Monthly Archives: Fevereiro 2010

Festival para Gente Sentada

A reencarnação podia ser a melhor forma de explicar o que Callahan (a fotografia é cortesia da minha fotógrafa preferida) traz ao palco, uma vez que este nos canta estórias com a voz que imaginamos ser de uma velha figura, sentada a um canto de um saloon. A essa voz cavernosa, juntou-se a sua guitarra, juntaram-se as letras bem ordenadas de muitos dos seus temas e um baterista competentíssimo.
Na primeira noite desta edição do Festival para Gente Sentada, os primeiros a subir ao palco foram Matt Valentine e Erika Elder. A sinceridade obriga-me a dizer que foi uma actuação sofrível, apenas abrilhantada pela participação de um terceiro elemento, que é certamente o músico mais azarado que já vi: nos dois temas em que participou, conseguiu meter água três vezes.
Seguiu-se um muito mais profissional Perry Blake. Piano e voz foram o suficiente para esquecer um mau início. Deste músico, o pouco que conhecia era Ordinary Day e mais umas coisas ouvidas à pressa no Youtube. O último tema que Perry Blake cantou, Folks don’t know, acabou por ser o que mais gostei.
A noite terminou como comecei este post. Hoje, o festival continua com um cartaz bem mais equilibrado, mas ia-me custar ter perdido Bill Callahan.

[De referir que a blogosfera esteve em peso no Cine-Teatro António Lamoso. Foi porreiro rever uns e conhecer outros.]
Anúncios
Com as etiquetas , , ,

O Terceiro Reich

O primeiro capítulo e o início do terceiro já se podem encontrar por aí. O livro poderá ser encontrado nas livrarias a partir de amanhã e nas prateleiras de cá de casa a partir de sábado, espero.

Com as etiquetas ,

Aquecimento para a noite de sexta [II]

Com as etiquetas , ,

pec, pec, pec… pec, pec… pec…

Não, não é a chuva a cair lá fora, é a sigla que está na ordem do dia.

[Alguém ensine ao nosso primeiro uma nova, por favor]
Com as etiquetas ,

Aquecimento para a noite de sexta [I]

Love is the king of the beasts, and when it gets hungry it must kill to eat

Eid Ma Clack Shaw, Bill Callahan
Com as etiquetas ,

Do necessário mas insuficiente

Conheceram-se através de uns amigos, durante um jantar, e a atracção foi imediata. Ainda essa noite se iniciava, já eles descobriam que o corpo precisa do corpo. Algum tempo depois, ia a noite a meio, e já eles verificavam que ao corpo não basta o corpo.

Com as etiquetas ,

Do amanhã

[Do álbum Lost Channels.]
Com as etiquetas , ,

Das manchas

You left a lovestain on my heart and you left a bloodstain on the ground, but blood comes off easily

Lovestain, José González
Com as etiquetas ,

Da descoberta pessoal

Dois filmes que aparentemente seriam diferentes em tudo, são afinal semelhantes no essencial. Em ambos há um homem que, depois de mais de meia vida vivida, se começa a descobrir verdadeiramente. No primeiro, Jack Nicholson interpreta o papel de Warren Schmidt, recém-reformado e recém-viúvo que se vai descobrir graças ao apadrinhamento de uma criança africana e às cartas que lhe vai enviando, num exercício introspectivo; em The Visitor, Richard Jenkins assume o papel de um professor e autor de vários livros, também viúvo, que se vai encontrar através do conhecimento de outra cultura e dos problemas dos outros. Em registos completamente diferentes e de formas diferentes, tanto um como outro percebem que a diferença se faz nos pequenos gestos e a satisfação se tira dos pequenos prazeres. Não custa assim tanto deixar uma marca no mundo em que vivemos, não custa assim tanto fazer a diferença e, em grande parte dos casos, não é assim tão difícil encontrar motivos para se ser feliz.

Com as etiquetas ,

Dr. House #2

[Série 2, Episódio 2]
Com as etiquetas

Where the wild things are

Fizeram-me chegar às mãos a adaptação cinematográfica do clássico infantil de Maurice Sendak, Where the wild things are. Do filme, poderia dizer que aborda muitos dos problemas da infância, como os medos e a procura pela atenção. Podia dizer que é um ensaio sobre a forma de as crianças contornarem as disfuncionalidades e contrariedades familiares e podia dizer que, no final, e apesar de tudo isso, acaba por ser um elogio à família.
Estas palavras chegam com atraso em relação à data em que vi o filme, uma vez que só agora consegui tempo para dar a devida atenção à sua banda sonora – recebida na mesma altura em que recebi o filme -, que só por si as justificaria. É, a par da fotografia, o que mais se destaca, nesta adaptação de Spike Jonze. A cargo de Karen O and the Kids, onde se incluem membros dos Liars, dos Yeah Yeah Yeahs e dos Deerhunter, a banda sonora acaba por ser a grande força  do mundo imaginário criado pelo jovem protagonista. Como pequena amostra, deixo Worried shoes, que fala de erros e passos mal dados. Quem não cresceu assim?

[Obrigado, Gomez]
Com as etiquetas , ,

Das apostas

Fazer figura triste por uns minutos foi quanto bastou para levar de vencida uma aposta. O prémio? 50€ em livros. As escolhas não estão feitas – gostava de trazer para casa mais um Céline -, mas já tenho uma certeza: vou esperar por este.

[Obrigadinho. Vai outra aposta?]
Com as etiquetas , ,

Da paixão

Era um homem arruinado em todos os sentidos, mas um homem possuído pela paixão não estará nunca falido.

Nostromo, Joseph Conrad
Com as etiquetas ,

B Fachada – Tempo para cantar

Chama-se Bernardo, mas esconde quase todo o nome atrás do B, fachada para o seu projecto musical. Depois de uma série de Ep’s e do álbum Um fim-de-semana no Pónei Dourado, o ano de 2009 terminou com o lançamento de um outro álbum, homónimo, de B Fachada. Se as rádios ainda vão passando Estar à espera ou procurar, não queria que esperassem ou procurassem muito para conhecer mais alguma coisa deste seu último trabalho. Volta-se a cantar a tradição portuguesa e volta-se a conseguir fazê-lo sem ter que ser demasiado sério. Sempre folque(lore).
Tempo para cantar fala de má fama e do vazio que esta traz à cama. Entre outras coisas. Tempo para ouvir.

[Entrada editada para correcção do título do primeiro álbum, confundido com o do Ep anterior. Obrigado ao Menphis pelo toque.]

Com as etiquetas ,

Café Central #5

Um passeio gastronómico para os lados de Cantanhede, na companhia de bons amigos, proporcionou mais um Café Central para a colecção. É o quinto.

Com as etiquetas ,

Jeff Buckley – Everybody Here Wants You

[Já custava a ausência desta voz nesta página.]
Com as etiquetas ,

Da vida terrena

– Já não sei se conseguia viver na cidade, no meio do trânsito e da confusão. Vivo numa espécie de céu.
– Para viver no céu tenho eu mais que tempo.

Com as etiquetas

a Singer of Songs – Road to nowhere

O Slowcoustic é já um habitual fornecedor musical desta página. Desta feita, encontrei por lá este projecto de Lieven Scheerlinck, a Singer of Songs. Radicado em Espanha – não parece que por lá nascido, pelo nome -, o músico tem em Old happiness o seu último trabalho. Com Elliott Smith e Will Oldham entre as suas referências, Scheerlinck teria que ser um contador de histórias. Neste Road to nowhere, faz-se acompanhar da voz feminina de Tiny Ruins. Para ir descobrindo.

Com as etiquetas , ,
%d bloggers like this: