O fim da inocência e outros contos

O fim da inocência e outros contosNão sendo os contos o meu género de eleição (fico, muitas vezes, com a sensação de lhes faltar alguma coisa), atirei-me a esta leitura de forma interessada. O conto que dá título a este livro não foi a melhor experiência de abertura, mas há, nestas breves páginas, dois contos que servem para salvar qualquer coisa menos conseguida. Refiro-me a Last man standing e a Flores. No primeiro caso, há qualquer coisa de Saramago no conto, uma espécie de ensaio sobre a consciência numa sociedade em que os estímulos exteriores quase sempre nos fazem alhear da “interioridade”. Gostei bastante e só lamentei não encontrar um final mais aberto, sem explicações que me parecem desnecessárias por em nada favorecerem o resultado final do texto. Em Flores, o outro conto que eleva este livro, o leitor encontra uma verdadeira história de amor. Uma terna história de amor. É também neste conto que se sente mais o autor, uma pulsão que parece conferir a esta história algo de muito verdadeiro, de já vivido, de tocante. Em suma, voltando a dizer que este não é um género que me agrade muito, esta foi uma leitura gratificante e, essencialmente pelos contos destacados, valiosa. Fica-se à espera que Mário Rufino mergulhe no romance. As ferramentas da escrita estão lá e as vivências conseguem chegar ao papel. É questão de tempo. E paciência. O leitor tem os dois e espera.

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