Três vidas de santos

Três vidas de santos Eduardo Mendoza é mais um escritor a engrossar o aparentemente infindável filão literário catalão. Três vidas de santos junta três contos sobre outras tantas curiosas personagens. A baleia, o promeiro desses contos, apresenta-nos a história de um membro do clero que se vê retido num país que não o seu. Esse tempo funcionará como um autêntico auto-de-fé para mais do que um personagem. No segundo, O fim de Dubslav, o segundo dos contos presentes neste livro acaba por ser o menos conseguido. Nada parece legitimar o que se segue e o final surge forçado, mas a pena de Mendoza continua a não motivar reparos. Para o final fica aquele que julgo ser o mais feliz (e breve) dos três contos. O equívoco é um texto despretensioso, ligeiro e humorado, mas não larga o leitor antes do seu final. É, neste tom leve, uma interessante sátira à crítica literária e aos preconceitos intelectuais.
A cantera de Barcelona não se esgota em futebóis. Eduardo Mendoza é outro nome a pedir regresso às ruas dessa cidade.

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2 thoughts on “Três vidas de santos

  1. C. diz:

    Mais um que faz parte da lista 😐 ainda não li. que característica sobressai da sua escrita?

    Começo a elaborar uma teoria sobre o domínio cultural catalão, é que se pensarmos na quantidade de escritores (e mesmo noutras áreas)…parece que pegam nas crianças e as ensinam a escrever bem e lhes dão um suplemento de criatividade 😛

    a merecer nota para além dos que já fazem parte da família- Josep Pla, Jaume Cabré e, para não ser misógina, as senhoras Carmen Laforet e Mercè Rodoreda (e quantos mais não andaram/andarão por aí)

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    • Carriço diz:

      É uma lista que levanta problemas a qualquer leitor, essa. Quanto a Mendoza, deste livro sobressai uma escrita simples, despida de grandes adornos. Afinal de contas, falamos de contos, género que pede alguma capacidade de síntese.
      Pla e Cabré fazem parte da minha lista “a ler”, mas as senhoras, confesso, dizem-me pouco e nada, respectivamente. Vou procurar saber.
      Das letras catalãs, os meus preferidos continuam a ser (espero não me estar a falhar alguém importante) Marsé e Vila-Matas.

      Boas leituras!

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