O homem sentimental

O homem sentimentalJuan Benet escreve sobre este livro, no primeiro epílogo (há dois), que não traz, como história, novidade. É o típico desenrolar de um triângulo amoroso, com as suas particularidades, mas a respeitar o essencial do que é uma narrativa clássica sobre um amor a três. É o tipo de narrativa que, todos sabemos, deve rumar a uma qualquer fatalidade e à separação das personagens. Aconteça o que acontecer, o que não se pode esperar é que se dê o final feliz de dois à custa da desgraça de um. O epílogo final é do próprio Javier Marías, que explica como nasceu esta sua história, a partir de duas imagens, e a forma como a foi construindo, sem ter ideia de para onde se dirigia. Para o autor espanhol, conhecer o desfecho logo à partida é coisa para o aborrecer, por isso prefere ir tenteando e escrevendo quase à deriva, à mercê de momentos em que as possibilidades de escolha são múltiplas. E é desta escrita um pouco intuitiva que se retira o melhor deste O homem sentimental. Há uma narrativa coerente, ainda que não surpreendente, e há um autor competente.

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