Monthly Archives: Março 2013

Da guerra

Não esqueçamos que o verdadeiro negócio da Guerra é comprar e vender. O homicídio e a violência são à discrição, e podem ser confiados a não profissionais. A natureza maciça da morte em tempo de guerra é útil de muitas maneiras. Ela serve como espectáculo, como diversão em relação às verdadeiras movimentações da Guerra.

Thomas Pynchon, Arco-íris da gravidade

Com as etiquetas ,

35

image

Com as etiquetas , ,

O que as ruínas nos dizem

Cada uma das ruínas que ele todos os dias vai ver é um sermão sobre a vaidade.

Thomas Pynchon, Arco-íris da gravidade

Com as etiquetas ,

Recuar à lista de Natal

Por altura do Natal, deixei aqui uma breve lista de desejos literários. Eram três.
A piada infinitaArco-íris da gravidadeCama de gato
Prestes a terminar Março, o Natal cumpre-se: o primeiro já está lido, o segundo começou a ser lido e o terceiro acompanhou-me ontem no regresso a casa, depois de mais um Dia do Aderente Fnac. Confirma-se assim que o Natal é realmente quando o homem quiser.

Com as etiquetas ,

A breve e assombrosa vida de Oscar Wao

A breve e assombrosa vida de Oscar WaoJunot Díaz é mais um dos nomes que um dia integraram a lista 20 under 40 da revista The New Yorker. Esta lista já contou com nomes como David Foster Wallace e, na mais recente edição, Safran Foer, Joshua Ferris e Philipp Meyer, por exemplo. Entre os que conheço (tenho grande curiosidade em Ferrugem Americana, de Meyer, mas ainda não lhe consegui chegar), posso dizer que Díaz foi o que mais me agradou. Sem destino, de Ferris, foi uma perfeita desilusão; A piada infinita, de Wallace, foi uma verdadeira tormenta; Extremamente alto e incrivelmente perto foi o mais cativante; este A breve e assombrosa vida de Oscar Wao foi o mais interessante. Interessante porque o autor, dominicano, ao mesmo tempo que conta as aventuras de um invulgar (nem que fosse pelo tamanho) jovem com paixão pelas letras, vai desfiando o rolo da história do seu país e de uma das suas épocas mais marcantes, a ditadura de Trujillo. É ficção, portanto, e é documentário sempre que pode. Para além da caracterização política de uma época, Junot Díaz faz também um belíssimo retrato de um povo, pela forma como este lida com os seus problemas e dificuldades e pela cultura. É aqui que aparece o sempre presente fukú, uma maldição dominicana que é usada para explicar os maiores azares. O único senão deste livro será o título apontar para um grande centralismo em Oscar e este, sem deixar de ser a personagem principal e fio de prumo da narrativa, passar um quarto de romance sem qualquer referência. Detalhes.
Ler A breve e assombrosa vida de Oscar Wao é, assim, uma viagem à República Dominicana que não aparece nos panfletos turísticos, mas que não é menos interessante. O leitor não vai precisar de toalha porque não vai a banhos, mas também não precisará de lenços porque Junot Díaz relata uma história violenta com o humor possível e necessário. O livro traz o Pulitzer a reboque e não lhe fica nada mal. Autor a acompanhar.

Com as etiquetas ,

Terminar a semana com Cortázar

Quem grama?

Com as etiquetas , ,

RIP Jason Molina

Com as etiquetas

Dia do pai

Com menos de três anos, é natural que uma criança ainda não entenda o significado destes dias (alguém entende, verdade seja dita?), mas deu-se hoje a coincidência de o meu pequenote ter acordado às 7:00 a chamar por mim. Adormecemos juntos por mais um bocado. Coincidência, mas ainda assim a melhor forma de lembrar este dia. Coincidência, mas cheia de significado.

Com as etiquetas

A posta agradecida


Com a participação de Arne Næss.
[Obrigado, Pedro.]

Com as etiquetas

Da necessidade de testemunhas

O sucesso, apesar de tudo, adora ter testemunhas, mas o fracasso não consegue existir sem que haja uma.

Junot Díaz, A breve e assombrosa vida de Oscar Wao

Com as etiquetas ,

O rapaz, a guitarra e o tom dela

Hoje fui agarrado pelos colarinhos e sinto que ainda não me largaram. É uma mão de um homem que se sente o rapaz que cresceu em Tondela. Mas Tondela é passado e o futuro a Deus pertence, falemos portanto do presente, que é o tempo verbal e o que quero oferecer a mim próprio. Chama-se O grande medo do pequeno mundo e é o último trabalho de Samuel Úria, cantor de prosas escritas com a cabeça no lugar. Samuel chegava para este disco, mas isso não chegava para Samuel. E é dessa necessidade de cantar coisas que outras vozes podem cantar melhor que, a determinada altura, o rapaz de Tondela promete segurar Márcia, que retribui na sua voz de mulher que se vê bonita de olhos fechados. Lá pelo meio, há ainda espaço para um melodioso triunvirato composto por Úria, Zambujo e Miguel Araújo. É tudo bom, mas o melhor está por contar e aparece quando Samuel se agarra a Manuel como o diabo foge da cruz. O que era bom é agora perfeito. Nas palavras de um e outro, canta-se a dificuldade do homem em chorar. Pedem-se olhos emprestados e receitas do caldo lacrimal. Canta-se uma masculinidade que um dia se fez medir pela apresentação de um lenço enxuto. Os homens tiveram que aprender a chorar da mesma forma que aprenderam a fazer fogo.
Foi a palavra que inventou a música de Samuel Úria e foi essa música que, feita mão, me agarrou pelos colarinhos. E agora vejo-me preparado para ir dormir e ainda tenho esta mão ao pescoço. Não sei como me vou virar durante a noite, mas amanhã conto fazer-lhe a vontade e ir a correr gastar menos de dez euros num disco tão bem escrito.

Com as etiquetas ,
%d bloggers like this: