Monthly Archives: Maio 2010

Nota de culpa

Se esta página não tem sido actualizada com a regularidade habitual é porque os intervalos entre os afazeres (que agora incluem uma nova categoria de bricolage) não chegam para passar pelas ruas do Harlem, pelo Texas, ou pelo Bronx. Não literalmente, mas literariamente. A culpa é de um admirável Submundo.

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Dan Auerbach – Goin’ Home

Para melhor entendimento da nota final da entrada anterior.

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Sessão dupla

O primeiro mais ligeiro e linear. O segundo mais sombrio e ziguezagueante. Quase nos antípodas da forma e da apresentação, ambos se debruçam sobre a condição humana. Reitman atira-se ao isolamento, à solidão e ao egocentrismo. Scorsese lança-se à loucura. Up in the air é uma comédia dos dramas actuais, Shutter Island é um thriller mental.
Não desgostando do segundo, agradou mais o primeiro – coisa de estado de espírito, talvez.

[Nota: Reitman não sabe escolher más bandas sonoras.]
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Dante

[Não consta que tenha algum jeito para a poesia – nem sequer para a escrita. Mas como cavalo jovem que é, promete.]
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Dos aplausos

Outside, the rain is tapping on the leaves, to me it sounds like they’re applauding us the the quiet love we’ve made.

Empty, Ray LaMontagne
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Final feliz?

Parece que sim. Confirmam-se as hipóteses de um bom passeio e de um bocadinho numa esplanada, sempre rodeados de livros.

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Pac-Man

O célebre jogo fará amanhã trinta anos e o Google fez por não deixar passar a data despercebida. Assim, ao acedermos ao não menos famoso motor de busca, podemos reparar no logótipo alusivo ao Pac-Man. Mas não é tudo: o doodle é jogável, tem vários níveis e os sons originais. Estes senhores são brilhantes.

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The voice project

Não sei dizer se o projecto é recente, mas sei que é louvável, como o são todos os movimentos de paz. Este serve-se da música e pretende levar algum descanso ao Uganda e às mulheres abusadas, torturadas e mutiladas nesse país africano. A música e a palavra falada podem terminar guerras, mudar o mundo. É este o mote para o The voice project.
Músicos cantam temas de outros músicos. Já são alguns, mas aqui teria que ficar Andrew Bird, na companhia de Priscilla Ahn. O original é de Cass McCombs.

[Temos a certeza de estar perante um génio quando a este isso não lhe basta. Andrew Bird é um desses casos.]
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Jorge Jesus dixit

Eu estou ali e consigo ver as coisas antes de elas acontecerem.

Mais ou menos assim. Tirando esta e mais uma ou outra declaração dada a manchete de jornal, percebe-se haver ali um bom treinador; ao homem, simples, ficava bem um melhor trato.

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A ordem natural das coisas

Começou por estar na cabeça dos pais; cresce e toma forma na barriga da mãe.

[Que continue a correr como até agora, é o que se pede.]
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Era para ser nos Aliados, passou para a Boavista, mudou de data, voltou a estar prevista para os Aliados, mas parece que ainda não é certo

São as trocas e baldrocas com a Feira do Livro do Porto. Não se estranhe que já se fale do Porto (meu Porto, para que conste) como uma cidade irrelevante e gerida sem critério.

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Do fingimento

Eu notava como as pessoas fingiam que eram executivos, quando, na realidade, detinham mesmo cargos executivos. Será que eu próprio também o fazia? Mantemos uma distância flutuante entre nós próprios e o nosso emprego. Há um espaço constrangido, uma consciência da encenação cerimoniosa que é uma espécie de pânico suspenso, e talvez o revelemos num gesto forçado ou no pigarrear ritual. Qualquer coisa saída da infância sibila neste espaço, uma percepção dos jogos e das personalidades ainda incompletas, mas não é que estejamos a fingir ser alguém que não somos. Estamos a fingir que somos exactamente quem somos. Eis o que é mais curioso.

Don DeLillo, Submundo
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The National – Afraid of Everyone

Estes rapazes estão em grande. No vídeo acima, têm uma actuação brilhante no programa de Letterman. Como se a habitual formação não bastasse, juntaram-lhe um convidado nas vozes. Apenas Sufjan Stevens.
Hoje, estarão a apresentar o recentemente editado High Violet num concerto ao vivo, para quem quiser espreitar, no seu canal no YouTube.

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Sol na eira e chuva no nabal

Numa das minhas habituais passagens pelo Bibliotecário de Babel, tive conhecimento de um e-mail enviado por Luís Oliveira, editor da Antígona, à APEL. Num breve texto, dispostas por pontos, seguiam algumas críticas à recente edição da Feira do Livro de Lisboa e sugestões para a próxima. A quem interessar a leitura completa, aconselho uma passagem pelo já citado blogue de José Mário Silva, mas chamo particular atenção para o terceiro ponto do texto de Luís Oliveira:
3. A Feira do Livro do Porto deveria realizar-se antes da de Lisboa; não beneficia das mesmas condições naturais e os habitantes do Norte são mais resistentes às intempéries…
Dando ao parágrafo a forma de elogio, na referida superior resistência das gentes do norte às intempéries, a mensagem que o editor da Antígona realmente faz passar é: que se lixem os de lá de cima, interessava era bom tempo aqui.
Admito que este ponto tenha sido escrito com a maior das ligeirezas, mas se Luís Oliveira está descontente com o tempo que se fez sentir no decorrer da Feira do Livro de Lisboa e, consequentemente, com a data desta, basta-lhe para tal expressar a sua vontade de a ver realizada noutra altura. A comparação de que se serve, demonstrativa do desinteresse que tem pelo tempo que se fizer sentir na Feira do Livro do Porto, é tipicamente umbiguista. Não sei se a Antígona vende muito na Feira do Livro de Lisboa e pouco na do Porto, mas gostava que o seu editor soubesse que também é muito agradável passear pela Praça da Liberdade em noites amenas, conversar tranquilamente enquanto se espreitam os diversos expositores e poder fazer uma pausa para tomar qualquer coisa numa esplanada, enquanto se espreita a sinopse de um qualquer livro encontrado. Aposto que, por pouco que seja, também no Porto a Antígona venderá mais numa destas noites.

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Três verdades e uma esperança

O pessimismo podia levar-me a dizer que gastei 8€. O optimismo podia levar-me a dizer que poupei quase 2€ (ou 20%, fosse o optimismo maior). O altruísmo podia levar-me a dizer que fiz um pequeno contributo para a pequena Feira do Livro de Matosinhos. Qualquer dos casos corresponderia à verdade.
A leitura de Nostromo bastaria para saber o que esperar de Conrad. No entanto, os repetidos elogios que António Lobo Antunes, escritor de gosto exigente, tece a O Coração das Trevas

Eu queria publicar esse livro na minha biblioteca, mas numa edição bilingue. É um escritor admirável e, em inglês, é um livro dentro de um livro, dentro de um livro, dentro de um livro e tecnicamente é fodido de fazer. É um livro em que o personagem principal não aparece ou, por outra, aparece muito pouco e quase não fala. É um livro em que se entra por imensas portas! Ele considerava-se um escritor simbolista e eu percebo o que é que ele quer dizer com isso. Eu fico feliz com a felicidade da prosa e de tal maneira metido na maneira como fazem aquilo – talvez tenha a ver com o fazer o mesmo ofício – que me deslumbro.

Uma longa viagem com António Lobo Antunes

fazem aumentar ainda mais a expectativa em relação a esta obra.
Assim que tiver lido O Coração das Trevas, espero poder dizer que, na realidade, o valor pago não faz justiça àquelas páginas.

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Os vinte e três que ainda são vinte e quatro

Portugal conquistou, com mais custo do que seria de esperar, o direito a estar entre as melhores nações do futebol no próximo mundial, na África do Sul. Em breve, terá que ser enviada à FIFA uma lista com os vinte e três nomes que representarão a equipa das quinas. Por enquanto, e devido às dúvidas em torno da condição física de Pepe, Queiroz achou por bem levar a estágio vinte e quatro jogadores.
Na baliza, estará a primeira das certezas, Eduardo. Prevenindo uma eventual lesão ou castigo, seguem também viagem Beto e Daniel Fernandes. Por forma a premiar a época e a carreira de Quim, que dificilmente entrará em contas futuras, não ficava mal dar o lugar de um destes ao guardião benfiquista.
A defesa parece ter sido a principal preocupação do técnico português, com dez jogadores chamados. Ainda assim, numa análise mais cuidada, pode-se considerar que Pepe, estando apto para a competição, será utilizado como médio defensivo, a exemplo do que vinha acontecendo nos últimos jogos da fase de apuramento. Nesse caso, seria quase certa a exclusão de uma das surpresas da convocatória, Zé Castro ou Ricardo Costa. Atendendo a que Bruno Alves e Ricardo Carvalho devem formar a dupla defensiva e que Rolando será a primeira alternativa, via com toda a naturalidade a inclusão de Daniel Carriço – apesar de não ser o Carriço que mais me agradaria lá ver – como quarto elemento para esta posição, prevendo a sua evolução e afirmação como um dos patrões futuros da equipa nacional. Nas alas, a ausência de Bosingwa vai-se sentir, uma vez que Miguel e Paulo Ferreira não serão capazes do constante movimento defesa-ataque-defesa, típico do lateral do Chelsea.Na esquerda, acredito que Queiroz dê seguimento à aposta em Duda, se bem que o encolhimento ofensivo que se verificará na direita, pela já referida ausência de Bosingwa, pudesse ser contrariado com a aposta em Fábio Coentrão, mais habituado a pisar terrenos adiantados. Quando se contam os defesas convocados, convém não esquecer a possibilidade do benfiquista e de Duda jogarem, se necessário, a extremo e médio, respectivamente. Tudo ponderado, volta a equilibrar-se o peso dos diferentes sectores na lista de convocados.
No meio campo, voltamos a Pepe. A grave lesão que o afastou de grande parte da época condicionará bastante. Apesar de não ser um jogador especialmente dotado para iniciar os movimentos ofensivos, revelou ser uma garantia de solidez defensiva, fazendo uso da sua robustez e velocidade para acorrer a todas as situações de desequilíbrio defensivo e dominando o jogo aéreo. Estando totalmente recuperado, será uma opção a ter em conta, principalmente contra adversários mais ofensivos, como o Brasil, ou de grande estatura e poder de choque, como a Costa do Marfim. Na impossibilidade de contar com o jogador do Real Madrid, há as alternativas Miguel Veloso e Pedro Mendes. Com eles, Portugal será capaz de melhores e mais rápidas saídas para o ataque, mas ficará certamente mais vulnerável. Quando Portugal precisar de atacar, o lugar deve ser de um dos dois. Os médios sportinguistas também não estranharão se tiverem que pisar terrenos um pouco mais adiantados, na zona que deverá ser de Meireles. Concorrendo ao mesmo lugar que o médio portista, surge Tiago. Pode ainda defender-se que o jogador do Atlético de Madrid é alternativa a Deco, mas a falta deste será sempre sentida, atendendo a que é, entre os escolhidos do seleccionador nacional, o único jogador realmente talhado para a vulgarmente designada posição dez. É neste terço do campo que se verifica o esquecimento por mim mais notado, João Moutinho. Via com bons olhos a troca deste por Tiago, ou Pedro Mendes. Há ainda quem defenda que Nuno Assis se poderia afirmar como alternativa a Deco. Como prémio pela boa época em Guimarães, não me custava vê-lo incluído no grupo – e caberia novamente a Tiago, ou Pedro Mendes a cedência do lugar.
Na frente, nada a dizer. Os habituais e os que, quase obrigatoriamente, tinham que ser. Face a lesões e a jogadores sem utilização durante quase toda a época (caramba, o quanto eu gosto de ver jogar Quaresma), a escolha não é muita: Ronaldo, Nani, Simão, Danny, Liedson e Hugo Almeida.
Sairão daqui os vinte e três que terão como missão abanar as redes das balizas de Costa do Marfim, Coreia do Norte, Brasil e de quem se seguir (sonhar não custa).
Concordando com umas escolhas, discordando de outras, é este o Portugal que teremos na África do Sul e é por este que teremos que puxar.

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Porque o desportivismo não é uma treta…

… deixo aqui os meus parabéns aos novos campeões nacionais de futebol e seus adeptos – em especial aos que me são mais próximos.

[E agora importa conhecer os 23 que nos vão representar na África do Sul.]
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Trocadilho

[Não é, como o dicionário sugere, um jogo de palavras; é um belíssimo cavalo.]
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Uma longa viagem com António Lobo Antunes

António Lobo Antunes é um nome incontornável da literatura portuguesa. A sua extensa obra (iniciada em 1979 com Memória de Elefante, que conta com títulos como As Naus, Tratado das Paixões da Alma, O Manual dos Inquisidores e o mais recente Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?) é já alvo de estudos e faz do autor um eterno candidato ao nobel. Só em 2005, quando as suas filhas resolvem compilar uma série de cartas enviadas à sua mulher por altura da guerra, D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto, foi possível conhecer um pouco mais do escritor. Para além de livros como os acima referidos, teria que estar um escritor vivido. Foi essa vida que João Céu e Silva tentou dar a perceber aos leitores de Lobo Antunes. A infância, a família, o crescimento, o despertar para a escrita, os autores que o marcam, o processo criativo, a doença por que passou e meras opiniões. Começa como uma relação entrevistador-entrevistado e avança no sentido de uma conversa de amigos, mais aberta, mais despudorada, portanto. É, essencialmente, um livro que interessa a quem se interessa pelo autor.

[Um formato de leitura diferente, mais leve, para preparar a entrada num longo Submundo.]
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Das pontes [entre pessoas]

I’ve still got me to cross your bridge in this storm and i’ve still got me to keep you warm

Grey Room, Damien Rice
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