Monthly Archives: Janeiro 2011

Do caminho

Para quem está perdido, qualquer desvio é caminho.

Lourenço Mutarelli, A arte de produzir efeito sem causa
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Vício intrínseco

Nome habitual nas listas de apostas para o Nobel da Literatura, Thomas Pynchon é conhecido (ou deverá dizer-se desconhecido?) por ser avesso à exposição mediática. Não dá entrevistas, não aparece em promoções públicas (que não é mesmo que dizer que não as faz, como se comprova neste trailer, narrado pelo próprio) e até se torna difícil encontrar uma fotografia sua sem ter que se recuar umas dezenas de anos – aspectos que Matt Groening, criador dos The Simpsons, aproveitou num dos episódios da famosa série. Factos com maior importância são o escritor ser reconhecido como uma das figuras maiores da literatura norte-americana, a par de Philip Roth, ou Don DeLillo e ter em Gravity’s rainbow o seu livro mais aclamado.
Vício intrínseco é a sua terceira obra traduzida em Portugal, depois de V. e O leilão do lote 49. A melhor definição do livro pode encontrar-se na sua sinopse, que o cataloga como sendo uma história em parte noir, em parte farsa psicadélica. Recorro novamente a um trailer de promoção de Vício intrínseco, desta vez o da edição nacional, para apresentar todos os ingredientes desta cativante narrativa.

Há praia, surf, biquínis às flores e muita música – são inúmeras as referências musicais presentes nas quase quatrocentas páginas do livro, como esta compilação atesta. O fumo que se vê ao longo do trailer estará a meio caminho entre o que Doc Sportello, detective particular e protagonista da narrativa, enrola para fumar e o nevoeiro de Los Angeles.
Vício intrínseco é um livro divertido, de leitura cativante e, escusado seria dizer, muito bem escrito. Reza a crítica que é um Pynchon num registo mais leve, aquém do que é capaz, mas é o suficiente para querer conhecer mais da sua obra. De preferência, o tal Gravity’s rainbow, que aguarda edição por terras lusas.

[Corre o rumor de que Paul Thomas Anderson se prepara para adaptar o livro ao cinema. Atendendo ao trabalho do realizador de, por exemplo, Magnolia e There will be blood, é caso para dizer que seria, no mínimo, interessante.]
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Prova de vinho

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Entre o ver e o sonhar

As pessoas na sua cidade viam apenas o que todos tinham concordado ver, acreditavam no que aparecia na televisão ou nos jornais matutinos que metade lia enquanto conduzia na auto-estrada a caminho do trabalho, e tudo fazia parte do seu sonho de estarem atentos, de serem libertos pela verdade.

Thomas Pynchon, Vício intrínseco
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Mais frequente do que seria de esperar

I see you building the castle with one hand while tearing down another with the other.

Me in you, Kings of Convenience
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Por estes dias, há muito que fazer, muito que ler e pouco a dizer

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Arco-íris duplo

Há dias, no Bibliotecário de Babel, o fenómeno veio à baila. Tudo porque um dos vídeos mais vistos no YouTube em 2010 mostrava um arco-íris duplo e o relato eufórico de quem captava. José Mário Silva fez-me resgatar uma imagem que captei. Dois reparos: a qualidade da fotografia, que é a possível para um modesto telemóvel, e o cenário, o possível em dia de trabalho.

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Post com magia barata

Para não perdermos tempo com floreados, a história pode ler-se aqui. O importante a reter é que há, disponível para download gratuito, um excelente DVD dos Beirut. Chama-se Cheap Magic Inside e é uma produção La Blogothèque.

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As três vidas

Há muito que estava guardada a intenção de conhecer a escrita de João Tordo. Ter sido lançado por Maria do Rosário Pedreira, editora que também alavancou valter hugo mãe, ter sucedido a este na lista de vencedores do prémio literário José Saramago e ter sido repetidas vezes aconselhado por um amigo foram factores que pesaram na decisão de não adiar mais esta intenção. Apesar de o seu último romance, O bom inverno, me despertar bastante interesse, foi com As três vidas que me lancei na obra deste jovem autor português – aproveito para voltar a referir o Winkingbooks, responsável pela muito económica chegada deste livro às minhas mãos.
Da memória do protagonista desta história vão saltando os episódios que viveu desde que, após a morte do seu pai, se viu obrigado a procurar emprego para sustentar a família. Um pouco revelador anúncio de jornal levou-o a um intrigante emprego na Quinta do Tempo, em terras alentejanas, e é sempre num clima de mistério que as recordações se vão desenrolando. Milhouse Pascal, homem vivido e sabido, de muitas posses, é o seu patrão. É à sua vida, também, que estas memórias pretendem fazer justiça – ao seu passado enquanto espião, à actividade que depois desenvolveu e até mesmo às suas relações familiares. É também na Quinta do Tempo que o protagonista e narrador desta história conhece Camila, neta de Milhouse Pascal e responsável, ao mesmo tempo, pelas suas melhores e pelas suas mais atribuladas vivências. É com esta jovem sonhadora que conhece o mundo do funambulismo e chega à conclusão de que a vida é, também ela, uma travessia feita em equilíbrio sobre um abismo sem fundo. Cabe-nos a habilidade para tal.
Por se tratar de um livro pautado pelo mistério – o último capítulo tem mesmo o título Todos os mistérios -, torna-se difícil revelar mais qualquer coisa sem revelar o essencial. Resumindo, para não estragar a trama a um eventual futuro leitor, As três vidas merece toda a atenção de quem procura boa literatura nacional. Leitura mais que recomendável.

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Indesmentível

Diz-me um colega de trabalho benfiquista, ao início da tarde:
– Tanta coisa com a invencibilidade e este ano ainda não ganharam [FC Porto] um jogo.
Certíssimo e certeiro. Prova de que a boa disposição é possível, apesar das rivalidades.

[Em breve voltarei eu à carga. Espero.]
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