Monthly Archives: Maio 2013

Do olhar materno

Só as mães possuem esse olhar no qual se entranha uma sabedoria triste e nobre, algo que nunca se poderá explicar ao certo, mas que necessita do régio acompanhamento das mães. Só as mães sabem olhar, possuem a sabedoria do olhar, não olham para acompanhar as vicissitudes de  uma figura no tempo, o deslocamento do alvo nos carris do movimento, olham para verem o nascimento e a morte, algo que é a unidade dum grande sofrimento com a epifania da criatura.

José Lezama Lima, Paradiso

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Redireccionar

Mando-vos daqui para aqui. São umas breves linhas sobre Laura Marling. Lá, como aqui, a ideia é só uma: levar ouvidos até Once I Was An Eagle. É de ouvir.

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Instazulejo II

Instazulejo II
Já aqui tinha referido o levantamento de azulejos que estava a fazer no Instagram. Os contributos começaram a aparecer de forma espontânea e neste mosaico já se podem encontrar azulejos enviados pela amiga Sara Rosas (primeiro e terceiro da última linha), pela vizinha de blogosfera Numa de Letra (cantos superiores) e pela minha mãe (canto inferior direito), a quem agradeço a simpatia.
Tem sido uma experiência interessante, com boa receptividade e que podem acompanhar de perto aqui.

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Da outra bola

Uma vez que as bolas milionárias não quiseram nada com o meu boletim, voltemos à bola de futebol e façamos uma espécie de previsão.
Se o FC Porto, depois do ânimo que constituiu a reviravolta na tabela classificativa da semana passada, não conseguir chegar à Mata Real e vencer, qualquer que seja o incentivo adversário, não merece ser campeão. Ponto final.
Se os dragões vencerem a equipa da capital do móvel, então são uns mais que justos campeões. Terão, nesse caso, conquistado o título sem qualquer derrota e vencendo o adversário directo na fase crucial da prova. Se isto não fosse prova suficiente da regularidade da equipa, poder-se-ia ainda acrescentar que a equipa, para o campeonato, somou uma derrota em três épocas.
Está dito o essencial. Role a bola.

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Bolas milionárias

Para os que me perguntam se no Domingo é para festejar, tenho a dizer que preferia fazê-lo hoje.

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Fazer das veias cordas vocais

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Cama de gato

Cama de gatoDividamos, por uma questão de comodidade, a análise deste livro em duas partes desiguais: na primeira caberão os elogios, na segunda ficará um reparo.
Kurt Vonnegut lança-se a este Cama de gato com uma visão crítica e ao mesmo tempo humorada sobre o progresso, a ciência, a religião e a estupidez humana. Como uma empreitada destas não é coisa fácil, o mérito do autor começa na originalidade das ideias, na frontalidade com que olha para o mundo, e estende-se à estrutura escolhida para a narrativa e à escolha e caracterização das personagens. Por estes aspectos, esta espécie de sátira ao homem moderno, que inventa por inventar e sem pensar nas consequências, trate-se de um inofensivo gadget ou de uma ameaçadora arma, é uma leitura interessante. Por estes aspectos, esta espécie de paródia à religião, que inventa uma religião, o bokononismo, para dizer, sem se excluir, que todas elas mentem, é uma leitura muito divertida.

A primeira frase de Os Livros de Bokonon é a seguinte:
«Todas as verdades que estou prestes a contar-vos são mentiras descaradas.»
A minha advertência bokononista é:
Uma pessoa que não consiga perceber como é possível que uma religião útil se baseie em mentiras também não compreenderá este livro.
Assim seja.

As virtudes do livro são, portanto, muitas. O reparo é um, mas pesado. Este livro tinha tudo para ser um daqueles livros, mas peca na escrita. É verdade que serve bem o propósito da obra e é até coerente com uma abordagem quase científica, mas sente-se a falta de algum trabalho nas frases, de força própria, de ritmo. O que o livro consegue é à força das ideias e da construção, dos alicerces. Porque a escolha da palavra também conta, Cama de gato fica a uma curta distância de ser um livro brilhante. É, ainda assim, interessante.

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Da paternidade #19

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E é isto.

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