Monthly Archives: Julho 2010

O Complexo de Portnoy

Abrir este livro é abrir a porta do consultório onde Alexander Portnoy vai descrevendo, num engraçado monólogo, os principais episódios da sua vida. Nascido e criado na cultura judaica, é da sua educação e dos seus costumes que surgem algumas das mais irónicas considerações. Depois, há ainda o pormaior da sua sexualidade quase (quase?) compulsiva, que está na origem das mais cómicas linhas de O Complexo de Portnoy. Mais cómicas e mais obscenas, uma vez que Philip Roth não poupa nas palavras que escolhe para ir descrevendo os comportamentos sexuais de Alexander – não será, por isso mesmo, recomendável para os mais sensíveis a este tipo de linguagem. Uma educação de apertadas regras e proibições não resulta obrigatoriamente (resultará alguma vez?). No caso do protagonista desta obra, esta mão pesada apenas se vai verificando nos problemas de consciência de Portnoy.
Só alguns anos e alguns livros depois de O Complexo de Portnoy é que Philip Roth se tornou num crónico candidato ao Nobel da Literatura, mas haverá nesse feito, seguramente, algum contributo desta obra.

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Super Mario Bros.

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Do verdadeiro pão

Como fizeste nessa noite quente de Primavera, no meu apartamento de Yellow Springs, de cueca alta e sutiã, com farinha nas orelhas e a risca do cabelo molhada de suor – lembras-te? para me mostrares, apesar da temperatura, a que é que sabe o pão verdadeiro? E eu tinha o coração tão derretido que o podias ter amassado também!

Philip Roth, O Complexo de Portnoy
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Sem surpresas

Sem surpresas, as férias aproximam-se e os dias de trabalho tornam-se mais longos. Movimento típico dos ponteiros dos relógios – o digital rouba todo o romantismo à imagem. Um ligeiro recuo, como que para ganhar fôlego, para avançar a toda a corda – ignore-se novamente o sensaborão digital – assim que tiverem início os tão aguardados dias de descanso. Nessa altura, novamente sem surpresas, as horas consumir-se-ão num ápice.
Para acalmar esta urgência de férias, No surprises, original dos Radiohead em versão de Regina Spektor.

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Mumford and Sons – Awake my soul

[Para ajudar a passar a semana – as férias já vinham a calhar.]

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Regresso ao Dragão

Equipado de um amarelo alternativo que fica a perder para o laranja da época passada, o FC Porto apresentou-se para mais um ano de desafios exigentes. Ainda sem a presença dos mundialistas, de um ou outro lesionado e de uma ou outra aquisição por concretizar, percebeu-se que o plantel pode apresentar mais soluções, mas que ainda tem um longo percurso pela frente. Frente aos holandeses do Ajax, os pequenos destaques vão todos para acções individuais, uma vez que ainda não se conseguiu ver jogo colectivo digno de referência. Juntando a este grupo uma outra opção de ataque, há matéria para coisas bonitas. A fotografia que aqui fica é de André Villas-Boas porque se percebe que é do que o jovem treinador conseguir fazer com os jogadores que tem à disposição que o FC Porto vai ter, ou não, o sucesso que se deseja. Venha o próximo jogo, venham os craques que faltam e venham, principalmente, os automatismos. Já fazia falta o ambiente de futebol.

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Seis anos disto

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Definição suficiente

saudade (a-u)

s. f.
1. Lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa de que nos vemos privados.
2. Pesar, mágoa que essa privação nos causa.
3. Bot. Suspiro (planta dipsacácea).
4. Nome dado no Brasil a várias plantas.

saudades

s. f. pl.
5. Lembranças; recordações; cumprimentos.

É portanto saudade, o que sinto. De pessoa ausente, ainda que por conhecer. Saudade do que há-de vir, do que havemos de ser.

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O Coração das Trevas

Depois da leitura de Nostromo, o regresso à obra de Conrad era inevitável. Em O Coração das Trevas, referência obrigatória na bibliografia do autor de origem polaca, encontram-se algumas semelhanças com o livro anteriormente referido: volta a contar-se uma história de marinheiros – o facto de Conrad se ter feito ao mar aos dezassete anos não será alheio a esta influência; aborda-se de novo a colonização de uma terra; a mina, que era fonte de riqueza em Nostromo, dá lugar ao marfim; em ambos há um personagem de grande reputação, força motriz de cada uma das narrativas.
A viagem ao coração da selva africana é na verdade uma viagem ao lado mais escuro do coração humano. É possível reparar que Marlow, o narrador desta história, se vai transformando à medida que o vapor vai subindo o rio. De forma semelhante, Kurtz – o notável Sr. Kurtz – vai morrendo lentamente assim que se vai afastando da densa selva.
O Coração das Trevas é, tal como Nostromo, uma brilhante e pessimista caracterização do homem. Apesar da maior notoriedade do primeiro, que chegou a servir de inspiração a Francis Ford Coppola para o seu Apocalypse Now, a leitura de Nostromo acaba por se revelar mais envolvente e colocar mais em evidência a qualidade de Conrad enquanto escritor – um escritor que, pasme-se, aprende inglês depois dos vinte anos e se notabiliza a escrever nessa língua. Obrigatório.

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Outros mundiais

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Não é preciso concordar com as grandes frases

Vivemos como sonhamos – sozinhos.

Joseph Conrad, O Coração das Trevas
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Já me arranjaram um trinta e um

Não há como fugir a isso.

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O negócio Moutinho

Por pontos:
1 – Moutinho não é um talento de outro mundo, antes um médio trabalhador e com qualidade (houve quem falasse do jogador como um Deco e houve quem fizesse dele um Binya);
2 – Entre Moutinho e Meireles, preferia ficar com o último, desde que motivado (até porque acho pouco provável que o FC Porto consiga uma verba condizente com o seu valor);
3 – O ainda médio do FC Porto já manifestou publicamente que esta era uma boa altura para sair;
4 – Os números do negócio, tendo em conta a previsível saída de Meireles, não parecem tão exagerados se se somarem as verbas desperdiçadas em jogadores como Tomás Costa, Benítez, Prediger e assim por diante;
5 – Os mesmos números passam a ser exagerados se se verificar a continuidade do ainda portista Raúl Meireles, uma vez que ainda há Micael no plantel e ficaria difícil conseguir um lugar para os três médios.
6 – O ex-leão, apesar de se passear há muito pelos relvados portugueses, tem 23 anos, o que lhe dá alguma margem de progressão e hipótese de futura rentabilização;
7 – Concordo com quem entende que todas as partes envolvidas na transferência ficam a ganhar. A próxima época desportiva dirá quem ganhou mais.

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Por esta ordem, indissociáveis. (ênfase no ponto)

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Submundo

Começamos por seguir a entrada de um jovem num estádio onde se disputaria uma final de basebol. As primeiras páginas de Submundo bastam para evidenciar a excelência de DeLillo, numa incrível descrição de toda a atmosfera desse encontro, no Polo Grounds. Nessa noite, com a tacada que se ouviu em todo o mundo (vídeo), Bobby Thomson deu aos Giants a vitória sobre os Dodgers. A bola perdeu-se nas bancadas, mas na obra de Don DeLillo é o jovem Cotter Martin a levá-la para casa. A partir daí, o destino da bola vai-se confundindo com as vidas dos vários personagens que vão surgindo. Durante a leitura das mais de oitocentas páginas de Submundo, vamos percebendo que a bola é um pretexto para descrever toda uma época. O desenvolvimento, a ameaça nuclear e a cultura vão moldando personalidades e condicionando relações. É pela acção do homem que o mundo se vai alterando e é pela acção desse mundo que o homem se vai moldando.
Numa obra extensa como esta, são normais as oscilações entre momentos de leitura empolgante e outros de menor interesse. Em Submundo, no entanto, estes últimos nunca se alongam em demasia.
Depois desta leitura, a restante obra de DeLillo revestiu-se de um interesse acrescido. Já editados em Portugal, também pela Sextante, podemos encontrar Ruído Branco e O Homem em Queda. Qualquer deles obrigatório. Qualquer deles questão de tempo.

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Gratificante

Há uns meses, um responsável por uma pequena editora cristã do outro lado do Atlântico, a Restauração, fez-me chegar o pedido de utilização de uma fotografia. Acedi, como é óbvio, com toda a satisfação. Ontem, na caixa do correio, lá estava um exemplar do livro em causa. Olhei para a capa uma dúzia de vezes. Quer se vendam dois livros, quer se vendam milhares, a sensação é excelente. Obrigado ao João Alfredo. Obrigado à Editora Restauração.

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