O infinito também se esgota

Se é verdade que não avancei grande coisa na leitura de A piada infinita, também é verdade que já lhe encontrei mais gralhas do que esperava encontrar. Fui condescendendo por saber que a obra, além de imensa em tamanho, é de alguma complexidade. Há muitas vozes, muitos registos orais diferentes e muitos termos técnicos. No entanto, depois de ler dois textos críticos (mas muito acertados) de Gonçalo Mira, que tem comparado a tradução portuguesa com o original, fiquei ainda mais atento a possíveis erros. Se, inicialmente, me era fácil compreender uma falha de revisão, agora fico sempre com a impressão de que a falha pode ser mais do que uma falha. Pior: fico com a sensação de que esta edição foi apressada, que se estipulou uma data para lançamento e que foi preferível cumpri-la a dar mais atenção a um livro que a pedia. E é com esta sensação que vou lançar-me ao que me falta ler: quase tudo! Sem os probelmas da comparação com o original, vou seguindo caminho por entre “erros menores”, pontos que deviam ser vírgulas e interrogações que não o deviam ser. A continuar assim, suspeito que a piada, como diz Gonçalo Mira, deixe de ter tanta piada.

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4 thoughts on “O infinito também se esgota

  1. Senti o mesmo ao ler a biografia de Steve Jobs. Com a pressa de editar o livro no rescaldo da sua morte para aumentar as vendas descurou-se da qualidade da linguagem e da pontuação. É uma pena os interesses monetários estarem sempre primeiro que tudo o resto.

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  2. Menphis diz:

    Confesso:sou um pouco avesso a hypes literários. Gosto de ver passar a moda e só então ir tentar perceber o porquê desse hype. Aliás, eu acho que na literatura são os livros que chamam por mim, não gostando que me “imponham ” leituras. Mas quanto ao David Foster Wallace, ainda mais avesso fico porque há uma particularidade nas criticas que li, excepto a do Ipsilon, eu não conheço a história, nenhuma delas fala exactamente do que se trata, só falam da história do autor, de como é difícil ler o livro, de como foi difícil traduzi-lo e de como é colossal… Da história não sei do que se trata :O

    Quanto ao livro em si, provavelmente um dia destes lerei, acho que o marketing da Quetzal é sem dúvida esplêndido, mas durante os próximos tempos não estarei disposto a estar à volta de um livro de mais de 1000 páginas e ainda por cima além de ser difícil tem esses erros todos.

    PS: Passado um ano do hype comprei o “2666” do Bolaño e só o irei ler daqui a algum tempo. Mas esse sei do que se trata, além de já conhecer dois livros ( dos menos conhecidos) do autor. Esse hype sim, fiquei mais entusiasmado mas gosto que os livros me chamem, um dia destes ele chama por mim 🙂

    abraço

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    • Carriço diz:

      Há hypes e hypes. 🙂 Neste caso, era um livro/autor que me despertava interesse antes ainda da notícia da sua tradução para português. Assim como “O arco-íris da gravidade”, a que conto deitar a mão de seguida. 🙂 Esperas longas e expectativas altas.

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