Agradecer em silêncio

Quando me mudei de casa dos meus pais, uma das coisas que trouxe foi uma caixa de livros que a minha mãe, uns anos antes, decidiu ir juntando. Por essa altura, os meus hábitos de leitura eram mais moderados, mas há coisas que, para uma mãe, o futuro não consegue esconder. Os livros em questão pertencem a uma colecção que o Público lançou e integra muitos títulos que se podem considerar obrigatórios em qualquer biblioteca. Borges, Faulkner, Kafka, Dostoiévski, Mann, Joyce, Conrad, Nabokov, entre outros, estão todos lá. Durante algum tempo, uma vez por semana, era garantido que a minha mãe pensava em mim. Foi assim durante sessenta semanas, precisamente o número de livros que trouxe na já referida caixa. Depois disso, o Público decidiu dar continuidade a essa colecção e, na sua terceira série, publicou mais umas dezenas de livros. Por razões que não recordo e não importam agora, esses últimos títulos escaparam à atenção da minha mãe. Hoje, porque lhe estou imensamente agradecido pela caixa que me entregou, ando à procura de completar a colecção. Há muito esgotada, os livros que a compõem só se conseguem ir encontrando em leilões ou em grupos de troca e venda de livros. Dos números que me faltavam, já consegui apanhar três (e deitar olho a outros dois). Tudo numa semana, como que a justificar a esperança de valorizar o que a minha mãe me deixou. Neste caso, são livros, mas a intenção é fazê-lo com tudo. É um agradecimento silencioso, mas é também o mais sentido.

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5 thoughts on “Agradecer em silêncio

  1. É uma recordação muito terna, sobretudo porque tem selo de mãe e, para além disso, envolve livros. Já agora, de que colecção falas e quais são os títulos que te faltam? Nunca se sabe quando alguém te pode ajudar.

    Beijinhos*

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  2. Menphis diz:

    Amigo, quais são os livros que te faltam, a ver se te dou uma forcinha para completares isso. 😉

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  3. Carriço diz:

    Obrigado aos dois pela disponibilidade na ajuda, trata-se da Colecção Mil Folhas, publicada há uns anos pelo Público. Faltam-me (à excepção de 3 números), os volumes de 60 em diante. Se tiverem novidades, apitem que eu agradeço. Pago é muito mal! 🙂

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  4. C. diz:

    A colecção Mil Folhas foi uma óptima iniciativa do Público. Descobri autores que foram fundamentais para a minha formação (alguns dos quais estão mencionados acima). Fazem falta iniciativas como essa- os autores eram fenomenais e os preços muito acessíveis.
    (Talvez existam alguns títulos na Letra Livre, ou na Pó dos Livros)

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    • Carriço diz:

      Obrigado pelas sugestões, vou tentar também por essa via. Quanto à iniciativa, era de repetir. Não só os títulos eram excelentes, mas também a encadernação, para este tipo de edições, era boa.

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