Da saudade

Um homem solitário caminha a passos largos para a saudade. Na ausência da companhia de todos os dias, volta sempre aos mesmos  lugares, para fazer as mesmíssimas coisas. Nesta repetição, procura o que não tem naquele momento. Agasalha-se e desce à praia. Esquece-se por momentos do vento que o despenteia e encontra nos barcos do costume motivos para mais umas fotografias. Antes de lá chegar já sabia que ia encontrar o Os Dragões, em óbvios tons de azul e branco, o Irmãos Unidos, o Herança de Deus e o Estrela da Noite. Enquanto o frio não chega aos ossos, por ali anda de máquina em punho.
(fossem as fotografias como os antigos cromos de futebol, e teria centenas delas para trocar. repetidas)
Imagina as histórias que cada um daqueles barcos já deve ter para contar, dias de mar cão, noites de rezas e lágrimas. Também noites de faina grande, de praia cheia ao amanhecer. Hoje são pouco mais que uma dezena na areia e uma meia dúzia a fazer-se às vagas. Respeita aquele espaço mesmo sem ter experimentado essa difícil existência salgada.
A saudade pode ser coisa crónica, mas naquele lugar é Aguda.

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7 thoughts on “Da saudade

  1. Que texto delicioso! Lindo, lindo, lindo… q a escrita te continua a sorrir.

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  2. Menphis diz:

    Texto maravilhoso amigo. Uma bela homenagem à tua terra 😉

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  3. Gomez diz:

    Aguda?! Terra com nome de apeadeiro. Já agora chamar “barco” a umas “chalandrazecas” é um bocado execessivo!
    O jovem, sim senhor, escreve bem, mas tem que ter cuidado com os exageros.
    Se quiseres posso arranjar maneira de ires à lota ou ao Porto de Leixões, e aí sim, tirares foros a verdadeiros barcos de pesca a sério (traineiras, arrastões, etc).
    Abraço

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    • Helena diz:

      Há apeadeiros bem mais interessantes que grandes estações!
      Informo-o que a significação de barco é embaracação de madeira ou de outro material,de pequenas dimensões,sem cobertura, impulsionado pela força dos remos ou a motor que pode transportar pessoas ou coisas.

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      • Carriço diz:

        O Sr. Gomez é conhecido aqui da gerência e escreve assim da boca para fora. Até porque, veja-se bem, passou na Aguda uns dias de praia que lhe devem ter valido pelos últimos anos a banhos em Matosinhos. 🙂

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    • Carriço diz:

      E que tal aqueles dias de praia no apeadeiro?Maravilha que nem sempre na Tunísia… 😛
      Quanto à pesca a sério, não tem tanto a ver com o barco, mas sim com o homem.

      Abraço

      PS – Temos de combinar qualquer coisa para o próximo fim-de-semana, então. E não, não falo de ir à lota.

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      • Gomez diz:

        Os dias até foram jeitozinhos. Tirando o trânsito das ruas estreitas, a falta de estacionamento, a ventania, o mau serviço da esplanada (a tua mais que tudo foi obrigada a comer a salada de atum que não pediu!!). Valeu pela companhia….

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