Trazer um peso ao peito

Os noticiários repetem, a um ritmo quase diário, histórias de gente a quem a vida trocou as voltas. É impossível ficar indiferente a estes relatos, mas a repetição dá uma falsa e incompreensível sensação de normalidade. É assim. É a vida. Tem que ser. Mas a mesma notícia, sem o distanciamento promovido pela televisão, toma outros contornos. A realidade bate à porta com outra violência quando a porta nos está mais próxima. É a vida a trocar as voltas a quem andou às voltas connosco. Gente com quem sorrimos e com quem passámos bons momentos. Gente que nos ajudou uma vez e outra. Gente com quem aprendemos e a quem, na medida do possível, nos demos. É assim, mas não devia ser. É a vida, mas não devia ser. Tem que ser. Tem? Então, perdoem-me o egoísmo e a injustiça que este meu desejo possa carregar, mas metam uma televisão entre mim e estas notícias.
É coisa para deixar qualquer um desfeito, começar a semana com um peso destes ao peito.

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