Monthly Archives: Novembro 2011

Levantamento (a título de curiosidade)

O que se lê desse lado?

Com as etiquetas

To find this home – Paul Otteson

[A descobrir…]

Com as etiquetas ,

O filho de mil homens

O mais recente livro de Valter Hugo Mãe conta a história de Crisóstomo, um pescador que, aos quarenta anos, assume a tristeza de não ter um filho. Mas não só. Conta também a história de uma anã que engravida e tem um filho, a de um menino que se vê órfão por duas vezes, a de um velho que toma conta de um menino para preencher um vazio do passado, a de uma mulher que se vai esvaziando de amor, a de um maricas e da sua mãe, incapaz de, como lhe aconselhavam as vizinhas, matar o filho. Do cruzamento destas histórias, surge O filho de mil homens, um livro que não se esgota na mais evidente temática do ser pai e que também lança um olhar sobre outros tipos de amor. Composto por uma galeria de personagens muito singulares, com histórias não menos invulgares, este O filho de mil homens é, também pelo registo de escrita de Valter Hugo Mãe, uma espécie de tragicomédia. Em o remorso de baltazar serapião e o apocalipse dos trabalhadores (estão ainda por ler o nosso reino e a máquina de fazer espanhóis, do mesmo ciclo) está sempre presente uma certa angústia, uma tristeza; nestas mais de duzentas páginas, pelo contrário, parece espreitar sempre a esperança, como foi vontade do escritor assim que decidiu criar uma personagem que fosse feliz.
Neste O filho de mil homens, o autor prova que a originalidade que se aponta à sua escrita não se resume à opção de não utilização de maiúsculas e atribui-lhes o lugar que a gramática lhes reserva. Não tendo o impacto de o remorso de baltazar serapião, este é um livro que contribui para um Valter Hugo Mãe também ele maiúsculo.

Com as etiquetas ,

Paternidade

[Ilustração de Luís Silva]

Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho.

Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens
Com as etiquetas , ,

Gente independente

Numa história épica que remonta à Islândia do início do século XX, acompanhamos a incessante luta de Bjartur pela independência. Se de um lado da barricada estão mitos antigos, fortes tempestades de neve, escassez de haveres e até de alimentos, do outro lado está um homem mais que determinado, teimoso. Incapaz de aceitar qualquer ajuda (sinal de dependência, no seu entender), Bjartur conduz o leitor numa viagem aos limites do ser humano. Halldór Laxness, escritor islandês, põe em evidência, nas quase quinhentas páginas deste livro, as razões que o levaram a arrecadar o Nobel da Literatura em 1955. Há, a cada página desfolhada, paisagens descritas com mestria e personagens que vão ficando mais e mais densas, ao ponto de o leitor não ter dificuldade em sentir-se no frio cortante da charneca, entre gente que conhece cada vez melhor. Como se isto não bastasse, Laxness não deixa ficar de fora a poesia necessária às epopeias. Assim, as contrariedades, as teimosias e as desilusões do protagonista desta obra vão ganhando dimensão e as suas pequenas conquistas assumem-se como grandes feitos. Esta é uma história, mais do que de independência, de resistência. Escreve-se, no início do livro, que Bjartur significa resplandecente. Terminada a leitura, Gente independente também.

Com as etiquetas ,

E é isto.

Com as etiquetas ,

“Roubado” por 20 cêntimos

Há muito que Enrique Vila-Matas estava na minha categoria de autores must read. O mal de Montano, vencedor do Prémio Herralde, do Prémio Femina (França) para melhor romance estrangeiro e do Prémio Nacional da Crítica, afigurava-se como uma boa hipótese para me iniciar na obra do autor espanhol. O livro marca 20,14€ na Wook e podia ficar-me por 18,13€ na Fnac (preço aderente). Acontece que surgiu a oportunidade de o licitar a partir dos 7,50€  no Déjà Lu. Por se tratar de um projecto em que todos os ganhos revertem para a APPT21 e o Centro de Desenvolvimento Infantil DIFERENÇAS, resolvi abrir o leilão num valor mais justo. 10€ uma, 10€ duas  e tudo estava bem encaminhado (fui verificar algumas vezes) para o 10€ três, quando alguém decide aumentar 20 cêntimos à minha licitação. Não se faz. Eu sei que sempre são mais 20 cêntimos para uma boa causa, mas sentia-me melhor se o número tivesse sido mais redondo. Duas conclusões: ainda não foi desta que cheguei a Vila-Matas e ainda não foi desta que trouxe um livro do Déjà Lu. Resta-me a satisfação de ir contribuindo para o aumento dos valores das licitações e a certeza de que um dia destes chegará a minha vez.

Com as etiquetas , ,

A manter-se o tempo, é música para o fim-de-semana

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: