Monthly Archives: Janeiro 2012

A paixão aos livros


[Via Pó dos Livros]

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Comissão das lágrimas

Se a história de Angola trocou as voltas à história de muitos portugueses, a obra de António Lobo Antunes confirma que o autor foi um deles. Em Comissão das lágrimas Angola vive o período pós-independência, mas não é esta história que mais interessa. Sem se preocupar com o rigor do retrato histórico, político e social da época, Lobo Antunes volta a centrar-se nas personagens e nas suas vivências. Angola, a independência, as lutas internas pelo poder, o fraccionismo, o sangue e as lágrimas só interessam verdadeiramente quando interferem com as memórias de uma menina que abandonou o país com cinco anos. É pela voz feita de lembranças (umas muito presentes, outras estranhamente presentes e outras resgatadas muito a custo) desta menina que se vão compondo as restantes personagens.
António Lobo Antunes mantém neste livro todas características literárias que o distinguem dos demais. A narrativa (se é que se lhe pode chamar narrativa) é novamente feita de avanços e de recuos, sob a forma de uma torrente de vozes, recordações e pequenos acontecimentos. No meio de tudo isto estão as habitualmente bem escritas frases e as mais brilhantes metáforas.
Comissão das lágrimas, mais que história, é sentimento. Comissão das lágrimas é culpa, mágoa, vingança, vergonha, medo, saudade. Pode estranhar-se e até desdenhar-se a escrita de Lobo Antunes, mas é impossível ficar-se indiferente à sua intensidade.

Para se entender melhor o livro, o autor e o seu universo criativo, vale a pena ver esta pequena entrevista.
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Eyeoneye

Enquanto Março não chega, façamos bom proveito deste Eyeoneye, primeiro avanço para o esperado (pelo menos por mim) Break it yourself.

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A sombra feita noite

… jamais vi tanta quantidade de noite numa árvore como nas mangueiras ao sol

António Lobo Antunes, Comissão das lágrimas

As metáforas deste homem…

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Down in the Willow Garden


O tema pertence a Voices of ages, LP comemorativo dos 50 anos de carreira dos irlandeses Chieftains, mas veste-se da voz de Justin Vernon. Um bom isco para ir à procura de um álbum que conta ainda com a participação de Lisa Hannigan, por exemplo.

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Os rectângulos mais claros da nossa ausência

… fotografia nenhuma e os buracos dos preguinhos emoldurando os rectângulos mais claros da nossa ausência.

António Lobo Antunes, Comissão das lágrimas

 

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A história de um homem comum com uma sorte fora do comum

Esta é a história de um homem comum e, como toda a história de homens, começa pelo seu nascimento. A 8 de Julho de 1979, um homem nasceu pela primeira vez.
(Não me interrompam para dizer que os homens só nascem uma vez, por favor.)
Esse homem nasceu grande, mas ainda menino, como manda a natureza. O menino viveu e cresceu com toda a naturalidade: brincou, aprendeu, errou e aprendeu. Deixou de ser menino para ser rapaz e deixou de ser rapaz para ser homenzinho. Já não era rapaz e ainda não era homem.
Sem se dar conta de nada de anormal, começava a aprender o que era a vida. Só muitos anos depois da data do seu nascimento descobriu que um bocado de si tinha nascido noutra altura. Tinha então vinte e seis anos quando percebeu que também tinha nascido a 17 de Janeiro – como esta não é apenas a história de um homem, omita-se o ano.
(Peço-vos que não me interrompam para voltar a dizer que os homens só nascem uma vez.)
O homem de quem se conta a história não se lembra de ter sentido nada de diferente a um 17 de Janeiro, mas reconhece que a memória não é o seu forte. Esta é a história de um homem com uma sorte pouco comum. Foi também por essa altura que se foi libertando do homenzinho que era para se mostrar como homem. Não tardou muito até sentir, talvez por já estar mais alerta para situações dessas, que tinha nascido uma terceira vez. Foi na manhã de 24 de Setembro de 2010. Achou estranho ter nascido uma terceira vez e, ao mesmo tempo, ter sentido uma inquietação naquele seu bocado nascido a 17 de Janeiro, como se esse nascimento se tivesse renovado.
(Se insistem em dizer-me que os homens só nascem uma vez ou que três vezes é exagero, eu adianto já que não está colocada de parte a hipótese de nascer uma quarta vez.)
Esta é a história de um homem comum com uma sorte fora do comum.

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Porque à sexta sabe melhor voltar a casa

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O mundo ao contrário

Não sendo adepto dos desportos motorizados, não pude ficar indiferente aos recentes acontecimentos em torno de Paulo Gonçalves, piloto português a participar no Dakar. Numa etapa em que ajudou Cyril Despres a retirar a sua mota da lama e ficou a ver o francês abandoná-lo, a moral da história não podia ser melhor: penalização de seis horas para Paulo Gonçalves por, alegadamente, ter sido rebocado.
Eu sei que o Dakar já nem passa em Dakar, mas pensei que ainda era desporto.

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Noites brancas

São Petersburgo. Verão. Dias que não anoitecem. Dois personagens, quatro noites, uma história e um amanhecer. Este pequeno livro podia resumir-se com esta facilidade se não tivesse sido escrito por um autor como Dostoiévski. Se em Coração débil a narrativa tem como tema principal a amizade, em Noites brancas o foco está voltado para o amor. É o verdadeiro romance de amor, com a verdadeira linguagem romântica. Não é, tal como o já referido Coração débil, uma das grandes obras de Dostoiévski, mas acredito que seja uma boa preparação para elas. Uma vez sentido o pulso ao universo criativo do autor, espero conseguir tirar o melhor partido dos seus livros mais consagrados. Ainda assim, Noites brancas não deixa de espantar:pela qualidade de escrita, pelo uso melífluo da linguagem e, principalmente, pela forma como as personagens ganham uma identidade muito própria e se tornam emocionalmente carregadas em menos de cem páginas (edição de bolso!). Não é coisa para muitos, mas está à vista, em duas pequenas obras, que Dostoiévski é um dos que o conseguem.
Crime e Castigo não deve tardar.

(Nota negativa para a edição da Biblioteca de Verão do JN: péssimo papel e muitas gralhas. Ser grátis não justifica tudo. Pedia-se mais brio.)
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Para preencher o vazio de ideias

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Da paternidade #13

Netherland não se limitou a deixar boas impressões ao pai.

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Netherland

Em 2008, quando foi lançado, Netherland andou nas bocas do mundo: começou por ser elogiado por Obama, foi finalista do Booker Prize e arrecadou mesmo o Pen/Faulkner. No último trimestre de 2009, aquando da sua publicação pela Bertrand, o hype criado do outro lado do atlântico e uma sinopse cativante foram argumentos suficientes para deixarem uma marca na minha memória. Já no final de 2011, um leilão no Déjà Lu (que importa voltar a recomendar) atravessou esta obra no meu caminho e foi-me impossível não licitar.
Joseph O’Neill consegue, em duzentas e cinquenta páginas, um livro muito abrangente: não é apenas sobre críquete, não é apenas sobre Nova Iorque e não é apenas sobre o pós-onze de Setembro; Netherland é também um romance sobre as origens, sobre a família e sobre o ver-se despojado de ambos. Como se não bastasse, é também um livro sobre a amizade.
A narrativa é bem construída, cheia de anacronias (mas nunca confusa) e de frases bem esmeriladas, reclamando alguma atenção para a restante obra do autor irlandês.
Netherland é arrebatador e, como tal, mais que aconselhável.

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Tem lá calma, 2012

  • Nas primeiras horas do dia 1, verificar que o óculo traseiro do carro estava partido (tentativa de assalto?);
  • No dia 3, um toque noutro carro;
  • Dia 5, o pequenote cheio de febre.

Entretanto, o vidro está substituído e, mais importante, o piratinha está a melhorar. Agora é sempre a subir…

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Só a leitura salva

É um manifesto, vem do outro lado do atlântico e chegou-me via Bibliotecário de Babel. O essencial da mensagem é: ler.

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