Monthly Archives: Abril 2011

Se chover, fico bem em casa

[Há Lisa Hannigan a cantar três temas. Dois seus – Lille e Ocean and a Rock – e, pelo meio, um de Joni Mitchell, só com voz, Willy.]
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Quotidiano

[A banalidade de um gesto não o torna desprovido de beleza.]
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O anjo literário

Eduardo Halfon, guatemalteco, começou por estudar engenharia industrial. Depois, qualquer coisa o conduziu para as letras e, mais precisamente, para a escrita. O que terá sido? O que leva ao despertar de um escritor? É esta dúvida que conduz o autor a O anjo literário. Em parte ensaio, em parte biografia, em parte entrevista e em parte conto, este livro é um passeio pelos bastidores da escrita. Nele encontramos o testemunho de escritores como Enrique Vila-Matas e histórias sobre Bolaño, Hemingway ou Nabokov, por exemplo. A leitura de O anjo literário faz-se de uma assentada e é uma original e interessante obra para quem gosta de ler e, mais ainda, para quem gosta de escrever.

[Recomendável, principalmente se o encontrarem na Feira do Livro de Matosinhos, a 1€.]
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Ser Malraux não é um curso

Há alguns dias, a fumar com insónia às três da manhã, escrevi a Enrique perguntando-lhe inefavelmente as suas influências como escritor. Há duas, pelo menos, tanto quanto sei.
A primeira aconteceu quando ele tinha dezasseis anos, num cinema barcelonês, na noite em que estrearam o filme A Noite, de Antonioni, com os actores Marcelo Mastroianni e Jeanne Moreau. No ecrã, o galã Mastroianni era e tinha as duas coisas que o então jovem Vila-Matas queria ser e ter: era um escritor e tinha uma mulher estupenda. Começou a adorar a imagem pública desses seres estranhos a quem chamavam escritores, em especial Boris Vian, Albert Camus, Scott Fitzgerald e André Malraux; todos, percebes, escreveu-me ele, pela sua fotogenia, não pelo que pudessem ter escrito. Quando o meu pai me perguntou, nessa altura, o que é que eu queria estudar (ele tinha a certeza secreta de que eu queria ser advogado), respondi-lhe imediatamente que pensava ser como Malraux. O meu pai guardou silêncio. Lembro-me muito bem da sua cara de espanto. Ser Malraux, disse-me, irritado, confundido, não é um curso, isso não se estuda na universidade.

Eduardo Halfon, O anjo literário
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Primavera alentejana

Por falta de arte não consegui a fotografia e por falta de palavras não consegui a descrição. É fazer por ver.

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A valsa do adeus

Numas termas paradas no tempo, oito personagens deslizam ao ritmo de uma valsa cada vez mais acelerada: entre outros, uma bela enfermeira grávida, um célebre músico de jazz, um antigo militante desiludido e prestes a abandonar o país, um ginecologista original, um americano rico, simultaneamente santo e Don Juan…
Construído com o rigor de um texto clássico, A Valsa do Adeus (o último livro que Kundera escreveu na antiga Checoslováquia) é o romance mais divertido do autor, uma espécie de “sonho de uma noite de Verão”, um vaudeville negro em que as questões mais graves são colocadas com uma ligeireza blasfema, levando-nos a compreender que o mundo moderno, entre outras coisas, nos roubou também o direito ao trágico.

Esta é a sinopse de A valsa do adeus. Conta, sem lhe retirar o interesse ou atenuar a curiosidade, o essencial da história. Deixa por dizer o essencial da escrita de Kundera, que se revela, uma vez mais, brilhante. A cada linha há uma nova questão que se levanta e para cada questão levantada há mais do que uma resposta. Assim, enquanto vai vivendo a vida de cada uma das personagens da história, o leitor é levado a um exercício de introspecção e até mesmo de auto-avaliação. Os temas são recorrentes, mas expostos sempre de forma original e crítica. Em A valsa do adeus, Kundera debruça-se sobre o amor e o ódio, a vida e a morte, a estética, a justiça… e consegue tudo isto em menos de duzentas páginas, o que torna este livro numa breve, mas intensa, viagem pelo que é a vida. Este é um daqueles livros que se fecham em poucos dias, mas que acabam por ficar presentes por muito tempo.
Ao quarto título lido de Milan Kundera, impõe-se dizer que o autor figura naquele leque restrito de autores de quem se deseja conhecer toda a obra. Mesmo que a mestria de alguns dos seus livros (A insustentável leveza do ser, A identidade e A valsa do adeus) leve a que outros não consigam ter tanto impacto (A vida não é aqui). Obrigatório.

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Sucessões perfeitas

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Esta malta não brinca em serviço

[Depois de um grande álbum, Sigh No More, lá vão surgindo novos temas, deixando adivinhar novo trabalho. Aqui fica, possivelmente, Lovers Eyes.]

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De que falamos quando falamos de amor

Raymond Carver reúne neste De que falamos quando falamos de amor alguns contos em que é possível reparar na sua notável capacidade de observação/descrição. É com base nessa faculdade que Carver consegue, com uma escrita simples e sem floreados, fazer autênticos retratos dos diversos tipos de amor e das singularidades que caracterizam cada um deles. Se em alguns dos retratos a composição é mais rica, noutros o enquadramento é mais eficaz. Assim, conto a conto, não nos é difícil separar o amor paternal do fraternal, o amor romântico (e isto devia ser uma redundância) do amor violento, o amor espiritual do carnal e até mesmo o amor verdadeiro do ilusório.
Há meia dúzia de contos que se destacam e entre eles está o que dá título a este livro. Para quem se sentir interessado pela obra, adianto o conto de abertura, Porque não dançam?, disponibilizado aqui por altura do lançamento de O que sabemos do amor?, pela Quetzal.
De que falamos quando falamos de amor não é uma leitura desafiante (raramente um livro de contos o consegue ser), mas não deixa de ser um agradável passeio pelos bem criados cenários de Raymond Carver.

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Ravelstein

Abe Ravelstein é um homem singular, um professor cativante, que incita ao pensamento livre e crítico. É Chick, um amigo seu, quem o convence a passar para livro as suas ideias. O sucesso do livro acaba por permitir a Ravelstein adoptar o estilo de vida que sempre praticou, mas sem as limitações de outrora. A certa altura, também consequência da sua conduta diária, a saúde deste brilhante professor começa a complicar-se e é ele quem sugere a Chick que escreva as suas memórias. Entre as mais de duzentas páginas desta cativante leitura, somos levados a interessantes considerações sobre a amizade, o amor, a vida e a morte.
Allan Bloom, professor e amigo de Saul Bellow, é o ponto de partida para Ravelstein. Desta forma, podemos dizer que a admiração que Chick nutre por Abe é semelhante à que Bellow sentia por Bloom. O primeiro contacto com a obra deste premiado autor não podia ter sido melhor. Está já marcada como obrigatória a leitura de outros títulos de Saul Bellow.

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O homem mais alto do mundo

[Mais uma pérola do Later with Jools Holland, desta vez fora do ar, com o estúdio vazio.]
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Cada dia uma vida inteira

– A vida foge-nos. Os teus dias voam mais rápido do que um mergulhão. Ou uma pedra lançada ao ar – disse ele, como um pai indulgente – e acelerando na queda à velocidade de trinta e dois pés por segundo elevado ao quadrado. Uma metáfora para a horrível velocidade a que se aproxima a morte. Tu gostarias que o teu tempo fosse tão lento como quando eras criança. Cada dia uma vida inteira.

Saul Bellow, Ravelstein
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Regresso à normalidade

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Estes tipos sabem bem como chegar ao meu bolso

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