Monthly Archives: Dezembro 2011

2011 em imagens


[Já vai sendo um clássico, por estas bandas. O ano até parece menos preenchido, mas é pura ilusão. Foi ano de pai, mãe e filho – e isso não se consegue mostrar.]
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Desespero

Escrito mais de duas dezenas de anos antes de Lolita,  por muitos considerado o título maior de Nabokov, Desespero não é livro para deixar de se ter em conta. O autor russo, pela forma como estrutura a história e pelo uso que faz da escrita e dos seus recursos, deixa transparecer nesta narrativa a sua paixão por problemas de xadrez. Ao longo das mais de duzentas páginas da obra, as personagens (à imagem de peças de xadrez) vão sendo movidas com a habilidade necessária ao crescente interesse do leitor. Hermann, o protagonista do livro, vai mesmo conversando com o leitor à medida que avança na história.

Pedindo embora desculpa pelo desnorte díspar do meu contar, deixai-me repetir que não sou eu quem escreve, mas a minha memória, que tem os seus próprios caprichos e regras.
(…)
A minha vida está toda baralhada, uma confusão, mas aqui estou eu com palhaçadas, a fazer malabarismos com umas descriçõezinhas brilhantes, a jogar com o aconchegado pronome «nós», a piscar o olho ao turista, ao proprietário de chalé, ao amante da natureza, essa pitoresca misturada de verdes e azuis. Mas sê paciente comigo, leitor meu. O passeio que agora vamos dar será a tua rica recompensa. Estas conversas com o leitor também são bastante tontas. Apartes teatrais. O eloquente sussurro: «Agora, baixinho! Vem aí alguém…»

A identidade, a sanidade mental e o homicídio são temas sempre presentes neste romance. Pensar que Nabokov o escreveu (originalmente, uma vez que foi revisto mais de trinta anos depois) com trinta e três anos é coisa para conduzir ao espanto. O autor, que começou a escrever em russo e passou depois a escrever em inglês, entra assim, à primeira leitura, para a galeria de autores obrigatórios: Lolita, O olho e Riso na escuridão são alguns dos títulos já em vista.

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A quem por cá vai passando…

… faço votos de um excelente Natal. Se faltarem prendas no sapatinho, que não faltem abraços.

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Receita para a época de festas e ano novo

Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a distribuí-la pelos dias

Retirado do poema A mão no arado, de Ruy Belo
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E se eu gostasse muito de morrer

No seu romance de estreia, Rui Cardoso Martins escreve sobre o suicídio e os seus mistérios. O que leva alguém a querer pôr fim à vida? Quais os principais obstáculos à concretização desse objectivo? Que razões levam a que o Alentejo tenha uma taxa de suicídios bastante superior à do resto do país? São algumas destas perguntas as responsáveis pelo desenrolar da narrativa de E se eu gostasse muito de morrer – título brilhantemente roubado a um personagem de um romance de Dostoievski. Entre algumas ideias feitas e outras mais originais, o resultado global do livro é interessante, ainda que só no último terço consiga, aqui e ali, empolgar verdadeiramente. Nas pouco mais de duzentas páginas da obra, talvez pela sua formação em jornalismo, Rui Cardoso Martins repete referências a estatísticas (os números) e a pouco factos curiosos (como o da utilização de cortiça portuguesa em equipamentos espaciais), fazendo deste E se eu gostasse muito de morrer um romance a piscar o olho ao ensaio. A história do livro é o resultado das histórias e lembranças de cada uma das suas curiosas personagens e a histórias destas é, por sua vez, resultados de histórias passadas.
Ao contrário do que o tema principal sugere, E se eu gostasse muito de morrer é um livro leve (excepção feita ao relato do massacre de Wiriyamu) e de agradável leitura.

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O ouvido nas compras

Pai e filha exploram as prateleiras de uma loja e o primeiro decide experimentar uma pequena buzina. A menina, que não teria mais que sete anos, surpreende-se com o som:
– Ei, ó pai… já me f###### um ouvido!

(Era coisa para ter piada. Se a resposta do pai não tivesse sido um sorriso.)

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Bestiário

Ler Cortázar quando já se leu O jogo do mundo (Rayuela, no original) pode ser complicado. Percebi isso quando comecei a ler A volta ao dia em oitenta mundos. Não que o livro seja mau, mas porque não pode ombrear com um romance da categoria de O jogo do mundo. Com este Bestiário, livro de contos, acontece o mesmo. Ainda assim, entre os oito contos desta obra, há muito do bom Julio Cortázar que conhecemos do já citado romance. Há até um conto que valia o livro por si só – As portas do Céu. Outros há que, por serem mais “fantásticos” ou ficarem demasiado abertos, não preenchem os requisitos que o leitor se habituou a “exigir” do autor argentino.
Bestiário é, como quase todos os livros do género, ideal para intermediar duas leituras mais pesadas, ou para alturas em que o tempo e a disponibilidade mental não abundam. E leva o selo de Cortázar, de quem volto a aconselhar vivamente, correndo o risco de me tornar repetitivo, O jogo do mundo.

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Em sentido inverso

[Costuma ser daqui para o Facebook, desta vez é ao contrário. Só porque me pareceu obrigatório.]
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A vida breve

Sobre Juan Carlos Onetti já alguma coisa aqui tinha ficado escrita aquando da leitura de O estaleiro – uns breves dados biográficos, prémios conquistados, influências literárias. Foi também por essa altura que se fez referência a A vida breve como o seu romance mais consensual e que ficou prometido o regresso à sua obra. A promessa ficou cumprida precisamente com esse título, novamente com a ajuda da plataforma WinkingBooks.
Neste livro, Onetti narra a história de Brausen. Este vive entre a recuperação de uma intervenção cirúrgica da sua mulher, Gertrudis, e os sons que vai ouvindo da casa vizinha. Entretanto, com a intenção de escrever um argumento para um filme, salta para a narrativa um médico, Díaz Grey. Como se isso não bastasse, para preencher o vazio em que se tornara a sua relação, Brausen vê-se obrigado a assumir uma outra identidade, a de Arce. É de todas estas vozes que surge a força de A vida breve.
Se é verdade que o romance não consegue terminar com a força com que se inicia (a história de Díaz Grey parece perder-se um pouco), não é menos verdade que Onetti volta a conseguir, em menos de trezentas páginas, demonstrar o porquê de ser tido como um dos grandes nomes da literatura latino-americana.

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2012 não vai ser só crise #2

Tradução portuguesa.

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2012 não vai ser só crise #1


Álbum novo.

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O português não é suave

Um curto texto do site de um jornal nacional noticia que Anthony Bourdain esteve recentemente em Lisboa a gravar um episódio do seu famoso No Reservation. São umas breves linhas em que apenas cabem referências a Bourdain, ao programa, a Lisboa, ao fado, a Lobo Antunes (que o acompanhou) e a Ramiro (proprietário de um dos restaurantes visitados). Notícia mais que espremida. Acontece que o português, nos comentários, consegue dizer (escrever) mal, imagine-se só… do chef americano, do seu programa, da cidade em questão, do seu Presidente da Câmara, de Ramiro, da jornalista que assinou o texto, de Passos Coelho e, ainda que de raspão, de Lobo Antunes. Safou-se o fado, talvez por ser património da humanidade. É obra.

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A pior dor

Questão antiga e que apresenta quase sempre as mesmas candidatas. Dor de dentes e dor de ouvidos. Nunca demora muito a fazer-se referência à dor de parto.
Esqueçam os dentes, esqueçam os ouvidos. Não vou dizer para esquecerem o parto, mas qualquer mãe poderá confirmar que essa também não é a resposta certa. A pior dor é a dor de filho.

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Diz que é Dezembro

Por isso há árvore dentro de casa e banner a condizer no blog. Sem esquecer a musiquinha repetida de 2008.

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