Gente independente

Numa história épica que remonta à Islândia do início do século XX, acompanhamos a incessante luta de Bjartur pela independência. Se de um lado da barricada estão mitos antigos, fortes tempestades de neve, escassez de haveres e até de alimentos, do outro lado está um homem mais que determinado, teimoso. Incapaz de aceitar qualquer ajuda (sinal de dependência, no seu entender), Bjartur conduz o leitor numa viagem aos limites do ser humano. Halldór Laxness, escritor islandês, põe em evidência, nas quase quinhentas páginas deste livro, as razões que o levaram a arrecadar o Nobel da Literatura em 1955. Há, a cada página desfolhada, paisagens descritas com mestria e personagens que vão ficando mais e mais densas, ao ponto de o leitor não ter dificuldade em sentir-se no frio cortante da charneca, entre gente que conhece cada vez melhor. Como se isto não bastasse, Laxness não deixa ficar de fora a poesia necessária às epopeias. Assim, as contrariedades, as teimosias e as desilusões do protagonista desta obra vão ganhando dimensão e as suas pequenas conquistas assumem-se como grandes feitos. Esta é uma história, mais do que de independência, de resistência. Escreve-se, no início do livro, que Bjartur significa resplandecente. Terminada a leitura, Gente independente também.

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