Monthly Archives: Outubro 2009

S/T

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Rédea curta

Por saber da sua grande paixão por cavalos, precipitou-se num longo monólogo em que lhe falou de tudo o que sabia sobre estes animais. Referiu o cavalo de Tróia, não deixando de fazer um rigoroso enquadramento histórico; achou interessante falar nos cavalos de Napoleão e nos seus feitos; ainda conseguiu abordar os mitológicos cavalos alados. Não teve tempo para mais. Percebendo onde aquela conversa pretendia chegar, ela atalhou:
– Tira o cavalinho da chuva.

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Horse Feathers

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História de encantar

Decidi que ia aprender a montar a cavalo no preciso momento em que soube que ainda acreditavas em príncipes encantados.

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Palavras de areia

Palavras de areia

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Saramago, Caim e a igreja

Se Saramago não fosse um excelente escritor, seria certamente um excelente publicitário.

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A culinária na literatura

Esta receita chama-se: couves-de-bruxelas com limão. Tomem nota, por favor. Ingredientes para quatro pessoas: 800 gramas de couves-de-bruxelas, o sumo e a casca de um limão, uma cebola, um ramo de salsa, 40 gramas de manteiga, pimenta-preta e sal. Prepara-se da seguinte maneira. Um: limpar bem as couves e retirar as folhas exteriores. Picar finamente a cebola e a salsa. Dois: numa panela com água a ferver e sal cozer as couves durante vinte minutos ou até estarem tenras. Depois escorrer bem e tapar. Três: numa frigideira untada com manteiga refogar ligeiramente a cebola, acrescentar a casca ralada e o sumo do limão e temperar com sal e pimenta a gosto. Quatro: juntar as couves, misturar com o molho, refogar uns minutos, salpicar com a salsa e servir enfeitadas com rodelinhas de limão.

2666, Roberto Bolaño
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Espécie de ensinamento político

A democracia termina nos partidos: a militância partidária implica que se abdique do cérebro e, como ser acéfalo que se aceitou ser, se diga amém ao que o partido decidir.

[Válido para PS, PSD, PP, CDU…]
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Teatro anatómico

No dia em que eu te conseguir falar com o coração, espero que sejas toda ouvidos.

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Este blogue não consegue estar muito tempo afastado do seu génio

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Ponto final, parágrafo

Basta um parágrafo de Caim, o primeiro, para adivinhar que Saramago regressa com uma narrativa poderosa. O Bibliotecário de Babel fez o favor de o apresentar e, dessa forma, agravar a minha já desequilibrada equação livrosporler/tempo.

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Tem uma actriz e não é uma novela [mas quase]

O badalado, mas não recente, episódio de Maitê Proença já teve mais linhas do que merecia. Ainda assim, não resisto a acrescentar mais algumas. É que, bem vistas as coisas, a verdadeira anedota do tal vídeo acaba por ser a própria Maitê: na era da informação global, a actriz e escritora não foi capaz de adivinhar que os mesmos meios que tão bem divulgam as suas novelas e livros iriam, mais ano menos ano, trazer até este lado do Atlântico os seus dislates. Só isso.

[Termino com “só isso” porque muitas respostas ao vídeo, com insultos baseados na generalização, são mais ridículas que o pretensioso humor inteligente da Maitê.]
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Da vida real

De que é que trata a experiência?, perguntou Rosa. Qual experiência?, disse Amalfitano. A do livro pendurado, respondeu Rosa. Não é nenhuma experiência, no sentido literal da palavra, disse Amalfitano, a ideia é de Duchamp, deixar um livro de geometria pendurado à intempérie para ver se ele aprende umas quantas coisas da vida real.

2666, Roberto Bolaño
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Noah and The Whale – Our window

The First Day of SpringEscreveu-se algures – garanto que li, apesar de já não recordar onde – que The First Days of Spring é um dos melhores discos dor de corno do ano. A explicação começa na separação de Laura Marling e Charlie Fink. O resto vem agarrado às canções, em forma de sofrimento, de saudade e de perdão (you have only let me down, but my door is always open, em My door is always open). João Bonifácio, na sua habitual crítica no Ípsilon, consegue descobrir no álbum qualquer coisa de Micah P Hinson e de The National. Um ouvido atento é obrigado a concordar. Por aqui, vou deixar Our window, mas este trabalho merece que se lhe dispense uma atenção maior.

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Perspectivas

Perspectivas

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A posta nas apostas

Depois de muitas e muitas apostas, o Nobel da literatura acabou por ser entregue a Herta Müller, escritora que não me lembro de ver incluída por ninguém na lista de favoritos ao prémio. Se na edição passada ainda houve quem apostasse em Le Clézio, julgo que desta vez a academia conseguiu a surpresa, aquele que parece ser o objectivo dos últimos anos – pode ser exagero meu, mas até consigo imaginar os loirinhos membros da academia a rirem de contentamento com isso. Não me admirava que a estratégia dos candidatos às próximas edições do Nobel passasse por atirar com todos os nomes possíveis para as casas de apostas, deixando de fora o seu. Tivesse eu meia dúzia de linhas publicadas e era o que fazia.

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Nobel da literatura

Uma vez que a data de divulgação do Nobel da literatura se aproxima e que a blogosfera já se agita em torno disso (aqui, aqui, aqui e aqui, só como exemplo), talvez não fique mal abrir também aqui as apostas. A exemplo do Tiago Sousa Garcia, inclino-me para Roth. Não que o meu voto (a tê-lo) fosse para o autor de Indignação, mas por há muito o continente americano estar arredado da lista de vencedores. Outros nomes prováveis são Mário Vargas Llosa e Joyce Carol Oates, de quem, por desconhecimento, nada posso dizer.
Tivesse eu lugar na academia sueca e António Lobo Antunes ou Kundera seriam nomes prioritários.

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Raposas rápidas à solta

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Nato [Epílogo noutra voz]

Desde a primeira sessão de terapia que te topei. És uma réplica fiel do que eu fui um dia, convencido de que ninguém tinha nada de útil a dizer-me, de que já sabia tudo o que havia para saber.
(a falar por falar, a ouvir por ouvir)
Desde que te apresentaste
     Olá, sou o Valter, tenho 35 anos e consumo desde os 17.
que te percebi as mesmas desculpas, a mesma dificuldade em entender que o problema estava em ti e que se o problema estava em ti, a solução só podia estar em ti. Imaginei-te a pensares nas mesmíssimas coisas em que pensei, a imaginar uma mulher e até um filho, ou uma filha.
(atirar para os ombros de alguém a responsabilidade de um estado que nos foge ao controlo)
Eu que tempos depois pude comprovar que não podia haver engano maior. Eu que nos primeiros tempos até me vi livre deste pesadelo, fui feliz, tive uma filha. Pude comprovar que não havia engano maior assim que a minha mulher decidiu tomar outro rumo e me vi retomar o que anteriormente seguia.
Estaremos aqui enquanto nos enganarmos.

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Valter [Introspecção]

Se um dia tivesse encontrado alguém, uma mulher disposta a passar todos os dias comigo e a aceitar-me com as minhas falhas, a ter paciência comigo, a não desistir ao primeiro problema. Ou ao segundo, uma vez que me conheço e sei que ia errar mais que isso. Se pelo menos daí tivesse nascido alguma coisa, talvez encontrasse fora de mim a força necessária para me livrar desta droga de que nem com outra droga me livrei.

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