A Caixa

Pode ler-se na capa deste livro uma excelente descrição do que nele se encontra: um álbum de família literário e cruelmente íntimo. Günter Grass resolve criar um registo entre o autobiográfico e o fabulado e, para isso, serve-se de uma velhinha e invulgar máquina fotográfica, a Agfa-Box que dá título à obra. Na memória dos seus oito filhos, esta máquina era capaz de previsões futuras e recuos ao passado. Mariechen, a fotógrafa e personagem central destas páginas, disparava a sua Agfa e, regressada da câmara escura, revelava o que ninguém mais havia visto. De repetidas evocações destas histórias, a vida do Nobel alemão vai-se revelando pela voz dos seus descendentes – em rigor, pela voz que o próprio Grass lhes vai atribuindo. A leitura de A Caixa desvenda um pouco a forma como se foram construindo livros como O Cão de Hitler e A Ratazana e aguçam a vontade de ir à descoberta deles.
Neste retrato literário, revela-se o amor familiar, a ternura, mas não deixam de se se fazer os desabafos e as críticas que se acham necessárias.

Meias frases, mastigadas, tragadas: amor que é afirmado, mas também recriminações que desde há muito andavam guardadas. Já não deverá valer aquilo que nos instantâneos foi vivido.

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