Monthly Archives: Setembro 2010

Breve pausa publicitária

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A espera pelas raposas

Robin Pecknold é o líder de umas raposas bem conhecidas, os Fleet Foxes. Depois do primeiro e bem recebido álbum homónimo, o grupo vai preparando lentamente o regresso ao estúdio. Por enquanto, Pecknold vai abrindo os concertos de Joanna Newsom e apresentando temas novos, que podem ou não vir a fazer parte do segundo e muito aguardado trabalho dos Fleet Foxes.
O blogue We All Want Someone To Shout For adianta alguns desses temas, gravados no concerto de The Moore Theater, em Seattle. Por aqui, fica Helplessness Blues.

Nos comentários do mesmo blogue pode-se encontrar uma ligação (que não testei) para toda a actuação de Pecknold. Assim espera-se melhor.

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Bom dia camaradas

Está entre estas páginas, entre algumas memórias de infância de Ondjaki – ainda que a história seja ficcionada -, o retrato de uma terra que há muito me cativa. Cresci a ouvir falar dos cheiros, dos sabores, das paisagens e dos hábitos de uma Angola anterior à que neste livro é descrita – na década de oitenta, muitos dos portugueses que por lá faziam vida já haviam regressado a Portugal, embatendo com estrondo nas diferenças que encontraram. Encontraram um país diferente, deixaram um país diferente.

– Menino, no tempo do branco isto não era assim…

As diferenças assentam, acima de tudo, no cenário político e a influência deste na sociedade. Fora isso, a verdade é que a terra aqui retratada é, na sua essência, muito semelhante à de que tanto ouvi falar.
A simplicidade da escrita de Ondjaki faz com que o ritmo de leitura nos leve às páginas finais num abrir e fechar de olhos. As únicas dificuldades da leitura podiam ser os termos angolanos que por vezes o escritor usa, mas a consulta do breve glossário já incluído deve resolver todas as dúvidas. Para quem está familiarizado com estes termos, é mais um motivo de interesse e um despertar de memórias.
Bom dia camaradas é um livro despretensioso, com a aspiração única de fazer reviver um passado que, como o camba Ondjaki refere, é saboroso de lembrar.

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Antony and The Johnsons – Flétta

Aos poucos, Antony Hegarty vai dando a conhecer o seu próximo trabalho, Swanlights. Depois de conhecido Thank You For Your Love, chega a vez de Flétta, um tema que marca o reencontro entre o músico e Björk. The Dull flame of Desire e My Juvenile são o resultado da sua primeira colaboração e integram o álbum Volta, da cantora islandesa. Por altura dessas gravações, Björk improvisou qualquer coisa ao som do piano de Antony, que ficou toda a noite a trabalhar e, pela manhã, já tinha um tema para lhe apresentar. Flétta ficou na gaveta desde então.

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Radamel

Assisti, na manhã de ontem, a um desfile de estrelas que deve ser quase diário: a passagem dos jogadores do FC Porto na EN222, a caminho do Olival. Recordo ter visto, não necessariamente por esta ordem, Castro, Beto, Varela, Moutinho, Hulk, Helton, Sapunaru e Belluschi. Logo após a passagem dos dois primeiros, percebi que seria fácil ir identificando os craques seguintes, bastando para tal procurar apenas os carros mais vistosos da fila de trânsito – as marcas alemãs estavam bem representadas. Foi desta forma que me ia passando despercebido um jogador dragão, com nome de ave de rapina, num carro da marca do leão. Confirma-se discreto, o avançado colombiano em quem as defesas contrárias também parecem não reparar. Até ao golo.

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Sumo concentrado de mar

Aquele cheirinho abriu-me o apetite, há quem não goste, mas eu acho que o peixe seco cheira muito bem, parece sumo concentrado de mar.

Bom dia Camaradas, Ondjaki
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Sou mais teimoso que o João Tordo

Esta tarde, na Prova Oral, Fernando Alvim deu tempo de antena a João Tordo. O autor, que chegou à notoriedade depois de O Livro dos Homens Sem Luz e Hotel Memória, com As Três Vidas – vencedor do Prémio José Saramago – tem um novo romance, O Bom Inverno. Sem poder, por enquanto, dizer o que quer que seja sobre esta obra, que há muito me desperta curiosidade, posso dizer que sou mais teimoso que João Tordo. É que, durante a entrevista ao programa da Antena 3, o escritor assumiu ter lido todos os grandes clássicos, à excepção de A Montanha Mágica, apesar das mais de dez tentativas e do manifestado respeito por Thomas Mann. A leitura tem sido árdua e não vai sequer a meio, mas chegará ao fim.

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Dois anos incríveis

E a promessa de muito mais. Obrigado.

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Coiote

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Diário de um killer sentimental

Diário de um killer sentimental é uma das três novelas policiais incluídas no livro com o mesmo nome. É a mais conseguida das três, também. Ao enredo policial junta-se o humor e um personagem em luta com sentimentos que desconhecia. Se a um assassino contratado se pede frieza, distância e discrição, é natural que as coisas se compliquem quando aparece uma mulher que passa a ter mais do que um papel secundário na vida desse assassino. O trabalho começa a despertar interesses que anteriormente não existiam e deixa de ser uma questão de zeros à direita de um outro algarismo; as encomendas deixam de ser meras encomendas.
Jacaré é a segunda das novelas presentes em Diário de um killer sentimental. A indústria das peles e a captura ilegal de jacarés leva a que esta história se divida entre a elitista cidade de Milão e o profundo Pantanal. É nesta novela que melhor se notam as conhecidas preocupações ecológicas do escritor chileno.
A fechar este livro, há Hot Lines, marcada pelo humor quase constante. Há um polícia rural que fere de forma curiosa o filho de um importante e influente general e que, por isso, se vê obrigado a ir trabalhar para a capital. Aí, deslocado da realidade, é colocado de parte pelos seus novos colegas, sendo-lhe atribuída uma tarefa pouco condizente com a sua competência. Ao ser descoberto por aqueles que o obrigaram a mudar de ares, volta a encontrar os desafios que lhe iam faltando.
Diário de um killer sentimental não será a melhor das obras de Luis Sepúlveda, mas não deixa de ser uma leitura agradável e divertida.

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Casamento ao som dos Band of Horses

A história que aqui se vai contar é verídica e começou no início deste ano, num concerto dos Band of Horses, em Oslo, quando Njal e Elin ficaram noivos. Depois, já de casamento marcado, o casal norueguês soube que a banda iria estar em Tromso no dia da cerimónia. Com pouco ou nada a perder, fizeram chegar a sua história aos Band of Horses, que acharam (não sem antes soltarem um what the hell) que as coincidências mereciam uma surpresa. Assim, no dia do casamento, o grupo de Seatle apareceu na igreja para tocar a mais que apropriada Marry Song.

[Uma vénia ao gesto dos Band of Horses]
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123

Tem 1 nova(s) mensagem(s) de Voz na sua caixa de correio. Ligue “123” para aceder. Ultima mensagem de +351xxxxxxxxxx.
As mensagens de texto ainda não mataram o correio de voz. Tive essa certeza hoje.
Tem 1 nova mensagem de voz. Mensagem recebida hoje, às 13h30.
Ouvia-se uma vontade cantada de viver a vida a meu lado. Ouvia-se ainda um atestado de inutilidade a cada uma das coisas conseguidas sem a minha companhia. Eram palavras de uns tais irmãos Gibbs, entretanto já cantadas por gente como Nina Simone, Janis Joplin e Tom Jones. Palavras tantas vezes já ouvidas e que só agora me diziam alguma coisa. Rod Stewart, Simply Red, Billy Corgan e Bonnie Tyler. A lista é interminável e até conta com um dueto de Ray LaMontagne e Damien Rice. Sabia de cor grande parte desta música, mas só hoje a ouvi como devia. Versão inédita e exclusiva, que nem o som fraco do telefone conseguirá diminuir. Versão que ofusca as demais.
Fim da mensagem. Para ligar de volta, prima um. Para guardar, prima nove. Para apagar, prima sete. Para reencaminhar a mensagem, prima três.
Reencaminhar está fora de questão, já aqui se escreveu que a versão é exclusiva. Apagar só por um infeliz e castigador engano. Guardar é escolha mais que evidente.
A mensagem será guardada por três dias. Fim das mensagens.
(Três dias? Tecnicamente falando, talvez.)
Uma coisa destas não tem retribuição possível. Tento-o, relembrando que neste mesmo tema, já depois do refrão, numa parte que ficou por cantar, talvez para me permitir tão ténue resposta, há um homem que garante viver e respirar por outra pessoa.
(Escusado será dar nome a esse homem e a essa outra pessoa.)
Volto às certezas, que agora são duas: as mensagens de texto ainda não mataram o correio de voz e a mensagem será guardada por muito mais do que três dias.

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Do rosto como mapa

O rosto humano nunca mente; é o único mapa que regista todos os territórios que habitámos.

Diário de um killer sentimental, Luis Sepúlveda
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Radiohead pelos fãs, para os fãs

Já lá vai mais de um ano, mas há agora um concerto inteiro dos Radiohead disponível para visualização ou download. Um concerto diferente, diga-se de passagem. O projecto envolveu mais de cinquenta fãs da banda, que gravaram o concerto de diferentes pontos, sempre no meio do público. O material foi reunido, editado e  foi-lhe acrescentado o som, generosamente cedido pelos Radiohead. O resultado é este.

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