Os vinte e três que ainda são vinte e quatro

Portugal conquistou, com mais custo do que seria de esperar, o direito a estar entre as melhores nações do futebol no próximo mundial, na África do Sul. Em breve, terá que ser enviada à FIFA uma lista com os vinte e três nomes que representarão a equipa das quinas. Por enquanto, e devido às dúvidas em torno da condição física de Pepe, Queiroz achou por bem levar a estágio vinte e quatro jogadores.
Na baliza, estará a primeira das certezas, Eduardo. Prevenindo uma eventual lesão ou castigo, seguem também viagem Beto e Daniel Fernandes. Por forma a premiar a época e a carreira de Quim, que dificilmente entrará em contas futuras, não ficava mal dar o lugar de um destes ao guardião benfiquista.
A defesa parece ter sido a principal preocupação do técnico português, com dez jogadores chamados. Ainda assim, numa análise mais cuidada, pode-se considerar que Pepe, estando apto para a competição, será utilizado como médio defensivo, a exemplo do que vinha acontecendo nos últimos jogos da fase de apuramento. Nesse caso, seria quase certa a exclusão de uma das surpresas da convocatória, Zé Castro ou Ricardo Costa. Atendendo a que Bruno Alves e Ricardo Carvalho devem formar a dupla defensiva e que Rolando será a primeira alternativa, via com toda a naturalidade a inclusão de Daniel Carriço – apesar de não ser o Carriço que mais me agradaria lá ver – como quarto elemento para esta posição, prevendo a sua evolução e afirmação como um dos patrões futuros da equipa nacional. Nas alas, a ausência de Bosingwa vai-se sentir, uma vez que Miguel e Paulo Ferreira não serão capazes do constante movimento defesa-ataque-defesa, típico do lateral do Chelsea.Na esquerda, acredito que Queiroz dê seguimento à aposta em Duda, se bem que o encolhimento ofensivo que se verificará na direita, pela já referida ausência de Bosingwa, pudesse ser contrariado com a aposta em Fábio Coentrão, mais habituado a pisar terrenos adiantados. Quando se contam os defesas convocados, convém não esquecer a possibilidade do benfiquista e de Duda jogarem, se necessário, a extremo e médio, respectivamente. Tudo ponderado, volta a equilibrar-se o peso dos diferentes sectores na lista de convocados.
No meio campo, voltamos a Pepe. A grave lesão que o afastou de grande parte da época condicionará bastante. Apesar de não ser um jogador especialmente dotado para iniciar os movimentos ofensivos, revelou ser uma garantia de solidez defensiva, fazendo uso da sua robustez e velocidade para acorrer a todas as situações de desequilíbrio defensivo e dominando o jogo aéreo. Estando totalmente recuperado, será uma opção a ter em conta, principalmente contra adversários mais ofensivos, como o Brasil, ou de grande estatura e poder de choque, como a Costa do Marfim. Na impossibilidade de contar com o jogador do Real Madrid, há as alternativas Miguel Veloso e Pedro Mendes. Com eles, Portugal será capaz de melhores e mais rápidas saídas para o ataque, mas ficará certamente mais vulnerável. Quando Portugal precisar de atacar, o lugar deve ser de um dos dois. Os médios sportinguistas também não estranharão se tiverem que pisar terrenos um pouco mais adiantados, na zona que deverá ser de Meireles. Concorrendo ao mesmo lugar que o médio portista, surge Tiago. Pode ainda defender-se que o jogador do Atlético de Madrid é alternativa a Deco, mas a falta deste será sempre sentida, atendendo a que é, entre os escolhidos do seleccionador nacional, o único jogador realmente talhado para a vulgarmente designada posição dez. É neste terço do campo que se verifica o esquecimento por mim mais notado, João Moutinho. Via com bons olhos a troca deste por Tiago, ou Pedro Mendes. Há ainda quem defenda que Nuno Assis se poderia afirmar como alternativa a Deco. Como prémio pela boa época em Guimarães, não me custava vê-lo incluído no grupo – e caberia novamente a Tiago, ou Pedro Mendes a cedência do lugar.
Na frente, nada a dizer. Os habituais e os que, quase obrigatoriamente, tinham que ser. Face a lesões e a jogadores sem utilização durante quase toda a época (caramba, o quanto eu gosto de ver jogar Quaresma), a escolha não é muita: Ronaldo, Nani, Simão, Danny, Liedson e Hugo Almeida.
Sairão daqui os vinte e três que terão como missão abanar as redes das balizas de Costa do Marfim, Coreia do Norte, Brasil e de quem se seguir (sonhar não custa).
Concordando com umas escolhas, discordando de outras, é este o Portugal que teremos na África do Sul e é por este que teremos que puxar.

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One thought on “Os vinte e três que ainda são vinte e quatro

  1. Menphis diz:

    Concordo com a chamada do Quim. Mas, não comparemos à situação do Baía, que era simplesmente campeão europeu e foi o melhor GR da Europa naquele ano. Do Moutinho, é que não concordo muito, o jogador fez uma má época, preferia uma jogador que toda a gente esqueceu, de nome Hugo Viana para alternativa a Deco. Mas, pela qualidade que Moutinho tem, até aceitava a sua chamada.Por mim, quanto aos centrais, sinceramente, estou farto do Rolando 🙂 mas aceito a sua chamada. Ricardo Costa foi titularissimo naquele que foi o 2º classificado num dos campeonatos europeus mais competitivos e vai para o Valência o Zé castro é que não entendo muito bem, mas ele deverá ser aquele que sai.

    No fundo, a espinha dorsal está lá toda, um grupo de 16/18 jogadores que irão jogar, o resto se calhar estará lá e nem deverá jogar, por isso concordo globalmente com a convocatória, não acho que se deva discutir segundas linhas. Boa sorte, Portugal ! 🙂

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