Rabos de lagartixa

Conhecedor da exigência literária de António Lobo Antunes, não pude hesitar em pegar num livro que tem a sua aprovação gravada na capa – diz o autor português que Juan Marsé é «sem dúvida o maior romancista vivo de Espanha». Como se isto não bastasse, basta abrir o livro para voltar a esbarrar numa elogiosa comparação de Michael Eaude, do The Independent, que reconhece na escrita do espanhol semelhanças com a de Faulkner. Assim, foi com elevada expectativa que iniciei a leitura deste Rabos de lagartixa.
Nas mais de trezentas páginas deste romance, seguimos a vida de personagens muito bem construídas, densas e intensas. A narrativa é feita de avanços e recuos, de realidade e imaginação, mas nunca deixa de prender. Faz, de facto, lembrar qualquer coisa de Faulkner e também faz lembrar qualquer coisa de Lobo Antunes. O imaginativo David, a sua mãe grávida e o seu pai desaparecido compõem o núcleo desta história, na qual também têm papel importante um inspector da polícia e um amigo de David. Há ainda a curiosa personagem de um piloto da RAF que se encontra numa fotografia na parede do quarto do jovem protagonista de Rabos de lagartixa.
A linguagem de Marsé é riquíssima, a escrita envolvente e a história muito bem conseguida. Chegados ao final do livro, a expectativa criada pelos elogios estampados na sua capa confirma-se plenamente.

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