocentas páginas de O manual dos inquisidores.
Como em tantos dos seus livros, a história completa-se pelas histórias particulares de cada uma das personagens. Cada uma delas tem as suas recordações, os seus medos e anseios e em cada uma delas a revolução se dá de forma distinta.
Dificilmente se conseguirá ficar indiferente a este romance, que quase nos obriga a viver entre as suas capas, como o autor gosta que aconteça. Por isto e pela habitualmente invulgar – habitual em Lobo Antunes e invulgar nos nossos dias – capacidade de escrita, O manual dos inquisidores tornou-se naquele que considero o mais conseguido trabalho do autor – importa referir que ainda  me faltam ler muitos – e uma referência obrigatória nas minhas leituras.

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Fight

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Outono fora de tempo

Dizem-me que caiu uma folha.
Mas o raio do Outono não começa só a vinte e um?
Dizem-me que caiu uma folha e que tenho de concordar que isso já se adivinhava, que o pecíolo já se mostrava enfraquecido. Não é a primeira a cair. A tantas outras já aconteceu o mesmo e a todas as outras acabará por acontecer. Umas cairão sem aviso prévio e outras amarelecerão até que se perceba que está na hora. De uma forma ou de outra, custa sempre. De uma forma ou de outra, nunca era isso que se queria.
E não adianta pensar no vinte e um de Setembro.
Fosse isso um capricho do querer e caberiam todas as folhas numa só árvore. As que já caíram e as que ainda estão para surgir.
Umas quantas folhas pesam alguma coisa que seja impossível de suportar por uma árvore?
Dizem-me que caiu uma folha. Amarelada, soltou-se e deu três voltas sobre si, antes de tocar o chão. O chão onde outras folhas já caíram. Mesmo antes de vinte e um de Setembro. Mesmo depois de vinte e um de Dezembro.
Este é um Outono sempre fora de tempo.

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Telling stories

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o remorso de baltazar serapião

o remorso de baltazar serapiãobaltazar, aldegundes, brunilde, teodolindo, ermesinda, dom afonso e teresa diaba são algumas das personagens de uma história medieval. as crenças desse tempo em que deus e o diabo eram resposta para tudo juntam-se a uma história de amor, traição e violência. em o remorso de baltazar serapião estão ainda evidentes as dificuldades que uma mulher sentia numa época em que apenas lhe cabiam obrigações. esta regressão no tempo tem grande parte do seu sucesso explicado pelo cuidado com que valter hugo mãe escolheu cada palavra, cada expressão utilizada. tendo conhecido e tecido os primeiros elogios a este autor aquando da leitura de o apocalipse dos trabalhadores, é também recuando na sua bibliografia que encontro forma de lhe multiplicar os louvores. de tão original história e tão cuidada edição, esta obra não merece que se lhe falte em atenção.

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The Black Atlantic – Fragile Meadow


[Via Slowcoustic]

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Esquecidos e unidos pelo tempo

Esquecidos e unidos pelo tempo

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Idiotas

IdiotasNão ter lido nada de Dostoiévski é uma das minhas falhas que o tempo se encarregará de corrigir. Só pelo autor – uma vez que desconhecia por completo Nekrosius e a sua companhia -, a decisão de marcar presença na abertura da nova temporada do Teatro Nacional S. João justificava-se. A peça estende-se por mais de cinco horas e  termina sem deixar ninguém indiferente. Com o passar do tempo, a história vai-se intensificando e consegue momentos incríveis. As personagens – principalmente o Príncipe Míchkin – obrigam-nos a uma reflexão, a uma introspecção. De repente, encontramos em nós um bocado de cada uma delas. O amor e o ódio andam muito próximos. O bem, o belo, a razão e todos os seus contrários também. Nekrosius fez da minha vontade de ler Dostoiévski outra coisa: uma inevitabilidade.
O Teatro Nacional S. João abre a temporada da melhor forma possível.

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Definição insuficiente

Dizer que um ano são 365 ou 366 dias nem sempre é suficiente. Fazer as contas em sorrisos é errar por menos. Obrigado por este ano.

Dos debates

Todos debateram com todos. Nenhum escapou aos comentários dos inúmeros analistas – tão poucos a saberem governar e tantos catedráticos na opinião. De tudo o que ouvi, registo o mais que verdadeiro há sempre um vencedor e um vencido: se não tenho a menor ideia de quem terá sido o vencedor, tenho quase a certeza de que o vencido será o eleitor. Oxalá possa estar enganado.

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Kings of Convenience – Freedom and its owner

Declaration of dependenceCinco anos depois de Riot on an empty street, o duo de Bergen edita o seu terceiro álbum de estúdio, Declaration of dependence. Com lançamento previsto para início de Outubro, está também garantida uma passagem de promoção do trabalho por palcos nacionais, a 2 e 4 de Novembro, no Theatro Circo de Braga e no Coliseu de Lisboa, respectivamente.
Para que custe menos a espera pelo álbum, deixo por aqui Freedom and its owner.

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S/T

S/T

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South Africa 2010

Um mundial não é só futebol.

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Diário de um mau ano

Diário de um mau anoPor encomenda do seu editor, um escritor famoso começa a reunir as suas opiniões sobre temas da actualidade – do terrorismo, à pedofilia, passando pela política e pela música. Atendendo à sua idade, ou com essa desculpa, acaba por recorrer ao serviço de uma atraente jovem para dactilografar as suas impressões.
Entre o ensaio e a ficção, J.M. Coetzee divide a narrativa em três partes: as opiniões encomendadas para edição e a narrativa, na primeira pessoa, pelas vozes do escritor e da jovem por si contratada.
Uma abordagem original, que resulta num livro de leitura agradável. Suficiente para despertar o interesse nas anteriores obras deste Nobel sul-africano.

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O futebol está onde houver uma bola

O futebol está onde houver uma bola

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S/T

Ilhéu das Rolas

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Love

Love

Um dos doces do Ilhéu das Rolas.

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