Arco-íris da gravidade

Arco-íris da gravidadeUm homem pode ser de agarrar o touro pelos cornos, por maior que este seja, e não mais o largar até que este se imobilize, mas precisará de algum tempo até conseguir agarrar um novo touro, igualmente corpulento, sem ter de o largar precocemente. Pois foi precisamente por falta de tempo entre A piada infinita e Arco-íris da gravidade que não tive como levar a leitura deste último até ao fim. Bastaram cerca de duzentas enfadonhas e complicadas páginas para que tivesse de largar o livro, exausto. Não por ser pior que o já referido livro de David Foster Wallace, entenda-se. É igualmente duro e igualmente penoso de ler. Acontece que tive forças para suportar Foster Wallace, mas ainda não tinha recuperado do esforço despendido nessa tarefa, o que hipotecou as hipóteses de mostrar igual resistência frente a Thomas Pynchon. Acabo por juntar os dois autores norte-americanos no mesmo saco (o que até se compreende, uma vez que um, o mais velho, é assumida referência de outro) e confessar duas colossais desilusões. Esperava tudo e recebi alguma coisa, mas paguei com sofrimento desigual. Do autor de Arco-íris da gravidade, já tinha lido Vício intrínseco, livro menos ambicioso, algures entre o policial, a comédia e o noir, mas capaz de entreter. Em relação a este, a fasquia nunca esteve tão alta como em relação ao primeiro, pelo que a desilusão foi menor. Ainda assim, somado um e outro, não consigo garantir que regresse à escrita de Thomas Pynchon. Por muito que a crítica literária se desdobre em elogios e superlativos, prefiro encostar-me à leitura do muito e bom que sobra. E sobre Pynchon já escrevi muito.
Desisti de uma leitura antes do fim pela segunda vez, se não estou em erro. Era desumano insistir. E por ser desumano insistir, passei à leitura de Não humano, de Osamu Dazai.

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4 thoughts on “Arco-íris da gravidade

  1. C. diz:

    Com este comentário adiciono 10 anos à previsão de leitura do Pynchon. Nem sempre a crítica tem razão, ou como se diz- gostos não se discutem (ponto):)
    Fico a aguardar o comentário sobre o “Não Humano”:D

    (estava prestes a publicar comentário, e do nada- William Gaddis- “Ágape, Agonia”- caso não tenha lido fica a sugestão p/ regresso aos norte-americanos)

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    • Carriço diz:

      Pelo ritmo de leitura, o comentário a “Não humano” não deve ser coisa para longa espera.
      Quanto aos norte-americanos, depois de Foster Wallace e Pynchon, tenho na estante, à espera, Kurt Vonnegut. Esse “Ágape, agonia” é um dos livros que tem o rótulo “comprar” (e são tantos!) há algum tempo, assim como dois (“Vieram como Andorinhas” e “Adeus, até amanhã”) do também norte-americano William Maxwell.

      Boas leituras

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  2. C. diz:

    William Maxwell não conheço-mas confio na recomendação e já notei no bloco (gracias) 😀
    Continuação de boas leituras

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