Monthly Archives: Dezembro 2009

2009 em imagens

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Do azar

Há uma fase na vida em que esta abranda de forma nítida, como se hesitasse entre continuar ou alterar o seu rumo. É possível que nesta fase seja mais fácil o azar vir ao nosso encontro.

A portuguesa e outras novelas, Robert Musil
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Três sintomas, uma explicação

Sintomas: actividade reduzida do blogue, pouco tempo de leitura e dores do ombro ao pulso direito.

A explicação.

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A decade with Duke

Em Abril deste ano, a Eau Claire Memorial Jazz I convidou Justin Vernon para participar num concerto de angariação de fundos para a escola. O dinheiro serviria para financiar a participação do grupo na Essentially Ellington Competition and Festival at Jazz. Entre alguns clássicos, foram tocados também dois temas que Justin lançou enquanto Bon Iver – Lump Sum e For Emma. A escolha do músico convidado não foi obra do acaso, uma vez que este era o guitarrista da Eau Claire Memorial Jazz I aquando da primeira participação do grupo na já referida competição, em 1999. Agora, o concerto está também disponível (aqui e aqui, por exemplo) em CD. A decade with Duke, numa alusão aos dez anos de envolvimento na Essentially Ellington Competition, tem Justin Vernon a cantar temas famosos e já cantados por Ella Fitzgerald, como Bewitched, Miss Otis regrets e Rocks in my bed. Ao todo, são oitos temas que incluem os dois já referidos originais de Bon Iver.
A exemplo do que aconteceu com o concerto, os lucros do disco serão para a Eau Claire Memorial Jazz I.
Deixo aqui, para despertar o interesse, dois temas: um de Bon Iver – Lump Sum – e um que já teve as vozes de Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Rufus Wainwright, and so onBewitched, Bothered and Bewildered, nesta versão abreviado para Bewitched.
Lump Sum

Bewitched

Já sem Justin Vernon, a Eau Claire Memorial Jazz I conseguiu no mês passado o terceiro lugar na Essentially Ellington. A quem interessar, sua participação está documentada em vídeo, aqui.

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Para amanhã, para o fim-de-semana e para o resto do ano

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Brinca na areia [ou espécie de metáfora futebolística]

Foi feliz na primeira finta que fez e tornou-se num brinca na areia. Teve que ser infeliz muitas mais vezes para perceber que um passe para trás também pode ser importante.

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Mil grous

Nesta breve obra de Yasunari Kawabata, a cerimónia do chá serve como pano de fundo a todas as sequências narrativas. A chanoyu – maneira estilizada de preparar chá com água aquecida num braseiro de carvão (nota da edição, p.9) – concentra muita atenção nos pormenores, desde os recipientes usados para a água, a concha, as tigelas, aos gestos utilizados. Em toda a cerimónia há uma ideia de delicadeza e sensibilidade que se estendem à escrita de Kawabata. Dessa forma, uma história que envolve um jovem, duas amantes do seu falecido pai, a filha de uma destas mulheres e uma aprendiz da outra, consegue ser mais emocional que física. Os espaços e as acções são apenas meios para atingir o que mais parece interessar ao autor, os sentimentos. Da relação entre as cinco personagens já referidas surgirá este Mil grous.
A ave que dá nome a este livro, o grou (tsuru, em japonês), é símbolo de longevidade, felicidade, fidelidade e boa sorte por terras nipónicas. Esta simbologia, a personagem da bonita rapariga que transportava um lenço com o padrão dos mil grous e o final da história revelam que talvez até esses pequenos pormenores tenham sido levados em conta por Kawabata aquando da escrita deste livro.
Sem deslumbrar pela escrita, esta obra acaba por ser uma interessante viagem aos costumes e à cultura do Japão.

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A capella

[Shara Worden, dos My Brightest Diamond, numa versão a capella de Be My Husband, de Nina Simone.]
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2666

Bolaño e o seu 2666 têm andado nas bocas do mundo. O hype criado em torno deste livro serviu para dar a conhecer o autor a muitos – grupo no qual me incluo – e deixar outros de pé atrás. Terminadas as mais de mil páginas do romance, é caso para garantir que não há razões para a reacção dos últimos. Almafitano, professor de filosofia e uma das personagens de 2666, diz a certa altura que já ninguém se atreve com as grandes obras, imperfeitas, torrenciais, as que abrem caminho no desconhecido. Escolhem os exercícios perfeitos dos grandes mestres. Ou, o que é a mesma coisa, querem ver os grandes mestres em sessões de treino de esgrima, mas nada querem saber dos combates a sério, nos quais os grandes mestres lutam contra aquilo, esse aquilo que nos acobarda e verga, e há sangue, feridas mortais e fetidez (p.267). E é isto que acontece com este romance de Bolaño, uma obra que, ao querer chegar a tudo, se torna obrigatoriamente imperfeita. Mas não há dúvida que entre as capas de 2666 se encontra muito do que somos.
O livro divide-se em cinco partes – que, a pedido de Bolaño e contra aquilo que sempre pretendeu, estiveram para ser editadas separadamente, a fim de tentar rentabilizar mais a obra e deixar a família em melhor situação financeira – que acabam por ter um qualquer ponto comum. A parte dos críticos, a parte de Almafitano, a parte de Fate, a parte dos crimes e a parte de Archimboldi. Os primeiros iniciam uma busca desenfreada pelo último, o jornalista norte-americano Fate desloca-se ao México para cobrir um combate de boxe e acaba por se interessar pelos crimes – talvez a parte que se torna mais repetitiva, levando a julgar algumas páginas dispensáveis – e também Almafitano fará parte desta teia que une as cinco partes aparentemente independentes do romance.
Não sendo um livro fácil, é claramente um livro recomendável.

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Da dor

I talk before I think, you shoot before you know who’s in your line of fire. So somehow we’re the same, we’re causing people pain.

Rule My World, Kings of Convenience
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Amor extenso

Aos seus mais de noventa anos, atirou-os para trás das costas. O amor, esse, carrega-o ainda em sonhos.
Sonhei com o teu avô. Tinha casado com outra mulher.
O amor e o ciúme. Para lá da idade.

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Amor [por] extenso

Pediram-lhe que escrevesse a maior frase que lhe fosse possível. Começou-a com nome de mulher e ainda não fez uso do ponto final.

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M. Ward [ou uma guitarra também canta]

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Chris Garneau – The Leaving Song

Houvesse uma música para o abandono e The Leaving Song, de Chris Garneau, seria uma forte candidata. O tema faz parte do segundo e  mais recente álbum do músico americano, El Radio, e não é aconselhável a quem tiver tendências depressivas. Nada de estranhar, quando se sabe que o abandono – no sentido de partida, não de desleixo – anda de braço dado com a tristeza, a melancolia e a depressão, no pior dos casos.
Engana-se, no entanto, quem julgar que o álbum mantém este registo. Há uma pop ligeira em temas como Dirty Night Clowns, há qualquer coisa de Beirut, de folclórico, em No More Pirates e há o natural seguimento de Music For Tourists em muitos outros.

[Para quem pretende conhecer melhor Garneau, aconselho passar pelo vídeo que me deu a conhecer este músico de Brooklyn. Uma versão de Between The Bars, do mítico Elliott Smith.]

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Aguda [ou tentativa de ilustrar a entrada anterior]

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