A arte de morrer longe

20120613-235855.jpgCheguei a este livro por mérito exclusivo do seu título. Ainda não conhecia nada de Mário de Carvalho e já este poético A arte de morrer longe funcionava em mim como factor suficiente para lhe dedicar o meu tempo. Terminada a leitura, não posso esconder alguma desilusão. O livro, que se debruça sobre o desgaste de uma relação, passa com demasiada superficialidade sobre as personagens e sobre um tema que já vimos outros autores aprofundarem de forma brilhante. Há, a espaços, frases realmente bem conseguidas, mas fica sempre a sensação de que são essas frases que se estão a servir do livro, quando devia ser o contrário. A erudição de uma ou outra passagem não só não abrilhanta a prosa como parece até romper com a narrativa. Fica então a ideia de que há por ali um livro (superficial, acelerado) e umas frases bem buriladas, mas soltas. Em A arte de morrer longe, são mais as coisas de que se sente falta do que as que prendem: falta densidade às personagens, falta profundidade na abordagem temática e falta, essencialmente, unidade à narrativa. Mário de Carvalho define a sua obra como Cronovelema, termo que pretende caracterizar uma forma híbrida entre as crónicas, a novela e o poema. As primeiras, pela dispersão, entendem-se; a novela é frágil; o poema morre no título, longe do que era esperado.

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