Monthly Archives: Abril 2010

Horse Feathers – Belly of June

Depois de Words Are Dead (2006) e House With No Name (2008), os Horse Feathers quiseram manter o ritmo produtivo e lançaram recentemente o seu terceiro trabalho, Thistled Spring.
A voz de Justin Ringle e a predominância das cordas continuam a ser a identidade do grupo de Portland. Uma passagem pelo seu MySpace permitirá conhecer o excelente Cascades. Por aqui, deixo Belly of June, que a editora Kill Rock Stars disponibiliza para download gratuito.

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S/T

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Caim

Por altura do lançamento de Caim, muito foi dito e escrito sobre a mais recente obra de inspiração bíblica de Saramago. O próprio autor terá tido consciência de que umas considerações provocatórias poderiam trazer à ribalta este seu título e, bem ou mal, foi o que aconteceu: o Nobel português apareceu em horário nobre a falar de um Deus rancoroso e comparando a Bíblia a um manual dos maus costumes; rapidamente as televisões se encheram de reacções por parte da igreja e não só. Para as vendas, interessou que Caim andou nas bocas do mundo. E se o Saramago vendedor se mostrou competente, do Saramago escritor essa era qualidade que já lhe conhecíamos e vimos confirmada.
Só a ingenuidade levará a que se faça uma leitura literal dos textos bíblicos. Daí que Caim, saído das mãos de um ateu confesso, nos apresente uma interpretação mais crítica e incisiva de algumas célebres passagens da Bíblia. Esperar outra coisa é que seria estranho. As pouco menos de duzentas páginas deste livro são, assim, uma chamada de atenção para o que de pior se pode retirar da leitura dessas passagens. Aborda-se o sacrifício pedido a Abraão, passa-se pela arca de Noé, pela destruição de Sodoma e das muralhas de Jericó, numa sucessão de histórias que, todos sabemos, começa no pecado original. A leitura de José Saramago faz por destapar um Deus autoritário, mau e até vingativo.
Deixando de parte as interpretações bíblicas, importa referir que o escritor português continua a saber agarrar o leitor e conduzi-lo por uma narrativa bem construída. O efeito surpresa das primeiras páginas vai-se desvanecendo à medida que a leitura vai avançando, o que acaba por ajudar a prever algumas das situações depois criadas. Não é, no entanto, motivo para deixar de considerar Caim uma obra interessante.

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Dos cromos

Os velhinhos cromos da bola da Panini também souberam acompanhar os tempos.

[Se bem que, como nos livros, o formato em papel tenha outro encanto – cá por casa há até quem já tenha pedido a caderneta.]
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Chinesices

Só numa loja de chineses podiam aceitar que pagasse 5.90€ desta forma.

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Do futuro

Ao contrário do que costuma dizer-se, o futuro já está escrito, o que nós não sabemos é ler-lhe a página.

José Saramago, Caim
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Breve história

Afinal, as coisas com o Hulk não foram tão simples como se esperava. Das cinco vacinas em cinco dias, passámos para quase dez dias no veterinário e sofrimento sucessivo. Não merecia passar por mais e despediu-se.
Foi uma história breve, mas sempre recordada. Desde as corridas e saltos que dava, às maravilhosas recepções que fazia, com repetidos círculos à volta dos nossos pés.

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A sombra do que fomos

Na década de setenta, o Chile passou por alterações políticas que levaram Pinochet ao poder. Com este general, chegaram também tempos de maior autoritarismo e severidade. Numa palavra, a ditadura, que consta como o período mais violento da história deste país. O exílio foi a solução para muitos dos que, de outra forma, teriam a vida ameaçada. Em A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda reúne três homens que, regressados do exílio e descontentes com o que voltaram a encontrar, preparam um acto revolucionário. A este pequeno grupo deveria juntar-se um quarto homem, um especialista no tipo de acções que pretendiam levar a cabo. Um desentendimento entre um casal acabaria por complicar estas contas. Num retrato das mudanças que se operaram no Chile e nos chilenos desde o regime de Pinochet, o autor não procura o rigor ou a imparcialidade do que na história deve ficar escrito, optando por tomar o partido de quem deixou de se identificar com o seu país. Desta forma, e fazendo uso do humor que empresta às personagens e à própria narrativa, Sepúlveda toca na ferida sem dramatizar.
A simplicidade e objectividade da escrita fazem das cento e sessenta páginas deste A sombra do que fomos uma rápida leitura, mas uma quota-parte dessa velocidade terá que ser atribuída ao interesse que a trama vai ganhando.

[Este livro chegou-me às mãos numa mochila, acompanhado de outros três. Empréstimo generoso do Menphis, que volto a agradecer.]
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Eyjafjallajokull

[Via The Big Picture. Ver mais.]

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23 de Abril

No mesmo dia, dois tão esperados lançamentos: Escrever, escrever, viver e Submundo. O primeiro, um documentário sobre António Lobo Antunes e a sua escrita; o segundo, um premiado livro de Don DeLillo. 23 de Abril foi dia feito para gastar dinheiro.

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We don’t live here anymore

A partir de dois contos de Andre Dubus, John Curran avança para um filme sobre as relações amorosas e a ténue fronteira entre a estabilidade e o desmoronamento das mesmas. É das pequenas coisas que as relações mais se ressentem. Umas vão-se esboroando com elas, a exemplo do efeito de erosão nas grandes rochas, sendo visível o desgaste a que estão sujeitas; outras chegam a um ponto em que se dá uma inesperada implosão, fruto da invisível acumulação destas pequenas coisas nos seus alicerces. Neste seu despretensioso filme, Curran filma dois casais infiéis com a maior honestidade possível. Não há só um culpado e não há um herói ou vítima. Falham todos e sofrem todos – uns mais que outros. Tão cru como isto. Justiça feita a essa honestidade, a verdade é que se chega ao final do filme com a sensação de ter ficado muito por explorar.
Num filme deste tipo, ao elenco pede-se, essencialmente, credibilidade. Não é por aí que We don’t live here anymore falha. Mark Ruffalo, Peter Krause e Naomi Watts convencem e Laura Dern leva a sua personagem a um patamar superior.

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O azar não larga a perna

A época não tem sido brilhante para a equipa do FC Porto, mas o azar teima em persegui-la nas jornadas finais. Tem ganho? Sim, mas eu referia-me aos dois golos seguidos de Guarín, que são capazes de pesar nas contas da sua manutenção no plantel portista, roubando assim vaga a um jogador de futebol. É a sorte a bater à porta do colombiano e o azar a não largar a perna dos portistas.

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Bill Callahan – Rock Bottom Riser

Esta é a edição mais recente de Bill Callahan. Tem cara de disco novo, tem nome de disco novo, mas o que lhe dá forma são temas de álbuns anteriores, gravados ao vivo. Os êxitos do mais recente Sometimes I Wish We Were An Eagle ficam de fora deste Rough Travel For A Rare Thing, mas a já longa carreira deste músico de Maryland permite que isso se faça sem perda de qualidade. Desde o brilhante Bathysphere (que já teve direito a versão da não menos brilhante Cat Power, com quem viveu em tempos), a Our Anniversary, Bowery, ou Cold-Blooded Old Times, há neste disco muito do essencial de Callahan. Fica por aqui um tema saído de A River Ain’t Too Much To Love, de 2005, Rock Bottom Riser.

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O Mundo Alucinante

Servando Teresa de Mier, reza a história, foi um frade mexicano. Consta também que um seu sermão foi o suficiente para colher inúmeros inimigos e consequentes problemas. Por altura dos festejos do aniversário da aparição da Virgem de Guadalupe, com uma audiência bem representativa dos poderes da altura, questionou o argumento da evangelização que os espanhóis usavam para justificar a conquista e destruição das civilizações nativas. Daí ao exílio foi um instante. Sucessivas fugas e detenções levaram Servando a viajar por Espanha, França, Portugal, Itália, Inglaterra, Estados Unidos e Cuba. Se a parte mais biográfica da vida deste frade mexicano já estava bem entregue aos historiadores, é mais que evidente que este tipo de resumo ignora muita coisa. O mais importante, talvez.

A História recolhe a data de uma batalha, os mortos que ilustraram a mesma, quer dizer, o evidente. Estes temíveis memoriais resumem (e bastante) o fugaz. O efeito, não a causa.

Reinaldo Arenas, apercebendo-se das potencialidades de uma personagem como Servando Teresa de Mier, tratou de juntar a estas notas históricas toda a ausente e necessária metáfora.

Por isso, mais do que na História, procuro no tempo. Nesse tempo incessante e diverso, o homem é a sua metáfora. Porque o homem é, afinal, a metáfora da História, a sua vítima, mesmo quando aparentemente procure modificá-la e, segundo alguns, o faça.

O resultado desse exercício é este O Mundo Alucinante, série de entusiasmantes aventuras e desventuras de um frade que, pela imaginação de Reinaldo Arenas, vai construindo uma realidade alternativa na qual acabarão por caber todas as outras. Afinal, ao escritor cubano interessava apenas o romance.

Esta é a vida de frei Servando Teresa de Mier, tal como foi, tal como pode ter sido, tal como eu gostaria que tivesse sido. Mais do que um romance histórico ou biográfico pretende ser tão-só um romance.

Tal como o mundo, é um livro alucinante.

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As musas vivem atrás de uns lençóis estendidos a secar


– Paris. Conheceste a Brigitte Bardot?
– Não, como poderia conhecê-la?
– Acho incrível viver-se tantos anos em Paris sem conhecer a Brigitte Bardot. Não faz sentido – determinou Arancibia.
– E tu? Estás casado, separado, vives com alguém?
– Eu falo sozinho, Cacho. Os milicos deram-me cabo de um fusível e falo sozinho. Às vezes vou pela rua e começo a discutir comigo próprio, as pessoas olham para mim, alguns partem-se a rir, outros demonstram pena, mas não me importo com isso. Que mulher se juntaria com um tipo que fala sozinho? Aviso-te, se de repente começar a falar sem que ninguém me tenha perguntado nada, dá-me um sopapo, estás autorizado, um sopapo nas ventas, mas só um. Tenho um fusível avariado mas não sou tanso. Porque demorará tanto o Lolo? Tem de cá estar quando chegar o especialista.
– Sabes alguma coisa acerca desse tipo?
– Só isso. É um especialista – precisou Arancibia, e quis saber o que o tinha acagaçado e impedido de chegar até à Brigitte Bardot. Salinas referiu-se primeiro a uma questão de tempo e acrescentou que agora a actriz era uma veterana gorda, reaccionária e mal-humorada que se dedicava a criar cães.
– Mentira. É linda, loura, apanha sol em pêlo num terraço e para chegar até ela basta afastar uns lençóis estendidos a secar – respondeu Arancibia.

Luis Sepúlveda, A sombra do que fomos
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C’um calaças

Que glande altista em potência. E há mais: talento, estilo e um sorriso impagável .

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Hulk

O ano não tem sido o melhor para quem usa o nome do musculoso boneco verde. Um começou por ser duramente castigado. Agora, este pequeno (mas também incrível) amigo rumou ao veterinário por uns dias. Dono de um apetite voraz, não podia haver sinal mais claro de que algo estava mal do que ter passado uma noite inteira sem tocar no feno e na água. A esses indicadores, juntou-se uma timidez atípica e um desequilíbrio que, de quando em vez, o fazia cair para o lado direito. Parece que o causador de tudo isto é um vírus e que cinco vacinas em cinco dias podem resolver a coisa. Assim esperamos. A falta deste pequeno deixa a casa mais vazia do que seria de esperar.

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Toco tu boca

Se  O Jogo do Mundo é um livro fantástico, o seu sétimo capítulo é uma aproximação perfeita da prosa à poesia. É também uma espécie de carta de amor – arriscando-se ao ridículo, como estas. Começa com o desenho de uma boca em que hão-de caber perfumes, silêncios, flores e até peixes. Uma boca onde a dor há-de ser doce.

[Pela boca do próprio Cortázar.]

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Escrever, escrever, viver

Solveig Nordlund, realizadora nascida em Estocolmo e que há muito tempo dividiu o seu trabalho entre a Suécia e Portugal, deu este título a um seu documentário sobre António Lobo Antunes – talvez influenciada pelas palavras do próprio escritor: viver é como escrever sem corrigir. Com edição da Midas Filmes e lançamento previsto para final deste mês, esta será mais uma ferramenta para chegar a um melhor conhecimento deste autor ímpar. Fica aqui o trailer do documentário e a vontade de lhe deitar a mão, assim que possível.

[Fonte]

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Teste oftalmológico

[Recebido por e-mail]
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