Adormecido nas cores do amanhecer

San Gabriel sai do nevoeiro húmido de orvalho. As nuvens da noite dormiram sobre o povoado procurando o calor das gentes. Agora está para sair o sol e a névoa levanta-se devagar, enrolando o seu lençol, deixando fios brancos em cima dos telhados. Um vapor cinzento, apenas visível, sobe das árvores e da terra molhada atraído pelas nuvens; mas desvanece-se de seguida. E atrás dele aparece o fumo negro das cozinhas, cheiroso a azinheira queimada, cobrindo o céu de cinzas.
Lá longe os outeiros estão ainda em sombras.
Uma andorinha cruzou as ruas e depois ouve-se o primeiro toque da alvorada.
As luzes apagaram-se. Então uma mancha como de terra envolve o povoado, que continua a ressonar um pouco mais, adormecido nas cores do amanhecer.

Juan Rulfo, Na madrugada
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