Monthly Archives: Março 2010

Noah And The Whale – Blue Skies

[Hoje, um post que li no O Escafandro fez-me voltar a este disco. Em boa hora.]
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Do tempo. Ou da história. Melhor: do brilhantismo de Arenas.

A História recolhe a data de uma batalha, os mortos que ilustraram a mesma, quer dizer, o evidente. Estes temíveis memoriais resumem (e bastante) o fugaz. O efeito, não a causa. Por isso, mais do que na História, procuro no tempo. Nesse tempo incessante e diverso, o homem é a sua metáfora. Porque o homem é, afinal, a metáfora da História, a sua vítima, mesmo quando aparentemente procure modificá-la e, segundo alguns, o faça. Em geral, os historiadores vêem o tempo como algo linear na sua infinitude. De que provas se dispõe para demonstrar que assim é? Com o elementar raciocínio de que mil e quinhentos é anterior a mil e setecentos, ou que a guerra de Tróia foi anterior à decapitação de Maria Antonieta? Como se ao tempo interessassem para alguma coisa tais signos, como se o tempo soubesse de cronologias, de progressos, como se o tempo pudesse avançar…

Reinaldo Arenas, O Mundo Alucinante
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Ó meu Porto da eterna mocidade…

É uma pena que tenham interrompido Rui Pedro Soares, aquando da sua audição pela Comissão de Ética. Já o estava a ver, empolgado, a fazer de Maria Amélia Canossa.

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Cadáver Precisa-se – Inútil sem experiência

Título, capa e sinopse juntaram-se para me convencer a pegar neste livro. Milton Fornaro, escritor uruguaio que desconhecia até esse momento, dá vida a um peculiar detective, que caracteriza como um ser obscuro, perverso e traiçoeiro, a quem só interessa obter vantagens, livrar a pele e salvar-se, ainda que a salvação para ele passe exclusivamente pelo dinheiro. Apesar de se encontrar nos antípodas do que eu considero o ser humano ideal, os Ramon Mendoza existem. Estou convencido que os leitores portugueses encontrarão algum parentesco com um qualquer filho da puta que conhecem.
Desde as primeiras linhas do livro que este retrato se vai ajustando à figura do dissimulado Mandoza. No final, no entanto, percebe-se que o detective é personagem um pouco mais complexa. O homem que segue os passos dos outros, lhes controla e recria os movimentos, aproveitando-se de tudo para encher os bolsos, paradoxalmente, nunca teve o controlo da sua própria vida e acaba por se ver maniatado. Os seus poucos prazeres são os copos e as vidas dos outros.
Cadáver precisa-se é um livro ligeiro, de leitura rápida, que só no final consegue deixar uma marca diferenciadora.

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Quando uma questão de justiça…

… passa a gozo.

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Antony and the Johnsons – Rapture

Inevitável repetir Antony nesta página. Como inevitável é o arrepio ao ouvir este Rapture.

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Se eu podia passar bem sem divulgar isto?

Podia, mas não era a mesma coisa.

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O Terceiro Reich

Udo Berger, campeão alemão de wargames, parte para umas férias em Espanha, com a sua namorada. O pretexto é aproveitar o tempo para se treinar para um novo jogo, O Terceiro Reich. O hotel em que se hospedam é o mesmo em que Udo passou férias com os pais e o irmão, dez anos antes. Durante os dias passados em território espanhol, conhecem outro casal alemão, Hanna e Charly, que desaparece misteriosamente. Juntam-se à história personagens de nome tão curioso como o Lobo, o Cordeiro e o Queimado.
Os wargames acabam por se revelar uma metáfora conseguida. O campeão destes jogos de estratégia e cálculo, com todas as regras e modelos de jogo bem presentes, vê-se bem mais desorientado nuns simples dias de férias.
Bolaño volta a provar, com menos umas largas centenas de páginas do que em 2666, que é um autor primoroso. O Terceiro Reich é um livro que pede para ser lido de uma assentada. Há uma inquietação permanente que vem das atmosferas criadas pelo escritor chileno, das personagens misteriosas e retorcidas e dos acontecimentos que se vão sucedendo sem explicação.
É um descanso e uma não menor satisfação saber que a Quetzal se prepara para publicar outros títulos de Roberto Bolaño.

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Uma semana de bimby

Já houve cozido à portuguesa, rolo de bacalhau com broa, esparguete de frango, leite creme, mousse de chocolate, limonada, granizado de champanhe, pizza, sorvete de frutas, brigadeiros… sem falhas, até ao momento.

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O sexo na literatura

Há umas semanas, este era um dos temas do Ípsilon. Em linhas gerais, considerava-se que se anda a escrever mais sobre sexo, mas nem sempre da melhor forma. O artigo de Luís Francisco apontava ainda uma superioridade dos brasileiros em relação aos portugueses e dos poetas sobre os romancistas. De bons exemplos nacionais, referiam-se Agustina Bessa-Luís, José Cardoso Pires, Eugénio de Andrade e Eça de Queirós, por exemplo. O tema é difícil, todos concordam. Rui Zink considerava ainda que os portugueses têm mais jeito para expressar a frustração do que o desejo. Num artigo sobre o sexo escrito, não podia faltar uma referência à surreal passagem de O Codex 632.
Não escondo que considero que o sexo na literatura é, na maior parte das vezes, escusado. A sugestão funciona sempre melhor que a descrição. Não me lembro de encontrar em alguma das obras que já li de António Lobo Antunes, um dos meus autores preferidos, uma cena de sexo. É o próprio quem o diz e explica: não é por uma questão de pudor. É que não é necessário.
Chegado ao fim de um livro, nunca me aconteceu reter uma passagem que seja de sexo. Chegado ao fim de um livro, nunca considerei que essas cenas o tornavam melhor ou pior.
Bolaño, autor que tenho lido ultimamente, não foge ao tema. Em 2666, as descrições sexuais estavam bem presentes. Delas, ficou-me a consciência de terem feito parte de um livro maior, nada mais. No recentemente editado O Terceiro Reich, que agora leio, tropecei nestas linhas:

Senti vontade de desligar e fazer amor ali mesmo. Imaginei-me, ou talvez imagine agora e é pior, a arrastá-la para o seu escritório particular, deitando-a em cima da mesa, rasgando-lhe a roupa e beijando-a, subindo para cima dela e beijando-a, apagando todas as luzes outra vez e beijando-a…

Sugestão pura. Ainda assim, sexo. O suficiente.

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Dr. House #3

[Série 2, Episódio 19]
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James Vincent McMorrow – Follow You Down To The Red Oak Tree

Um Domingo de sol pede música, por isso aqui fica um tema do mais recente trabalho do músico irlandês James Vincent McMorrow, Early in the morning. Alguém que refere como influências nomes como Otis Redding, Joan Baez, Band of Horses, Nina Simone, Bob Dylan, Arcade Fire, The National, Will Oldham e Sam Beam, entre outros, dificilmente poderia ser uma desilusão.
Por aqui vai ficar a rodar Follow you down to the red oak tree, mas pode-se ficar a conhecer melhor este último álbum de McMorrow no seu MySpace.

[Novamente com o patrocínio do Slowcoustic.]
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Bem-vinda

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Nostromo

Nostromo, personagem do romance com o mesmo nome, é a imagem perfeita do pessimismo que se diz típico de Conrad. Este homem, destemido e admirado por todo o imaginário território de Costaguana, o incorruptível capataz dos cargadores, até nas suas qualidades consegue revelar algo de negativo. Nascido na Polónia e depois radicado em Inglaterra, Conrad parte para a escrita desta obra depois de uma história que ouviu numa das suas expedições – o autor foi também mestre marinheiro. Contava-se então que um homem teria roubado um barco carregado de prata, durante uma revolução. Anos depois, Conrad voltaria a encontrar esta história num velho livro que leu. Mas Nostromo não é apenas a história de um roubo, é uma impiedosa caracterização humana, um ensaio sobre o que a riqueza material é capaz de fazer no homem. É também uma história de amor e de ambição. Esta obra é uma história da beira-mar, como diz o seu subtítulo, e do mar sempre se diz ser incerto. Como o homem e como este Nostromo.

[No final do livro, percebem-se as potencialidades desta narrativa – não sendo o livro tão narrativo quanto isso – para uma adaptação ao cinema. Curiosamente, venho a descobrir que David Lean, cineasta responsável por clássicos como A Ponte do Rio KwaiDr. Jivago, morreu sem concretizar esse desejo.]

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Dragão é dragão

Se estamos cá para as horas boas, temos de cá estar para as horas más. E se a noite do FC Porto em Londres, ontem, foi muito má, outras houve que nos deixaram eufóricos.
A verdade é que o actual plantel tem 2/3 jogadores capazes destas andanças de Liga dos Campeões, tem outros 2/3 com capacidade de por lá andarem sem comprometer, mais uns 2/3 jogadores para consumo interno e um grupo dos quais se podem fazer três subgrupos: o dos que servem como alternativa, o dos que são jovens e têm potencial e o dos que nem sequer se percebe como chegaram ao Dragão -muitos, infelizmente. Ao leme destes homens, está um treinador que já ganhou muito e ao qual se tem que estar agradecido, mas que continua a demonstrar um medo que não é compatível com a imagem do clube. Nestas alturas, a responsabilidade toca a todos e os dirigentes não escapam impunes, até porque a política de contratações que gera um plantel como o acima referido passa pelas suas mãos. Espero que tudo isto venha a ser corrigido, que as comissões deixem de falar mais alto que o real valor dos jogadores, que ao mercado voltem os que não têm qualidade para a camisola azul e branca e que dele apenas venha quem for capaz de fazer a diferença em campo. Os restantes, que venham da formação e dos recentes empréstimos.
Enquanto isso não acontece , é aguentar de cachecol ao pescoço e sem deixar de apoiar. Até porque nos jogos mais recentes – e nos próximos ainda mais, certamente – a equipa tem jogado sobre brasas.

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Da conduta

Uma transgressão ou um crime, penetrando na existência humana, devoram-na como um tumor maligno, consomem-na como uma febre.

Nostromo, Joseph Conrad
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Dez minutos de Bon Iver

[É difícil trazer este homem a um palco nacional?]
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Uma ciência [pouco] exacta

Andam anos e anos a vender a ideia de que a matemática é uma ciência exacta. Às vezes, tenho as minhas dúvidas.

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A tal aposta

Como já aqui tinha feito referência, uma aposta deu-me direito a um crédito em livros. A espera pela edição de O Terceiro Reich deu-me tempo para escolher os outros, daí que a passagem pelas prateleiras tenha sido feita em tempo record.
Sem sair da América do Sul e ultrapassando em trinta e dois cêntimos o valor da aposta, acrescentei hoje três títulos às prateleiras cá de casa.

Atendendo a que Nostromo caminha a passos largos para o final, não tardarei em pegar numa destas obras.

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Bill Callahan – Bathysphere

[Depois de muitas tentativas falhadas e de algumas conversões – que resultam numa menor qualidade -, cá está um bocadinho do que esta dupla fez em Santa Maria da Feira.]
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