Bom dia camaradas

Está entre estas páginas, entre algumas memórias de infância de Ondjaki – ainda que a história seja ficcionada -, o retrato de uma terra que há muito me cativa. Cresci a ouvir falar dos cheiros, dos sabores, das paisagens e dos hábitos de uma Angola anterior à que neste livro é descrita – na década de oitenta, muitos dos portugueses que por lá faziam vida já haviam regressado a Portugal, embatendo com estrondo nas diferenças que encontraram. Encontraram um país diferente, deixaram um país diferente.

– Menino, no tempo do branco isto não era assim…

As diferenças assentam, acima de tudo, no cenário político e a influência deste na sociedade. Fora isso, a verdade é que a terra aqui retratada é, na sua essência, muito semelhante à de que tanto ouvi falar.
A simplicidade da escrita de Ondjaki faz com que o ritmo de leitura nos leve às páginas finais num abrir e fechar de olhos. As únicas dificuldades da leitura podiam ser os termos angolanos que por vezes o escritor usa, mas a consulta do breve glossário já incluído deve resolver todas as dúvidas. Para quem está familiarizado com estes termos, é mais um motivo de interesse e um despertar de memórias.
Bom dia camaradas é um livro despretensioso, com a aspiração única de fazer reviver um passado que, como o camba Ondjaki refere, é saboroso de lembrar.

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