Escrever como quem respira

O rapaz gostava de escrever. Escrevia por tudo e por nada. Qualquer coisa lhe servia para começar a fazer combinações mentais de palavras, a testar-lhes a sonoridade. O papel vinha depois. É argumento muito repetido dizer que gostava de ver a folha em branco começar a ganhar cor. É argumento repetido dizer que escrevia como quem respirava, naturalmente, de forma inconsciente. Um dia pediram-lhe para escrever sobre determinado assunto, com uma finalidade específica. Escrever por obrigação. E foi como quando o médico pede para respirar normalmente. Estranho. – O que é isso de respirar normalmente? Dava voltas à cabeça a pensar se não era isso que sempre fizera. Forçava-se a respirar como lhe parecia ser normal. Estaria a fazê-lo bem? Estaria a fazê-lo de forma artificial? Respirara toda a vida e, naquele momento, quando lhe pediam Respire normalmente, parecia não o saber fazer.

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2 thoughts on “Escrever como quem respira

  1. Adorei, Carriço! Palavras tuas, presumo!
    Parabéns*

    Beijinhos*

    Gostar

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