Hoje preferia não me ter encontrado

Um percurso, vários percursos. Em Hoje preferia não me ter encontrado, o leitor começa por acompanhar a viagem da narradora para um interrogatório.
No entanto, depressa essa viagem se desdobra em muitas outras. Durante o trajecto do eléctrico, são recordadas anteriores idas a interrogatório, revelados medos e ambições.

Quis prepará-la para o primeiro interrogatório, em que o céu da boca sobe e se mete pelo cérebro dentro com um sabor adocicado. Acontece o mesmo no segundo, e em todos, mas a gente já não se assusta.

Não são necessárias muitas páginas para que se percebam as dificuldades de viver na Roménia de Ceausescu, onde a Securitate controlava de forma apertada a liberdade de expressão e toda e qualquer forma de oposição.
Tal como em Tudo o que tenho trago comigo, a escrita de Herta Müller é simultaneamente sensível e crua, não oscilando tanto entre um extremo e o outro, neste caso. O pior “inimigo” deste Hoje preferia não me ter encontrado acaba mesmo por ser a comparação com o anteriormente referido livro da autora. Ainda assim, valendo metade desse título, este livro ainda tem o suficiente para ser recomendável.

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