A sombra do que fomos

Na década de setenta, o Chile passou por alterações políticas que levaram Pinochet ao poder. Com este general, chegaram também tempos de maior autoritarismo e severidade. Numa palavra, a ditadura, que consta como o período mais violento da história deste país. O exílio foi a solução para muitos dos que, de outra forma, teriam a vida ameaçada. Em A sombra do que fomos, Luis Sepúlveda reúne três homens que, regressados do exílio e descontentes com o que voltaram a encontrar, preparam um acto revolucionário. A este pequeno grupo deveria juntar-se um quarto homem, um especialista no tipo de acções que pretendiam levar a cabo. Um desentendimento entre um casal acabaria por complicar estas contas. Num retrato das mudanças que se operaram no Chile e nos chilenos desde o regime de Pinochet, o autor não procura o rigor ou a imparcialidade do que na história deve ficar escrito, optando por tomar o partido de quem deixou de se identificar com o seu país. Desta forma, e fazendo uso do humor que empresta às personagens e à própria narrativa, Sepúlveda toca na ferida sem dramatizar.
A simplicidade e objectividade da escrita fazem das cento e sessenta páginas deste A sombra do que fomos uma rápida leitura, mas uma quota-parte dessa velocidade terá que ser atribuída ao interesse que a trama vai ganhando.

[Este livro chegou-me às mãos numa mochila, acompanhado de outros três. Empréstimo generoso do Menphis, que volto a agradecer.]
Anúncios
Com as etiquetas ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: