Monthly Archives: Fevereiro 2012

Não é preciso esperar mais

Refiro-me ao novo álbum de Andrew Bird, que aguardo há muito. Enquanto a coisa não é editada (e não tarda mesmo nada), há a possibilidade de o ouvir aqui. Inteirinho. Repito, inteirinho. É a certeza confirmada de que cada álbum deste homem  vale o dinheirinho nele gasto. Prevê-se um fim-de-semana muito assobiado.

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A importância de insistir

Foi preciso chegar à primeira centena de páginas do segundo livro (segundo na minha ordem de leitura, entenda-se) de Vila-Matas para começar a perceber a dimensão do escritor.

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Enquanto o álbum novo não chega…

Atendendo à mensagem que acima se pode ler, a alternativa é clicar aqui.

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Um embuste perfeito

Mario Samigli é um literato que, aos sessenta anos, continua à espera do sucesso do primeiro livro que escreveu. Com o passar dos anos, essa esperança vai esmorecendo e Mario apenas encontra vontade para a escrita na forma de pequenas fábulas. Essas fábulas são sempre histórias de pássaros e, com maior ou menor brilhantismo, vão servindo para Mario tentar perceber o mundo e justificar o rumo que dá aos seus dias. Entretanto, tal como o título sugere, alguém lança um embuste a Mario, fazendo-o crer que o seu romance será publicado. A narrativa é muito linear, mas escrita com primor. Italo Svevo ganhou, com um curtíssimo livro, mais um leitor. Não tardará – espero – a aparecer por aqui qualquer coisa sobre A consciência de Zeno.

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Tonio Kröger

Pensar em Thomas Mann é pensar em A montanha mágica. No entanto, a obra do escritor alemão não se resume a esse magnífico (mas de leitura penosa, quanto a mim) romance. Tonio Kröger, ao contrário do título anteriormente referido, é um livro de leitura simples e rápida. Em menos de cem páginas, Mann volta a apresentar uma escrita conservadora, cuidada, e descrições completíssimas. A narrativa acompanha a história do escritor/poeta Tonio Kröger e, muitas vezes, parece assumir traços autobiográficos. Mais do que a história do personagem principal, o que realmente importa a Mann são as suas considerações sobre a arte, o literato, e o normal, o banal. Será sempre injusto comparar este livro com o marcante (apesar de penoso, volto a lembrar) A montanha mágica, mas a sua leitura não deixa de ser interessante e aconselhável. Talvez seja, aliás, melhor forma de travar conhecimento com a obra de Thomas Mann do que a história, esta sim obrigatória, de Hans Castorp.

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A impossibilidade de um título à altura


Durante vinte e cinco minutos, o mundo podia ser isto.

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História abreviada da literatura portátil

Enrique Vila-Matas faz neste breve (só assim faria sentido, como iremos ver) livro um apanhado de episódios de um grupo de artistas (predominantemente escritores, mas não só) que, por volta de 1924, criam uma sociedade secreta com peculiares condições de entrada. Os shandys (assim se designavam os elementos da sociedade) tinham que ter uma obra que não fosse pesada e pudesse ser facilmente transportada numa maleta (portátil, portanto) e tinham que ser solteiros ou, pelo menos, comportar-se como tal. Mesmo convocando nomes como Céline, Borges e Salvador Dalí, entre outros, A história abreviada da literatura portátil raramente consegue mais do que distrair, o que é manifestamente pouco para o que esperava de Vila-Matas. É um livro que se destinará mais a quem se interessa pela literatura do que a quem se interessa por literatura.
O correio deverá estar a trazer até mim O mal de Montano e, com ele, a oportunidade de pegar em Vila-Matas num registo algo diferente.

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A ironia do Carnaval

A ironia do Carnaval (do melhor que a época tem) é a possibilidade de alguém, ao mascarar-se, ficar mais autêntico.

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Crime e castigo

Dostoiévski escreve neste livro, a determinada altura

Todo o mistério da vida cabe em duas folhas de papel.

Em duas folhas ainda não acredito, mas em duas centenas delas está aqui mais que provado.
Crime e castigo é, sem muitos rodeios, um livro tremendo. Nada escapa a esta obra, está lá tudo: a condição humana, o bem e o mal, a culpa e o perdão, o amor e o ódio. Os personagens estão tão brilhantemente construídos e descritos que os chegamos a conhecer como a amigos chegados; são gente de carne e osso, mas são também alma. A narrativa é abordada de uma forma muito linear, mas tem voltas que não acabam; há na mão de Dostoiévski um mérito total. Além de tudo isto – e sem deixar de ser uma análise redutora da obra -, é um romance, é um drama e é um policial. É um livro que dificilmente se esquece e que figurará sempre entre o que de melhor já li. Incontornável!

(O meu entusiasmo foi tanto que, mal o fechei, o entreguei a um colega de trabalho a quem vou emprestando um ou outro livro. Disse-lhe: se quer ler uma coisa a sério, leia isto.)
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Acordo fotográfico

Numa fotografia, alguém lê. Este é o princípio de um blogue que merece visita.

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Acreditar

Acreditar é um verbo tramado de conjugar quando a terceira pessoa do singular é Vítor Pereira, mas que justifica o risco se pensarmos que a primeira pessoa do plural é Porto.

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Nascidos de uma mão

Raskólnikov, Pulkhéria Aleksándrovna, Sófia Semionóvna, Katerina Ivánovna, Piotr Petróvitch, Dmítri Prokófitch, Avdótia Románovna, Zóssimov, Porfíri Petróvitch, Marmeládov… partos perfeitos da mão de Dostoiévski. Escrever assim não é crime e não merece castigo.

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