Mil grous

Nesta breve obra de Yasunari Kawabata, a cerimónia do chá serve como pano de fundo a todas as sequências narrativas. A chanoyu – maneira estilizada de preparar chá com água aquecida num braseiro de carvão (nota da edição, p.9) – concentra muita atenção nos pormenores, desde os recipientes usados para a água, a concha, as tigelas, aos gestos utilizados. Em toda a cerimónia há uma ideia de delicadeza e sensibilidade que se estendem à escrita de Kawabata. Dessa forma, uma história que envolve um jovem, duas amantes do seu falecido pai, a filha de uma destas mulheres e uma aprendiz da outra, consegue ser mais emocional que física. Os espaços e as acções são apenas meios para atingir o que mais parece interessar ao autor, os sentimentos. Da relação entre as cinco personagens já referidas surgirá este Mil grous.
A ave que dá nome a este livro, o grou (tsuru, em japonês), é símbolo de longevidade, felicidade, fidelidade e boa sorte por terras nipónicas. Esta simbologia, a personagem da bonita rapariga que transportava um lenço com o padrão dos mil grous e o final da história revelam que talvez até esses pequenos pormenores tenham sido levados em conta por Kawabata aquando da escrita deste livro.
Sem deslumbrar pela escrita, esta obra acaba por ser uma interessante viagem aos costumes e à cultura do Japão.

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2 thoughts on “Mil grous

  1. VagaMundos diz:

    A Anabela faz tsurus muito lindos 🙂 Uma potencial prenda de Natal para ela 🙂
    Abraço

    Gostar

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